sábado, 21 de novembro de 2009


Leia nesta edição:

Editorial – Perspectiva aterrorizante..

Coluna Direto do Arquivo – José Paulo Lanyi, crônica “O Nick não é veado”.

Coluna Porta Aberta – Mara Narciso, crônica, “Cordial. Pois sim!”

Coluna Porta Aberta – Fabiana Bórgia, poema, “Overdose”

Coluna Porta Aberta – José Luiz Grando, poema, “Descoberta”

Coluna Clássicos – João Cabral de Mello Neto, poema “Ademir da Guia”.

Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Perspectiva aterrorizante

C
aríssimos leitores, boa tarde.
Se o tema referente aos riscos para o Planeta advindos da depredação do meio ambiente não é explorado como e quanto deveria pelos escritores mundo afora, o mesmo não se pode dizer sobre o perigo nuclear. Há uma profusão de ótimos livros a respeito, tanto de ficção quanto de não-ficção e, portanto, quem não está bem informado a propósito não pode culpar a falta de informações mas a própria ausência de vontade de se informar. Não mencionarei nenhum, especificamente, porque isso se tornaria até redundante.
Em 16 de julho de 1945, às 5 horas, 29 minutos e 45 segundos da manhã, uma bola de fogo gigantesca iluminou os céus de Trinity, localidade desértica do Novo México, erguendo para o espaço um cogumelo de milhares de metros de altura. Os seres humanos, naquele instante fatídico, acabavam de abrir autêntica “Caixa de Pandora”, aquele recipiente que na mitologia antiga guardava, em seu interior, todos os bens e todos os males da Terra. Só que neste caso, havia, somente, malefícios. Em 16 de julho de 1945 era testada, com sucesso, a primeira bomba atômica.
De então a esta parte, muita água rolou por baixo da ponte. Duas cidades foram destruídas em segundos com o uso dessas armas, na maior carnificina já registrada na história contra populações civis. O mundo já esteve “n” vezes na iminência da destruição total, sendo a mais conhecida a do caso dos mísseis soviéticos em Cuba. Há quem jure que naquela oportunidade escapamos da destruição total por míseros dois minutos de reflexão dos presidentes John Kennedy e Nikita Kruschev. A maioria das pessoas, todavia, sequer se deu conta disso.
E hoje, as coisas estão melhores? Absolutamente não! Estão muitíssimo piores e a imprensa silencia a respeito. Por que? Mistério. A possibilidade de uma bomba atômica cair em mãos de grupos terroristas, por exemplo, que não faz muito era considerada remota e até mesmo impossível, hoje em dia é cada vez mais provável. E a causa disso é muito simples. É a proliferação de armamentos nucleares, ou da tecnologia apropriada para a sua fabricação, em países instáveis, localizados no explosivo e problemático Terceiro Mundo.
Quando existia a União Soviética, embora as tensões ideológicas fossem ameaças permanentes à sobrevivência humana, pelo menos era possível de se saber em que mãos estavam as milhares de ogivas, de ambos os lados. Com o fim do império comunista, não se tem mais certeza de nada. Quem herdou o arsenal nuclear da antiga superpotência euro-asiática? Foi a Rússia? As armas foram divididas em outras Repúblicas, onde estavam baseadas? Em caso afirmativo, o responsável (ou responsáveis) por sua guarda merece (ou merecem) confiança?
A verdade é que o que restou da URSS virou, hoje em dia, autêntico “supermercado” de armas nucleares. Quem chegar a uma dessas Repúblicas com dinheiro vivo na mão, leva. E não pensem que terroristas que eventualmente adquirirem esses artefatos não os utilizarão.
Vocês acham, por exemplo, que pessoas do tipo das que amarram bombas ao próprio corpo para praticarem atentados terroristas relutariam em explodir uma arma nuclear? Claro que não! Tipos como os que seqüestram aviões repletos de passageiros e os lançam contra prédios da cidade mais populosa do mundo pensariam duas vezes para explodir o mundo? Não, não e não.
Portanto, a despeito do silêncio omisso e comprometedor da imprensa a esse propósito, os riscos de ataques nucleares, mesmo que limitados, hoje em dia, são muitíssimos maiores do que no período que ficou conhecido como o de “guerra fria”.
Ademais, mesmo a energia nuclear utilizada para fins pacíficos, tida e havida como inesgotável manancial de progresso e de poder para quem a detém, para a geração de eletricidade, apresenta uma série de problemas de difícil solução, o que parece estar sendo desprezado, em vez de resolvido.
O da destinação dos dejetos não é, entre eles, o de menores proporções. Os diversos países que utilizam, intensivamente, essa fonte energética, como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha, a China e a Rússia, entre outros, não sabem o que fazer com esse lixo tão peculiar.
A maioria costuma guardar os resíduos em minas de sal abandonadas. Há quem os coloque em cavernas, que são, posteriormente, hermeticamente lacradas para impedir a radiação. Alguns, ainda, colocam o plutônio, o cobalto, o amerício e sabe-se mais o quê, resultante das diversas reações nucleares, em tambores de chumbo, vedados com grossas camadas de concreto, que são jogados no fundo dos oceanos.
A grande dificuldade apresentada por esses dejetos, todavia, é o período de sua atividade e, portanto, periculosidade. Alguns têm sobrevida ativa de 500 anos, ou seja, meio milênio. E à medida que os reatores atômicos para a geração de eletricidade aumentam no mundo (na França, a energia gerada por usinas desse tipo já representa 63% do total), mais lixo é produzido. E maior fica sendo o problema do que fazer com ele.
A eliminação, pura e simples, como se faz com outros produtos inúteis, é impossível. Ademais, o número de minas de sal abandonadas, ou de cavernas subterrâneas inacessíveis, não é tão grande a ponto de poder comportar uma acumulação indefinida dos resíduos.
Eis, portanto, a verdadeira “Caixa de Pandora”, aberta pelos homens na primeira metade do século passado, que tem causado mais problemas do que vantagens para a humanidade (além daqueles fartamente conhecidos, representados pelas armas nucleares).
É necessário, pois, que se dê atenção aos escritores, que se debruçam com afinco e assiduidade sobre este tema que, por mais que seja explorado, sempre apresenta novos ângulos a explorar, já que a imprensa faz de conta que o perigo sequer existe, quanto mais que é iminente, como de fato é.

Boa leitura.

O Editor.



O Nick não é veado

* Por José Paulo Lanyi


O Nick é o meu cachorro. Um poodle. E não me venha com essa história de que poodle é viado. Poodle é poodle. Um cão. Viado é gente (vem de transviado, sabia?). E veado (com “e”) é o nome dado aos ungulados da família dos cervídeos, a única, entre os artiodátilos ruminantes, que tem espécies sul-americanas; são animais muito velozes e tímidos, de carne muito apreciada.

Note, o Michaelis sabe o que é um veado.

Mais adiante vejo outra definição, que tem familiaridade (intimidade é melhor) com aquela outra, com a letra “i”: “2 ch Pederasta passivo; vinte-e-quatro”.

Pederasta é como os militares qualificam os homossexuais da tropa. Exemplo das forças armadas gregas (traduzido para o português): “O major Ariotéclato foi flagrado em ação libidinosa com o cabo Teocrástino. Os dois pederastas serão expulsos do Exército!”.

Agora... Vinte-e-quatro? Termo pejorativo, sem dúvida... Em toda a minha vida, não me lembro de ter chamado, nem de ter sido chamado de vinte-e-quatro...

Exemplos desse evidente preconceito:

No trânsito:
- Olha aqui, seu vinte-e-quatro, você me fechou, vou te dar uma bifa!

Na casa noturna:
- Ei, bêbado, vinte-e-quatro de merda! Vaza rápido ou lhe quebro a cara! (segurança ilustrado, hã... “lhe quebro...”)

Na fila do açougue:
- Tá de olho na minha mulher? Vai morrer, seu vinte-e-quatro!

O Nick é o meu cachorro. Um poodle. Mas daqueles poodles tosados “por igual”, como a gente diz no pet shop. Nada daqueles adereços de madame, aquelas pulseiras e polainas de pêlos frescos. Eu e o Nick não somos homofóbicos. Temos amigos gays. Mas a César o que é de César...

Deixa pra lá, Júlio César não é o melhor exemplo...

Finalmente o Nick passou um fim de semana comigo, depois de um ano e meio da separação. Minha e da minha ex. Deixei o cachorro com ela. Fiquei com saudade dele.

Na época, tive que dividir as despesas com um amigo meu. Não podia levar o Nick... O Nick é o que eu chamaria de... temperamental. Agora moro sozinho. Ele pode barbarizar.

Listo aqui algumas das suas idiossincrasias:

1- Exige atenção integral e absoluta:

É um Kaká (poodle, lembra...) das quatro patas. Traz a bolinha, abre a boca e empurra o brinquedo para os nossos pés. Implora, sem trégua, um bate-bola. Você joga, ele pega e traz. Mais ou menos 23 mil vezes ao dia. O Nick é um jogador de futebol. De raça. Amor à camiseta que usa, tosado, em tempos de frio. Um dia, perguntei-lhe, como a testá-lo: - Nick, você é um são-paulino?

Ele me mordeu, revoltado, pegou a minha camisa do Vasco e sacudiu-a com as mandíbulas que compunham a sua cara de cafajeste. Não foi difícil entender o que quis dizer.

2- Sabe reivindicar os seus direitos:
Se não for satisfeito em suas ambições, começa a resmungar... Você responde com um:
- Dá um tempo, Nick...
Ele insiste.
Você também: - Nick, não me encha o saco!
Ele reitera.
Você: - Cai fora! Se manda!
Ele sai... Olhar torto, corpo enviezado. Segundos depois (o suficiente para a urinada na porta, no tapete, em cima da cama...) ele vai se proteger da tormenta que se aproxima, entrincheirado em sua casinha.

3- Gosta de maçã:

Nunca tinha visto isso. Um cachorro que gosta de maçã... E do que mais vier. Um autêntico limpa-trilho. Comemos comida japonesa no domingo. Dei-lhe atum e fiquei com medo da sua reação... digestiva.

Antes, ele olhou, deu uma cheirada no peixe, recuou, olhou para mim (“Tá me tirando?”- cheguei a ouvir...), cheirou de novo, deu um passo atrás...

Eu: - Come, filho, manda ver que eu garanto!

Deu uma volta na sala, distraiu-se com um não-sei-o-quê, voltou, cheirou o atum, ensaiou, mordiscou, cheiro, mordeu, comeu tudo. Exultei quando devorou o segundo pedaço, pouco depois. O Nick é um aventureiro...

Você deve se perguntar por que abri este texto com uma assertiva tão.... polêmica. Respondo: Meus amigos são uns engraçadinhos. Basta eu dizer que tenho um cachorro, que faz tempo que não o vejo, que...

Basta saber ou lembrar a raça para delinearem o sorrisinho... - Hummm.... Poodle, é...?

Ciumeira (o Fernando Mariz Masagão e a Mariella Augusta, colunistas deste espaço, são dados a isso) ... O Nick é o melhor amigo do homem. O meu melhor amigo, portanto.

Aquele que poderá me acompanhar na sarjeta, um dia. Se for preciso, ele virá... Desde que tenha uma bolinha para jogar.

Os outros não passam de seres humanos, esses que não o acompanham na sarjeta (salvo quando estão bêbados nas noites de sábado), nem jogam bolinha embaixo do viaduto...

Nick, este é só o início, meu velho! Mostre a pata para eles!


* Jornalista, escritor e dramaturgo, autor do romance "Calixto-Azar de Quem Votou em Mim", do romance cênico (gênero que criou) "Deus me Disse que não Existe", da peça "Quando Dorme o Vilarejo" (Prêmio Vladimir Herzog) e da coletânea "Teatro de José Paulo Lanyi e Outros Loucos", todos da editora O Artífice. Compõe música clássica com o paulistano Flávio Villar Fernandes.




Cordial. Pois sim!

* Por Mara Narciso

“O pior cego é aquele que não quer ver”.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE - tem dificuldade em quantificar as pessoas negras, mulatas e pardas da população brasileira. Há uma gama de denominações de tonalidades de pele digna de um mostruário de tintas, ou de uma paleta de pintor. Nos tempos antigos os escritores se referiam ao fruto da miscigenação com nomes como “morena cor-de-jambo”, e então aconteceram os nomes que vão do moreno claro, passando pelo médio, escuro, chocolate, até a cor de café. Para simplificar, os técnicos do IBGE criaram apenas três cores nessa variedade interminável de tonalidades: negro, mulato e pardo. No Brasil, metade das pessoas é da cor de uma dessas denominações.

Instados a dizer, olhando para a sua pele, de que cor eles são, boa parcela dos mestiços negam a sua cor, e se espantam quando Camila Pitanga, morena, pelas denominações antigas, e filha de negro, se diz negra. Acham que é média que ela está querendo fazer. Afirmam que Camila é até clara, e que os cabelos dela são lisos. (outra obsessão brasileira, daí o sucesso retumbante da chapinha). Por que isso acontece? Os pardos não se sentem bem sendo e se denominando como tal. A palavra tornou-se pejorativa. Assim, as estatísticas não conseguem ser confiáveis.

Uma pessoa, que se dizia branca, e é exatamente da minha cor, espantou-se quando me viu pela primeira vez: “mas você não é parda!”. É que a internet faz acontecerem encontros de trás para frente, onde se salta diversas etapas. E ficam essas coisas assim, inexplicáveis.

E ainda há quem diga que no Brasil tudo é pacífico em termos de raça. Tem muitas portas fechadas para quem tem pele escura. Tais Araújo, negra, que finge ser branca na novela, mesmo assumindo os cabelos anelados, é vista com espanto. A personagem Helena é uma espécie de negra/branca, uma mutante ainda não plenamente inserida no contexto.

Gente, não sejamos hipócritas! A polêmica sobre ter ou não ter o “Dia da Consciência Negra” é prova disso, é confirmação inconteste de que precisamos sim, desse dia e de muitos outros dias da consciência negra e de muitas outras consciências. Polemizar sobre ser feriado ou não é outra história, mas diante dos fatos, é urgente, num mundo civilizado, disseminarmos a convicção da igualdade, e da tolerância. As pessoas ainda não se acostumaram com o que diz a Constituição, e ainda acham um absurdo ser crime chamar o outro de “negão”, de “crioulo”. É natural insultar, e por isso protestam quando não podem fazê-lo, sem sentir os rigores da lei.

Diante dessa interrupção da semana, em plena sexta-feira, quase todos ouvimos preconceitos raciais de todos os matizes, de quantos tons de pele temos por aqui: “Dia do negro? Mas não tem o dia do branco!” “Cotas para negros? Houve uma inversão. Agora os negros são melhores do que os outros”. “Ninguém mais pode chamar negro de negro, tem de chamar de que cor?”

Esses protestos indicam que o dia é duplamente necessário. É preciso que os de cor “morena” aceitem os seus ancestrais negros, e, os reverenciem. Para haver esse respeito, sim, que ocorrerá bem depois da conscientização, é necessário que a auto-estima brote e floresça. Não é ser melhor ou pior, é ser gente, é acreditar em si, e em sua capacidade, é não camuflar a sua cor, omitindo sua origem porque há preconceito dos outros. É não aceitar brincadeiras “inocentes”, referentes a cor da pele, indicadas pela hora da noite, para dimensionar a quantidade de “negror” que existe naquela pessoa.

A existência de um herói nacional negro, alguém de coragem e com brilho, em que os negros possam se espelhar é uma necessidade. Então Zumbi dos Palmares está aí para a nossa admiração. Não foi alguém “inventado”. Não tem rosto e nem dados biográficos precisos, mas Tiradentes também não tem. O nosso Alferes José da Silva Xavier foi um criminoso que a Corte Portuguesa não só enforcou, mas também esquartejou, salgou e espalhou por Vila Rica. Hoje todos o reverenciam, pela audácia de desafiar Portugal. Ensinando hoje, em alguns anos será natural para as crianças admirarem Zumbi dos Palmares. Sim, nós também precisamos de heróis.

Os negros estão na ordem do dia, estão brilhando do tanto das suas capacidades individuais, e as políticas públicas que buscam jogar luz na cor da pele pode ser vista por alguns como uma oficialização do preconceito, ou ainda, edificação de um muro para que no futuro se diga: “você chegou aqui por capacidade, ou porque a sua pele é negra?”. Sim, sei que essas argumentações estão circulando, mas a oportunidade igual para todos é a meta, e em seu rastro acontecerá a naturalidade em ser negro, mulato ou pardo, sem precisar esconder-se sobre um manto de fumaça chamada “moreno”.

Seremos uma Nação, nada mais.

* Médica endocrinologista, parda, acadêmica do sétimo período de Jornalismo, e autora do livro “Segurando a Hiperatividade” - 20 de novembro de 2009

Overdose

* Por Fabiana Bórgia

Overdose
Overdose
Overdose

Meu coração salta para fora da boca
Metáfora
Maldição

Acelerada
Pirada
Pancada

Overdose
Dose
De uísque

Overdose
Over...
Pupilas dilatadas

Overdose
Metamorfose
Não é mais um homem
Parasita

Conspiração
Ritmo
Descompassado
Morte súbita.

* Poetisa e advogada, fazendo especialização em Leitura e Produção Textual, autora do livro “Traços de Personalidade”


Descoberta

* Por José Luiz Grando

Descobrir devaneios em sorrisos é o mesmo...
...que colheres perfumadas flores do jardim da vida!
Em cada recanto, se esconde o mais intenso
Florescer, nos torna uma só alma, uma só ilusão
Nos empolga a sempre querer e procurar...
...mais pelo verdadeiro sentido da vida.
Acolher
Cuidar
Amar tudo é pela eterna jornada...
...em busca da verdade.
Até mesmo no mais fúnebre,
Escuro se reconhece uma alma pura, sente-se no ar onde se
Encontra a verdadeira busca.

* Poeta em Itajaí/SC



Ademir da Guia

Por João Cabral de Mello Neto

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.

(Livro "Museu de Tudo").