terça-feira, 19 de junho de 2018

Índice


Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Doze anos, dois meses e vinte e um dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Percepção aguçada.

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, poema, “Vulcão.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, crônica, “Profissão: Escritor”.

Coluna Do real ao surreal – Eduardo Oliveira Freire, crônica, “Strip-tease”.

Coluna Porta AbertaCésar Leal, poema,Nassau”.

Coluna Porta Aberta – Cássio Ubirajara, poema, “Eu e a Lua.


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DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!

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CITAÇÃO DO DIA:

Memória que importa 

A memória só importa realmente – para os indivíduos, para a coletividade, para a civilização – se ligar a impressão do passado com o projeto do futuro, se nos possibilitar agir sem esquecer o que queríamos fazer, tornar-se sem deixar de ser, e ser sem deixar de tornar-se.

(Ítalo Calvino).



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Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Editorial - Percepção aguçada


Percepção aguçada


O amor, salvo engano, aguça nossas percepções, apura nossos sentidos, torna-nos bem mais atentos à beleza que nos cerca e que, quando não estamos apaixonados, ou não percebemos, ou não valorizamos devidamente, ou encaramos até com indiferença, como coisa trivial e de somenos, preocupados com os problemas do cotidiano. Esta, pelo menos, é a conclusão que pude tirar de experiências pessoais. Eu me senti dessa forma! E observei várias pessoas que pelo menos agiam dessa mesma maneira peculiar nessas circunstâncias. Tanto isso é verdadeiro que, se formos bons observadores, dificilmente deixaremos de perceber quando alguém estiver apaixonado. Suas atitudes, palavras e posturas denunciam esse especial estado de espírito.

Enamorados, valorizamos, muito mais, com maior intensidade e prazer, por exemplo, frescas e luminosas alvoradas, calmos e serenos entardeceres, noites enluaradas de verão, enfim, tudo o que de agradável e de bom a natureza nos proporciona. Os sentidos ficam mais aguçados. Percebemos e nos deliciamos – ou para usar expressão tão do agrado dos poetas, “nos inebriamos” – com o odor suave das flores. É verdade que vivemos em permanente estado de ansiedade.

Quando distantes da pessoa amada, o tempo nos parece parar e não vemos a hora de encontrá-la para então nos extasiarmos com sua presença. Quando juntos, pelo contrário, o relógio parece disparar. Uma hora nos dá a impressão de ser apenas um minuto (quiçá segundo). Não raro perdemos o apetite e temos dificuldade de concentração, de pensar em outra coisa que não seja o objeto de nossa veneração. Não considero, todavia, essas sensações desagradáveis, a despeito dessa recorrente e constante ansiedade. Alguns mantêm para si, com exclusividade, essas percepções, emoções e sensações, até por temor de serem ridicularizados e chamados de piegas. Tolice.

Muitos dos que agem assim, dissimulando o que sentem e até se tornando sarcásticos, quando não agressivos, sempre que se toca no assunto, o fazem movidos por equivocada postura “machista”. Entendem que sentimentos suaves não são para homens e bla-bla-blá, bla-bla-bla, bla-bla-blá. Vão por aí afora. Outra imensa e monumental tolice. Amar não diminui e nem suprime a masculinidade de ninguém. Aliás, muito pelo contrário. O curioso e irônico é que, quanto mais duronas essas pessoas são, ou procuram mostrar que sejam, mais descambam para a pieguice quando finalmente se rendem ao amor.

O escritor baiano Ariovaldo Matos, em um conto publicado na antologia “Histórias da Bahia”, observou: “Belo é o mundo do silêncio quando se ama. Os olhos libertam toda a sua riqueza de expressão, as mãos valorizam ao máximo os seus movimentos, um simples gesto substitui todo um poema. E depois, a calma invade tudo, o mundo desaparece – apenas ficam os amantes, as águas, a noite, a natureza”.

Ridículo”, dirão os sisudos e em geral mal-humorados, que confundem seriedade com mau humor, e que argumentam que há coisas “mais sérias e importantes” em que pensar que não essa “poesia barata e melosa”. Claro que dizem isso (e nem sei se de fato pensam assim), enquanto não se apaixonam. Depois que isso acontece... Observem como se transformam. Ademais, como observou o escritor austríaco, Thomar Bernhard: “Tudo é ridículo quando se pensa na morte”. E pensar no amor, é o oposto disso. É apostar na vida.

Raciocinemos. Nada do que fazemos de concreto está destinado a durar. Mais cedo ou mais tarde, nossas melhores obras, as que chamamos de obras-primas, envelhecem, se decompõem e desaparecem. Veja o leitor, por exemplo, o destino dos primores de arquitetura e de escultura legados por geniais artistas da Grécia Antiga. Hoje não passam de montões de ruínas, mal identificáveis, apreciados, apenas, por alguns curiosos (e, logicamente, por historiadores e arqueólogos). Foram obras feitas para durar para sempre. Não resistiram, no entanto, a dois ou três milênios, se tanto.

Todavia o que é fruto do intelecto e da sensibilidade dura, pelo menos mais, embora também corra riscos de desaparecer. Muitas, de fato, desapareceram. Sabe-se lá quantas! Mas as chances de se perpetuarem são maiores. Instalam-se nos corações e mentes das pessoas, que as transmitem aos descendentes através de gerações. Desafiam o tempo, cataclismos que extinguem civilizações inteiras, guerras que varrem países do mapa e até apagam seus nomes da história e tendem a permanecer vivas, mesmo que não intactas, só em fragmentos, através de anos, séculos e milênios.

Quanto irá durar a magnífica história de amor, criada por William Shakespeare, de Romeu e Julieta, escrita há cerca de cinco séculos? E a “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, inspirada por sua profunda paixão por uma certa Beatriz? E as “Odes” de Petrarca, compostas para a amada Laura? Ou os sonetos de amor, do épico gênio lusitano, Luís Vaz de Camões, inspirados por uma eternizada Natércia?

Eu poderia desfiar uma infinidade de obras literárias marcantes e consagradas, de poesia ou não, tendo por tema o amor. Paixões célebres (como as de Dante por Beatriz, de Petrarca por Laura, de Camões por Natércia) houve muitas. Entre elas, tem que ser lembrada a de Abelardo por Heloísa. Por causa dela, esse monge foi emasculado pelos parentes de sua amada e, mesmo mutilado de sua virilidade, nunca deixou de amar sua musa e foi sempre correspondido por ela. Aliás, pelo contrário, amou-a tanto, ou mais do que antes de sofrer tamanha violência.

O rei de Portugal, Dom Pedro, amou Inês de Castro com tamanha intensidade que, mesmo depois de morta, fez com que seu corpo inerte fosse coroado como rainha. A sua rainha!!!. Há histórias e mais histórias, como estas, em profusão, registradas ou não em livros, célebres ou obscuras, bem sucedidas ou infelizes, mas todas grandiosas, exemplares, maiúsculas, posto que frutos do soberano dos sentimentos: o amor.


Boa leitura!

O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk

Vulcão - Evelyne Furtado


Vulcão

* Por Evelyne Furtado

Fonte perene,
descansa, o amor
ora latente.

Imerso na paz
renascerá, o amor
fluído ardente.


* Poetisa, cronista e psicóloga de Natal/RN.

Profissão: Escritor - José Calvino de Andrade Lima


Profissão: Escritor

* Por José Calvino de Andrade Lima

Ao combativo e nunca assaz louvado escritor e antropólogo José Calvino, com a homenagem dos missivistas do JC”

Esta dedicatória foi do então editor de “Cartas à Redação” do Jornal do Commercio, quando lançou em 1998 o livro “Cartas Pernambucanas” (Missivistas do JC). Na época foi publicado “Iniciativa dos missivistas”, JC 12/08/98: “Recebi duas cartas da editora Comunicarte tratando da edição de livro com dados biográficos de missivistas do JC e uma carta inédita ou não, a ser lançada este ano, em comemoração à Semana Nacional da Imprensa. Em segunda carta veio o total do orçamento para tiragem de mil exemplares do ‘curioso livro’. Remetendo as matérias solicitadas (é uma vergonha, deveria ser remunerado), e como não obtiveram apoio cultural (que é o difícil), pretendem então ‘empurrar’ 50 exemplares ao preço unitário de R$ ... (questão de ética deixo de mencionar o preço), visando exclusivamente ao mercantilismo, como se fôssemos profissionais de venda de livros! A meu ver, antes de o livro ir ao prelo mudar o título, o setor de marketing deveria ser consultado para que os supostos leitores saibam que não houve patrocínio! Somente o nome de editora que imprimir, é claro. Por lei, todos os livros trazem o nome da editora onde são impressos. * José Calvino”.

Estou falando do saudoso jornalista José do Patrocínio Oliveira, decano do JC. Quem vive como eu, evitando grupos de subservientes “intelectuais” com conchavos, a fim de obter favores, permita-me registrar algumas inconfidências. Num país onde todos são iguais perante a lei, a decepção é grande. Em termos de Brasil, ser escritor ou poeta numa nação cheia de analfabetos e semianalfabetos, fica ainda mais difícil, e como!!! Os referidos têm apenas uma pequena noção das coisas, são cheios de superstições, de preconceitos, crendices e sem cultura que possibilite a tomada de decisões. Na minha opinião, são como fantoches. Manipulados pelo sistema, crescem, comem, e morrem, esquecidos. Acredito que 50% dos brasileiros alfabetizados não têm o hábito de ler. Muitos leem mal e dificilmente entram numa livraria, nunca assistem a uma peça de teatro,,, (não leem sequer um jornal)!!! A conversa é mais sobre futebol, bebidas... É uma perda de tempo discutir essas coisas! Sobre a bebida não faço apologia, até porque eu acho que seja uma das drogas mais prejudiciais ao ser humano. Só porque é oficializada? Há quem despreze os escritores. Principalmente num regime ditatorial (toda ditadura é perversa)!!! Tomei conhecimento, alguns anos passados, que um célebre romancista..., interpelado por um inspetor da alfândega de Berlim, sobre sua profissão, respondeu “escritor”, tendo o dito cujo repetido a pergunta com riso sarcástico: “Eu estou indagando a profissão...” Eu particularmente, continuo escrevendo, mas, investir nas edições dos meus próprios livros? Jamais!!! Desprestigiado pelo público almejado, o Fiteiro Cultural, aqui do Recife, foi desativado. Uma pena.

Em 1957, frequentei o Curso de Iniciação ao Cinema, promovido pelo Centro de Orientação Cinematográfica e pela Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP). Retirei a proposta de sócio por motivos óbvios. No mesmo ano o de Radioteatro. Como também o desligamento da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) . Motivo: Não entregaram o comprovante do registro da Peça Teatral Trem & Trens” e a carteira da SBAT. A prova que a peça teatral “Trem & Trens”, de minha autoria, foi devidamente registrada: Nº 27.751, em 26.09.1990, no Rio de Janeiro, documento, como título executivo judicial em 1991.

Em plena ditadura militar (1970), conheci alguns articulistas, colunistas, compositores, escritores, médicos, advogados, apresentadores de programas de rádio e TV, repórteres esportivos, policiais, que já exerciam a profissão de jornalismo. Porém, na época não existia curso de nível superior de jornalismo ou de comunicação social. Participamos (eu e José do Patrocínio) do I Curso de Comunicação Social, promovido pela Associação dos Bacharéis em Jornalismo, realizado na Universidade Católica de Pernambuco em convênio com o Instituto de Ciências da Informação (Icinform) e a colaboração especial do Instituto Cultural Brasil-Argentina. Aproveitando o ensejo gostaria de mencionar as matérias e professores: Panorama das Telecomunicações no Brasil e no Mundo, Engº. Nédio Cavalcanti; Comunicação do Jornalismo Impresso, Jornalista Wladimir Maia Calheiros; Comunicação Através das Relações Públicas, Professor Francisco Higino Barbosa Lima; Comunicação Áudio-Visual, Professora Theresa Catharina Góes Campos; Comunicação e Universidade, Reitor Potiguar Matos (UCP). No mesmo ano recebi o certificado de radiotelegrafista (1ª Classe), de conformidade com as disposições dos Regulamentos de radiocomunicação internacional. Este eu tenho obrigação de guardar o sigilo das comunicações e de cumprir fielmente as determinações regulamentares em vigor e as da legislação radiotelegráfica internacional.

Dado ao meu agnosticismo (permaneço agnóstico) no ano de 1982, concluí o curso de Ciências Religiosas pelo então ITER (Instituto de Teologia do Recife), sendo o referido curso equivalente à licenciatura curta para fins de Magistério. Em 1997, me associei à UBE-PE, pela segunda vez deixo de pertencer aos quadros da (des)União Brasileira de Escritores (Vagão abandonado nos jardins da UBE – Literário 10/05/2011). E, em 2009, fui entrevistado sobre a cidade do Recife, no então Fiteiro Cultural, destinado ao curso de jornalismo da Unicap (Universidade Católica). Até hoje desconfio que foi uma trama encabeçada por algum professor, pois um dos entrevistados evita falar na dita entrevista…


* Escritor, poeta e teatrólogo


Strip-tease - Eduardo Oliveira Freire


Strip-tease


* Por Eduardo Oliveira Freire


Lá vou eu escrevendo, errando e consertando. Neste processo, faço um strip-tease, pois, exponho minhas fragilidades e deficiências.

No início, era dolorido, entretanto, com o tempo percebi que quanto mais me desnudo, vou encontrando minha individualidade que é formada por várias camadas.

Que venham a vergonha, os fracassos, as rasuras ou cicatrizes. Como dizem, "o que não mata, fortalece. ".

Cairei várias vezes e me levantarei de cabeça erguida. Andarei com minha essência nua ferida, mas com voracidade de encontrar um meio de extravasar a imaginação, sentimentos e sensações que me assombram.


* Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a escritor





Nassau - César Leal


Nassau

* Por César Leal

Cheguei a Pernambuco, eu era  um príncipe,
nobre alemão — sem ódio nem temores —
trouxe comigo a arte dos flamengos,
junto ao canhão: cinzel, pincel, pintores...

Fiz do Recife uma cidade eterna
com tantas pontes dei beleza ao rio
para os da terra eu fui duro na guerra
e lhes mostrei de minha espada o fio

De volta à Europa, já no mar de longo,
lembrei os canaviais  — outros o tomem!
Na Alemanha escrevi meu epitáfio:
A morte é a última vaidade do Homem”.


* Jornalista e poeta.

Eu e a Lua - Cássio Ubirajara


Eu e a Lua

* Por Cássio Ubirajara

Esse Teu olhar meigo e curioso
Teu gosto me faz morder
Tua pele é repleta de energia
Tua luz me guia

Como o tolo da colina
Disperso em teu olhar
Nosso cheiro no ninho
Nosso calor, teu carinho

Não bastasse a alegria de te encontrar
Devaneio possibilidades pra não te perder
Ali só... eu e o céu
Eu e a Lua
No cantinho do jardim
Eu e a Lua
Conspirando nosso amor
Eu e a Lua

Lembro-me de nosso suor
Transpiração que encharca meu corpo
Fluídos de energia que iluminam meus pensamentos

Entraste na minha vida sem pedir licença
Devagarinho com muito carinho estás acomodada em meio peito
Como algo que eu não conhecera
Velo teu sono com candura
Como se fossemos um
Nus nos atraímos
Como a Terra atraí a Lua
Me perdi e te encontrei.


* Poeta em Itajaí/SC.