segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010




Meu primeiro livro

* Por Celamar Maione

Se alguém me dissesse há cinco anos que um dia eu lançaria um livro, certamente eu daria de ombros. Não que lançar um livro, principalmente nos dias de hoje, seja uma missão quase impossível. Muitas editoras repassam os custos da produção aos autores e/ ou escritores. Porém, sempre tive em mente, que se precisasse lançar mão deste recurso, não me tornaria uma escritora. Pelo menos, com um livro na praça.

Preconceito? Não. Apenas não investiria dinheiro em alguma coisa que não sei até que ponto dá retorno. O mercado editorial é desconhecido pra mim. Afinal do que os leitores gostam?

Quando comecei a escrever para o Literário que ainda era no Comunique-se, convidada pelo Pedro Bondaczuk, escrevia sem comprometimento. As ideias chegavam e eu escrevia. Com o passar do tempo, os comentários dos leitores e também de muitos companheiros do literário me incentivaram a pensar na possibilidade de lançar um livro de contos. Porém, sempre fui muito pé no chão. Estava num Portal de grande visibilidade e nada de receber convite para escrever profissionalmente. Questionei: “Até que ponto sou uma boa escritora? Será que alguém vai se interessar pelo que escrevo? Minhas histórias são vendáveis ou hoje só o que dá retorno é texto de autoajuda? Talento apenas é o suficiente? Quantas pseudos-escritores existem por aí? Serei apenas mais uma?

O tempo passou. O Literário saiu do portal e virou blog, ou se preferirem, virou uma revista eletrônica e eu continuei enviando meus textos. Embora tenha quatro blogs, quanto maior o espaço para divulgação, melhor. Além disso, me orgulho em participar do Literário com tantos escritores e profissionais talentosos. E durante os três anos de Literário, fiz boas amizades, com alguns participantes, mesmo que virtuais.

Disposta e acreditando que havia chegado a hora de enfim, lançar um livro, para tirar a prova dos nove, fui atrás de uma editora. Quem iria ler os contos de uma desconhecida? Nem agente literário eu tenho. “Não custa tentar – Viver é correr riscos, já dizem os livros de autoajuda. Verdade?”

A primeira editora que procurei, falou de um pequeno investimento. Descartei. Até hoje ela me manda e-mails.

Determinada, mandei alguns contos para outra editora. Não obtive resposta. Normal. Acontece com todo mundo. Seria muita “sorte” conseguir, praticamente, logo na primeira tentativa.

Afinal, Rubem Fonseca teve seu primeiro original recusado por uma editora e detalhe: O editor jogou o livro do escritor na lixeira. Como ele tinha apenas aquela cópia, escreveu tudo de novo.

Tentei a segunda editora. Dois dias depois, o editor que seria o responsável por ler meus originais, me retornou pedindo para eu colocar todos os contos no mesmo arquivo do Word para facilitar o trabalho . “Viva!“ – pensei. “Enfim, alguém disposto a ler o que escrevi. Uma vida do outro lado da tela”. O prazo para a resposta era de noventa dias. Quatro meses e nenhum sinal de fumaça.

Ansiosa por um veredicto, comentei com uma amiga do tempo de faculdade, sobre a minha espera, e ela me contou que tinha uma colega de trabalho que conhecia uma pessoa que trabalhava numa grande editora. Disposta a me ajudar, ela disse cheia de boa vontade: “ Vou dizer a minha colega que você escreve bem. Que tal?”

Ah tá! Quantas pessoas dizem a mesma coisa? Quantas pessoas acreditam que serão o próximo best-seller da temporada? Agradeci.

Arrisquei e mandei um e-mail para o editor que me devia uma resposta e aguardei. No mesmo período, passei a divulgar um blog em que escrevo um romance frustrado. Nisso, o editor me respondeu positivamente. Frio na espinha. O medo bateu. Vai dar certo? Assinei o contrato com a Editora em agosto. Na mesma semana surgiu a oportunidade de aparecer no Fantástico para dar uma entrevista falando do meu blog/romance. Até aparecer no Fantástico, eu o escrevia anonimamente e estava pensando em continuar anônima e mais tarde, lançar o blog como meu primeiro livro. Acabou que nada foi como eu planejei, mas deu certo. Parei a divulgação do blog para pensar na divulgação do livro.

Escritor divulga? Recorro ao velho ditado para justificar: “O porco engorda com o olho do dono”. Tenho consciência de que não sou nenhuma estrela e que o resultado positivo é fruto de muito trabalho. Na minha vida, nada caiu do céu.

Resumindo: Em março lanço meu primeiro livro. Tudo por conta da editora. Aliás, não tenho do que me queixar. Eu mesma escolhi o dia do lançamento e já no dia seguinte, recebi o convite digital.

Paulo Coelho quando lançou Diário de Um Mago, numa lição de humildade, foi pra porta de cinema distribuir panfleto com a propaganda do livro.

Tenho um amigo escritor que está no quarto livro. Ele me aconselhou: O título do seu livro é bom. Divulgue-o. O trabalho é seu. Ele, por exemplo, costuma ir nas livrarias para ver se o livro realmente foi distribuído pela editora . Divulga. Manda e-mail. Envia convite. E vai muito bem, obrigado.

Hoje tenho uma rara oportunidade nas mãos. Cabe a mim aproveitá-la . Quem sabe um dia, se tudo der certo, pois sou realista e sei que consegui apenas dar um pequeno passo, eu não acompanhe a venda dos meus livros numa casinha em Toscana? Quanta pretensão!

A parte mais difícil eu já fiz : Escrever. Depois arregacei as mangas ou melhor, desci do salto : Procurei uma editora que acreditasse no meu potencial . Agora é divulgar. Sou de colocar a mão na massa. Não tenho medo. E se não der certo, não vou colocar a culpa em ninguém, mas vou pensar no que eu fiz de errado. De maneira madura. Realista. Na verdade, a prova de fogo vem agora: O leitor. Hora de me despir das ilusões e cair na real.

Cada vez que eu penso no lançamento, me dá um frio na barriga e eu me pergunto: “Pra que eu fui me meter em tamanha enrascada?”

O convite é virtual, porém o livro é real. Tenho muito trabalho pela frente. Não quero ser famosa. Fama é ilusão. Quero apenas ser escritora. Escrever com dignidade. Nem que para isso eu tenha que ficar famosa.

Haja estrada!

* Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Foi Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.




9 comentários:

  1. Ei!
    Parabéns Celamar!
    Visitei seu blog algumas vezes e gosto
    muito dos seus textos. O que posso desejar
    para você?
    SUCESSOOOOOOOOOOOOOOOO!
    Beijos querida.

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  2. Urrrrúúúúúu´! Que notícia ótima para uma segunda-feira! Parabéns, Celamar! Estou muito feliz por você.

    Vai ser sucesso, pode acreditar!

    Aquele abraço – Rodrigo Ramazzini

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  3. Celamar, é muito bom saber que vc. irá publicar um livro com seus contos! Eles sãoótimos, tenho certeza que tudo correrá bem! Parabéns!!! Beijos!

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  4. A torcida dos amigos não é muito, mas, a julgar pelo efeito que os seus contos causou nos seus leitores que comentaram, não será de admirar que tenham o mesmo efeito de maneira universal. Muitos grandes passos foram dados. O Literário é uma vitrine, e hoje você fez bom uso dela. São de 300 a 400 visitas ao dia. Com esse texto você mostra ter feito tudo certo, assim, vender será natural.

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  5. Parabéns, Cel. E mantenha viva essa chama que os escritores conhecem bem: não desistir nunca!

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  6. É isso aí, Celemar.
    Com certeza o seu livro será divulgado no Fiteiro Cultural (Centro) Recife.
    Parabéns escritoramiga!

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  7. VIVA, Celamar! Você merece. Tem talento de sobra. Não me lembro de ter lido um texto seu que não merecesse publicação.
    Que este seja o primeiro de muitos!
    Beijos

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  8. É muito bom receber o apoio de todos na " nossa" casa literária virtual. Faz um grande bem.
    Obrigada , Núbia . Sempre atenciosa com todos. Lendo. Comentando.
    Rodrigo, sei que torce por mim e desejo o mesmo .Acredite.
    Sayonara, primeiro entrou como comentarista e depois passou a fazer parte do time com uma coluna semanal. Espero ver um dia você lançando seu livro.
    Mara, obrigada sempre pelo seu incentivo. Pelos seus comentários e também por fazer parte de um momento " especial" da minha vida.
    Murta, a luta é constante , né ? Admiro seus textos e o seu talento. Espero seu próximo livro.
    José Calvino, me sinto honrada com um comentário seu. Obrigada !!
    Risomar, sou sua admiradora. É bom receber seus comentários e saber que partem não só de uma escritora, mas também de uma professora. Como tem valor!
    Vou aguardar os resultados.

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  9. Cheguei um pouquinho atrasada, mas fiquei feliz demais com o que encontrei aqui, Cel. Seu talento é indiscutível, agora lhe desejo todo sucesso.
    Parabéns e beijos

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