terça-feira, 25 de abril de 2017

Muito além de13 razões para viver


* Por Evelyne Furtado
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O suicídio da adolescente Hannah Baker, na série 13 Reasons Why, e o seu acerto de contas com os responsáveis pelo ato provocam diferentes reações e abordagens. 

A produção trata de temas delicados e fortes. Hannah é vítima deuma série de abusos. Mas não é a única a sofrer. Na escola Liberty são muitas as vítimas de Bulying. 

A Liberty, a sociedade e a família elegem predadores e mártires. 


Todos os abusos merecem ser discutidos. Os que sofrem precisam ser acolhidos. Mas o destino de Hannah é o mais preocupante. A produção foi feita de forma que não houvesse possibilidade de ajuda a adolescente. Em nenhum momento há tentativa de salvar Hannah Baker, simplesmente porque ela não pede ajuda. Tudo ali conspira a favor do ato final contra a vida.

É importante que se diga que havia inúmeras outras escolhas (bem mais verossímeis) para a personagem, porém Hannah foi construída para aquele fim e cumpriu sua sina 
de personagem natimorta. 

Mais importante ainda é dizer aos adolescentes que há muito mais que treze razões para viver. Sempre há um lugar mais seguro para ir, um profissional para ouvi-los, alguém que os ajude a seguir. São inúmeras as suas possibilidades. Há muitos destinos para as suas dores. Múltiplas são as maneiras 
de lidar com aqueles que lhes ofenderam. 

Primordial é escutar o que eles têm para dizer.


* Poetisa e cronista de Natal/RN


O desembargador


* Por José Calvino


- A diferença entre um homem e o seu reverso é simples:
o primeiro é um homem de consciência, o segundo  um
homem que vai na onda. (C. Wagner)



Um amigo juiz de direito, nomeado desembargador pelo Ministro do Tribunal de Justiça, relendo “ O maior xexeiro no País do futebol”, me contou alguns problemas que existem e que sempre existiram:  são em geral reivindicações dos trabalhadores de modo geral.  O nosso povo não está preparado para revolucionar, até porque uma boa parte dos nossos intelectuais vivem politicamente e culturalmente em cima dos muros, esperando uma oportunidade para mamar nas tetas do governo. Os brasileiros já se preparam para receber o maior evento do futebol mundial. Gastamos involuntariamente (nós, cidadãos que pagamos a fatura) milhões com estádios de Primeiro Mundo. No entanto, o governo não cumpre as decisões judiciais e, simplesmente, as despreza ou menospreza. Vergonhosamente já houve caso, em 2003, de desconsiderarem a decisão do Tribunal de Justiça, inclusive com o amparo no dispositivo aplicável da atual Carta Magna. Votaram com Desembargador, Relator e desembargadores...

Estou preocupadíssimo com que uma pessoa idosa, alto de cabelos brancos, me contou revoltado que, desde criança, sabe que esses governos com conivência da justiça,  falam mais alto que a lei. Um país que só vive de miséria, prostituição, jogos de azar..., as autoridades sendo subornadas pelos poderosos, nada mais podemos esperar! O pior: em março deste ano, o juiz homologou a sentença que diz que o depósito judicial será realizado com uma importância de fazer vergonha pela pouca vergonha dos excessos que continuam  falando mais alto que a lei. Sai governo, entra governo e cadê a lei que se deve cumprir?



- Dá vontade de colocar umas bombas nos Palácios... - disse bruscamente com voz possante: “me prendam, seus filhos das putas...”
- Porra, Azambujanra, como você é doido!
- Foda-se, respondeu.


* Escritor, poeta e teatrólogo pernambucano. Fiteiro Cultural: Um blog cheio de observações e reminiscências – http://josecalvino.blogspot.com/





Bons conselhos para encontrar o lado positivo da vida


* Por Eduardo Oliveira Freire


Bem gente, sempre quis ajudar as pessoas e dar bons conselhos, por isso, serei um "coach" que tem como proposta ajudar as pessoas a encontrar o lado positivo da vida.

Darei meus primeiros conselhos, vamos lá: 

1- Quando acordar, sorria e agradeça por estar vivo.

2- Depois de comer seu café da manhã lindamente e transbordando amor, vá ao banheiro e dê aquela cagada. Há pesquisas na Universidade de Massachusetts comprovando que as pessoas que cagam antes de sair de casa são bem humoradas e felizes. 

3- Dê bom dia e sorria até para desconhecidos. Pois sua energia positiva aquecerá os outros e eles ficarão inspirados para ter um bom dia.

4- Sempre tenha foco nas coisas boas da vida.
É que se algo ruim acontecer, pode se transformar em algo bom.

5- Quando voltar para casa, agradeça a mais um ciclo terminado. Dance, ria e tome uma taça de vinho.

6- Durma pensando como é maravilhoso viver
e que, no dia seguinte, tudo será ainda mais maravilhoso.

* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/


Absurdo sentimento

* Por Amaro da Silveira Alves

Vamos. Esquece a nuvem passageira
que tanto nos perturba a quietude.
Não quiseste magoar. Foi brincadeira.
(Eu quis sustar as lágrimas; mas não pude).
Às vezes, sem que a gente o saiba ou queira,
a própria essência humana nos ilude
e uma frase espontânea e traiçoeira,
por ser irrefletida é quase rude.
O próprio amor quando exaltado fala
a uma alma de mulher, pode magoá-la,
que as mulheres têm alma de cristal.
E às vezes nosso absurdo sentimento,
faz um pequeno desentendimento
mais doloroso que uma dor banal.


* Poeta fluminense.


Tecendo a rede de afetos


* Por Ana Flores


Dizem que o que acontece pela internet não parece real. Que o relacionamento afetivo virtual é artificial e quase sempre perigoso. Há quem critique a troca de e-mails entre amigos e conhecidos, muitas vezes morando a milhas de distância uns dos outros, alegando que o insubstituível calor humano ao vivo sempre foi e continua sendo o melhor e o mais autêntico carinho. Quanto a isso não tenho dúvida, mas não custa pensar nos dois lados dessa moeda tão injustiçada.

Se você faz negócios com sites sem referências confiáveis ou consulta seu saldo bancário pela internet, paga contas e faz transferência de dinheiro sem tomar comprovadas precauções de segurança, aí você tem chance de engrossar a lista de vítimas da rede. E o preço a pagar pode ser bem salgado. Se você acredita em correntes, obedece a tudo o que lhe mandam fazer nessas mensagens, encaminha-as para pessoas de sua lista porque acredita que se não o fizer pode correr riscos em sua vida pessoal, também está caindo nos modernos contos-do-vigário e nas lendas urbanas que proliferam na rede.

Bom-senso e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não é porque a rede está aberta a todos que vou mergulhar de olhos fechados. Nem vou clicar em links estranhos, de remetentes desconhecidos, só porque alguém está jurando que foi meu colega de colégio e quer mostrar fotos daquele tempo, e outras baboseiras parecidas. Nesses casos, “Get smart!” é a palavra de ordem para quem quer ter na internet uma aliada e não uma inimiga perigosa.

Mas quando tenho a oportunidade de corresponder-me com pessoas queridas que de outra maneira não poderiam se comunicar comigo, ver pelas webcameras em tempo real filhos, netos e amigos que estão geograficamente distantes de mim, isso me dá uma certeza pessoalmente comprovada: o meio utilizado pode ser virtual, mas o sentimento que esses momentos provocam é bem real.

Mata-se a saudade, sim, quando recebemos e mandamos notícias por e-mail ou simplesmente batemos papo pelo messenger, quando ouvimos pelo skype vozes familiares ou aquelas que durante muito tempo ficaram apenas guardadas na memória. Seria melhor um abraço apertado e caloroso? Claro que sim! Apertar no colo os filhos e os netos? Que dúvida! Mas na impossibilidade momentânea de isso acontecer, não sou eu que vou desprezar essas alternativas que a internet me oferece. Alternativas virtuais, sim. Irreais, não.

E agora, com licença, vou responder ao e-mail de uma ex-colega de trabalho que no momento dá aulas em Macau. Inté!

* Jornalista





segunda-feira, 24 de abril de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos e vinte e sete dias de existência.


Leia nesta edição:
Editorial – Fuga e união.

Coluna Em verso e prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, conto, “No mundo da lua”.

Coluna Lira de sete cordas – Talis Andrade, poema, “A flor”.

Coluna Direto do Arquivo – Michele Rachel, poema, “O amago do mel”.

Coluna Porta Aberta – Carlos Zev Solano, crônica, “Nova York, a Cidade dos ‘Todos”.

Coluna Porta Aberta – Carmo Vasconcelos, poema, “Maria das flores”.


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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.





Fuga e união


A realidade, muitas vezes, se nos afigura tão horrenda, violenta, injusta, sem sentido e sem esperanças de que mude para melhor, que nos sentimos tentados, nessas ocasiões, a fugir dela, a nos distanciarmos do que acontece conosco e/ou ao nosso redor e fingir que nada disso está acontecendo. Mas como fazer isso? Fugir para onde?

Há, é verdade, circunstâncias que são o oposto. Existem momentos tão sublimes e gratificantes que gostaríamos que não acabassem nunca. Sonhamos que o mundo todo venha a ser tão maravilhoso, como aquilo que vivenciamos, mas que temos convicção de que irá passar. Tudo passa, o bom e o mau. Mas como fazer isso? Como tornar esse sonho pelo menos minimamente realizável, se não concreto?

Só conheço uma única resposta para todas essas questões. Podemos fugir da realidade horrenda que nos assola, ou que nos rodeia, através da arte. E só podemos mudar o mundo para melhor também por meio dela. Não ria, amigo leitor, se você for artista saberá do que estou falando.

Esse ato de criação, essa forma de expressão de sentimentos, pensamentos e observações – como que num desabafo – proporciona-nos o meio mais seguro e eficaz para a fuga do horror, da violência, das injustiças e de tudo o que transforma o mundo – que poderia e deveria ser um paraíso para todos – em sucursal do inferno. E fugir para onde? Para um lugar em que tirano algum poderá nos alcançar e atingir: para o nosso próprio interior.

Creio, piamente, no poder regenerador da arte. Ademais, ela não é, apenas, veículo de fuga de uma realidade aziaga e má. Em mãos peritas tende a se transformar na concretização de sonhos e de ideais que de outra forma seriam irrealizáveis. O talento do artista é varinha mágica que transforma os cenários, atos e pessoas mais horrendos em protótipos de beleza, de grandeza e de transcendência.

Um compositor talentoso, tendo por matéria-prima dissonâncias que ferem e machucam o ouvido, é capaz de elaborar, apenas com estrondos, gemidos, urros e estridências, melodias harmoniosas e suaves, que nos embalam o espírito e fazem nossa alma dançar.

Pintores hábeis reproduzem em suas telas – apenas com pincéis e tintas, às quais misturam com perícia para dar-lhes todos os tons da natureza – não só o concreto e belo, mas o mundo ideal que trazem em seus corações e mentes.

Escultores, tal como Deus modelando o primitivo Adão, fazem da pedra rústica e suja perfeições de formas e de movimentos, de maneira que só eles sabem fazer, mediante a força, a perícia e a grandeza do seu talento.

Escritores expressam a beleza, a magia, o poder e a transcendência dos magnos ideais que movem o homem tendo por ferramentas, apenas, a ambigüidade, a indigência e a fragilidade das palavras, que manipulam com a perícia de um tecelão a tecer seus panos.

Vocês já imaginaram um mundo sem artes? Já pensaram como seria tão mais sombrio, horrendo, violento, injusto, sem graça e sem esperanças de que mudasse para melhor? A fria realidade se tornaria superlativa, ou seja, gélida.

Não teríamos como expressar nossos mais acalentados sonhos e magníficos ideais. Seríamos uma fera a mais em um mundo povoado apenas por feras, na mera e selvagem luta pela sobrevivência, sem que esta, todavia, tivesse o menor sentido ou graça.

Não sei o que você pensa a esse propósito, estimado leitor e esteja certo que, mesmo que não concorde com seu pensamento, respeitá-lo-ei às últimas conseqüências. Da minha parte, porém, não saberia viver sem arte. E não viveria. Abriria mão, liminarmente, desta fascinante e simultaneamente perigosa aventura que sei quando e como começou, mas não tenho a menor noção de quando e como irá terminar.

Para mim a arte, qualquer arte, é tão fundamental como o ar que respiro, o alimento que me mantém, a veste que me aquece ou o abrigo que me acolhe. Este sempre foi meu credo desde que tomei consciência de mim, do que me rodeia e dessa incompreensível e misteriosa imensidão que é o universo.

Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado e tido como piegas ou alienado, não tenho vergonha e nem receio de declarar, aos quatro ventos, peito estufado e plenamente convicto do que digo: creio na beleza, na grandeza e na transcendência do homem!!! E expresso essa minha crença, apenas, através da arte, que é meu DNA, minha vez e minha voz!



Boa leitura!



O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
No mundo da lua


* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral


- Bento! Bento! Pega a câmera, pega o gravador! Vamos  registrar esse momento!
Bento calmamente continuou a mastigar o palito no canto da boca:
- O que descobriu dessa vez Derbal?
- O buraco negro! Olha! Olha! Tá vendo?
- Tsc..tira a tampa da lente imbecil.
- Ah é...

Todo sem graça e com os ombros caídos, ele voltava às suas pesquisas. Derbal era o irmão mais velho de Bento e vivia no mundo da lua.

Na volta de uma pescaria, enquanto caminhavam descalços,  Derbal observou a queda de uma fruta.
- E pensar que foi assim que Newton descobriu a lei da gravidade.
- Derbal! Você acabou de pisar num monte de merda!
- Putz!

De outra feita quase matou Bento do coração quando lá de baixo ouviu-o gritar:
-Eureka! Eureka!

A princípio não ligou, até que os gritos viraram urros de dor, Derbal havia ficado com o "pinto" preso no ralo da banheira. Bento não tinha sossego com o irmão sonhador, mas era incapaz de lhe dizer não, e, assim acompanhava-o em suas desventuras.

Um dia Derbal inventou uma pequena bomba no porão, Bento só soube disso quando sentado na privada voou pelos ares caindo no canteiro de rosas vermelhas de sua finada avó. O enterro de Derbal foi concorridíssimo, muitos queriam ter certeza de que o louco havia morrido e outros foram apenas para  dar adeus ao  doce sonhador.

Sentado na varanda e suspirando de saudades, Bento olhava fixo para o céu, imaginando o que o irmão poderia estar aprontando por lá. Foi quando percebeu na imensidão o choque entre duas  minúsculas estrelas.

Bento abriu um largo sorriso:
- Eita véio...até aí tu faz merda!

  • Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário









A flor


* Por Talis Andrade


Tua voz
derrete
meu coração
de pedra

Tua voz
quebra
a maldição
de Fedra

Os pássaros
repetem
teu canto
de menina
que não conhece
o pranto
que não conhece
a dor do luto
apenas conhece
os encantos
do mundo

Os pássaros
cantam contigo
meu coração
canta contigo

Tua voz
tua voz
faz surgir
uma flor
nas minhas mãos


(Do livro “Romance do Emparedado”, Editora Livro Rápido – Olinda/PE).


* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).


O amargo do mel


* Por Michelle Rachel



Doce amor que guia
Que destrói quem confia
De braços abertos recebo
Um amor que nem percebo

Corro a passos lentos
Gritando aos quatro ventos
A alegria de viver e ter
Um amor sem merecer

Meu silêncio agora fala
Dói em grande escala
Porque se foi meu herói
Existe a alegria que dói

Novidade este amor, novo humor
Nasceu e cresceu, como uma flor
Me deu a vida ao chegar, me fez evoluir
Matou-me... deixou-me o pranto ao partir

Provei o amargo do mel
E a doçura do fel
Quando abracei sentimento
Infinito até este momento

Amor: tato, olfato, audição, visão
Passado, já foi, não existe;
Solidão: memórias, lamúrias, saudade, verdade
Presente, machuca, é triste.

* Jornalista e professora de Inglês desde 1999. Leciona o idioma na Faculdade Campo Limpo Paulista. Também escreve para o jornal Palavras de Vida.



Nova York, Cidade dos “Todos”



* Por Carlos Zev Solano



Todos os doidos estão lá, todas as modas dão seu ar da graça naquele lugar, todas as raças, credos, nacionalidades aparecem por ali. Onde mais se encontram pessoas que saem correndo dos prédios já pela manhã? E donde vem aquela praticidade que lhes é familiar? Você, por acaso, em algum momento se deparou com as embalagens deles? São demais, tudo abre como um simples ziper. Sabe aquela guloseima que de tão mal embalada demora-se horas para abrir e quando abre caí tudo no chão e você morre de raiva? Pois é, isto é impensável nesta cidade. Todas as embalagens são simples.

Aliás, outra particularidade é que toda e qualquer cena inusitada se vê por lá. E o mais curioso é que todos fazem aquele olhar blasé, como se nada estivesse acontecendo. Pode-se encontrar numa esquina o Stomp dando um show, no meio da rua, em plena Times Square e tem-se a impressão que é a coisa mais normal do mundo. E que tal entrar numa boate e somente ser capaz, passados alguns minutos, perceber que está num salão de beleza?! E se do nada você se depara com uma loura linda totalmente nua protestando contra a venda de peles de animal em pleno e rigoroso inverno nova-iorquino? O que pensar de um local assim?

Lá, até mesmo o conhecido mau-humor dos sitiantes possibilita cenas incomuns, imagine um daqueles postes – a impressão que se tem é que todos os policiais têm mais de dois metros – fazendo poses ao direcionar o trânsito. E uns gays que saem com suas calças totalmente transparentes usando calcinhas vermelhas por baixo? Impossível não chamar a atenção não é? No entanto, depois de um tempo, você acostuma, pois estas cenas são mais comuns do que se idéie.

Lembra daquele maluco corredor? Pois é, a vontade que tive no primeiro dia, logo ao chegar, foi parar o sujeito que saía correndo pela portaria e perguntar: “Hei, aonde se vai com tanta pressa?” ou ainda “Você também corre dentro elevador ou veio mesmo pela escada?”.

Outra, tem uma pizzaria fast-food na Rua 34 em que o atendente nunca espera você pensar no seu pedido. Titubeou por um segundo, ele dispara: “next”, ou seja, bobeou, volta para o fim da fila. Na hora dá vontade de soltar um palavrão, mas a cena é tão cômica que você se vê lá parado com cara de babaca e desanda a rir. O que fazer diante de um sujeito que nem pisca e berra “next” umas duas mil vezes por dia?

Esta é Nova York, uma cidade levada a sério por todos, mas hilária com todos,... Todos estes nova-iorquinos, todos loucos.




* Jornalista