quinta-feira, 27 de julho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, três meses e trinta dias de criação.


Leia nesta edição:


Editorial – Inserção na realidade

Coluna Ladeira de Memória – Pedro J. Bondaczuk, poema, “O mestre da vida”.

Coluna Contradições e paradoxos – Marcelo Sguassábia, crônica humorística,Aloneland”.

Coluna Do fantástico ao trivial – Gustavo do Carmo, crônica, “A maldição do suco de laranja (ou será da mola?).

Coluna Porta Aberta – Clarisse da Costa, crônica, “Aos pés de Cruz e Sousa”.

Coluna Porta Aberta – Alberto Cohen, poema, “Riozinho”.


@@@


Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.


Inserção na realidade


Os que apregoam que são ferrenhamente “realistas” (e há uma infinidade de pessoas que faz isso) na maioria das vezes sequer sabem definir o que seja “realidade” e muito menos fazer distinção entre esta e meros sonhos e idealizações. Ou, o que é mais comum, não distinguem o verdadeiro, o concreto, o palpável de meras “interpretações”, sujeitas, portanto, a equívocos.

Esse pretenso realismo não passa, geralmente, de mera máscara para disfarçar o pessimismo com que esses indivíduos encaram a vida. E o pessimista, mesmo que não se dê conta, é um doente. Enquadra tudo (e todos) num prisma sempre negativo. Sofre sem necessidade e parece se comprazer com o sofrimento. Há muita gente assim, que sente prazer em sofrer, embora o negue da maneira mais enfática possível. Vá entender essas pessoas!

O que é o real? O nascimento? A morte? As pessoas e as coisas que nos cercam? Você tem certeza, mas certeza mesmo, de que tudo isso é real e não mero sonho, delirante fantasia, verossímil elucubração da mente de um poeta? Ou de um louco? Às vezes, tenho essa impressão. Ademais, não tenho certeza de nada. Nem mesmo a de estar vivo.

T. S. Eliot, em um de seus versos mais notáveis, constatou, com elegância e precisão, que “o gênero humano não suporta a realidade”. E não suporta mesmo! Daí viver criando fantasias de todos os tipos, quer para os outros, quer e, principalmente, para si próprio.

Somos o que mentalizamos. Se nos virmos como fracos, como tíbios, como doentios, nos transformaremos nesse estereótipo que criarmos. Mas o contrário também é verdade. O que cada um de nós tem que fazer é se impor. É provar, se preciso, que o mundo inteiro está errado sobre a imagem que faz de nós. É não nos deixarmos abater diante de opiniões e atitudes alheias. É inserir a nossa vontade no âmago da realidade.

Mas essa demonstração de força não se pode fazer apenas com palavras. Exige ação, muita ação, mesmo que o corpo teime em pedir repouso (o que, invariavelmente, faz). Requer energia, física, mental e, sobretudo espiritual, tirada não se sabe de onde.

Henri Bergson escreveu, em um de seus ensaios, que “cada um dos nossos atos visa uma certa inserção da nossa vontade na realidade”. Raramente conseguimos isso. Fracassamos nessa tentativa por “n” razões. Às vezes, por exemplo, esse fracasso ocorre porque a realidade se apresenta com obstáculos muito além das nossas forças para superá-los. Outras tantas, porque não somos voluntariosos o suficiente para mudar o que pode ser mudado e nos deixamos, docilmente, abater pelas circunstâncias.

Por exemplo, seria o homem capaz de compreender a relação profundíssima que tem com a Terra e mudar, em curto espaço de tempo, seu comportamento infeliz, destrutivo e absurdo, evitando (se ainda for evitável) uma catástrofe de conseqüências imprevisíveis? Em teoria, sim. Mas essa compreensão, e a conseqüente ação, dependem de força de vontade.

Para que essa mudança seja possível, é necessário, acima de tudo, educar os jovens, incutindo neles a mentalidade preservacionista. Mas não como modismo, ou bandeira "ideológica", mas como ação concreta e eficaz. Um processo como esse, porém, não se faz da noite para o dia. Demanda tempo, muito tempo. Pode durar gerações e estar sujeito a avanços e recuos. É algo demorado e que já deveria estar em andamento. Não está. A dúvida é: haverá tempo para essa conscientização? Tudo indica que não! O efeito estufa está aí para nos servir de alerta.

Ainda é possível reverter os sintomas de desgaste, de envelhecimento de "Gaia", que podem evoluir rapidamente para uma "doença" de caráter irreversível, que a leve em pouco tempo ao colapso e à morte? Sim! O ser humano pode qualquer coisa, desde que tenha vontade. Tê-la, no entanto, e da forma e no momento adequados, é que são elas.

Não seria possível produzir mais, sem poluir? Não há uma maneira racional de se explorar o que a natureza nos legou sem destruir? Claro que há! Os recursos terrestres não são como a mitológica "cornucópia da abundância", ou seja, inesgotáveis. Mas são raros os que atentam para essa realidade. E se nem ao menos lhe prestamos atenção, como poderemos inserir nossa vontade nela (se a tivermos, logicamente)? Não poderemos.

O que é realidade para mim, pode não o ser para bilhões de pessoas ao redor do mundo. Elas não vivem a mesma circunstância que vivo e sequer tomam ciência do que para mim é tão importante (e, às vezes, decisivo). A não ser que ocorra uma catástrofe planetária, como o choque de um cometa ou de um asteróide com a Terra (o que não é nada descartável), minha “realidade” é limitada ao espaço em que estou.

Não proponho, claro, que optemos por nos alienar e esconder a cabeça na areia, deixando o corpo de fora, achando que assim estaremos nos livrando dos perigos. Esta seria a pior das “soluções”. Afinal, a depredação do Planeta é, em grande parte, devida à nossa alienação. Sugiro, isto sim, vislumbrar a realidade em sua inteireza e integralidade. Ou seja,: no direito e no avesso. E inserir, nela, a nossa vontade. Caso ela nos seja penosa e ameaçadora, mudá-la. E se for benéfica e prazerosa, conservá-la e, se possível, perpetuá-la. Isto é o óbvio, porém…

Boa leitura!

O Editor.



Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
O mestre da vida


* Por Pedro J. Bondaczuk


O tempo é mestre, inflexível, diligente,
que cria, mas depois destrói, ilusões,
ensina, peremptória e severamente
conduta e toda a sorte de lições.

Grava, a ferro e fogo, seus ensinamentos,
tanto a má conduta, quanto a meritória
(ora com alegrias, ora tormentos)
em nossa carne, gestos, olhos, memória.

Enfatiza a importância do agora,
distingue o supérfluo do profundo,
nos induz a valorizar cada hora
e cada tic-tac de um mísero segundo.

Pouco importam as alegrias passadas,
perdidas em algum instante ou lugar,
e nem as frustrações não equacionadas
e sequer as chances perdidas de amar.

São passado, como páginas já lidas,
folhas escritas de um caderno de rascunho
são emoções já sentidas, exauridas,
bilhetes não enviados de próprio punho.

E sequer importa a aurora do amanhã,
por mais que se planeje ou que se trabalhe,
o futuro desperta esperança vã
pois é embrião de um tempo sem detalhe.

Tão só o presente
é vivo, dinâmico,
(é força atuante)
ativo, mecânico.

Tão só o presente
é vivo, real,
é força atuante
pro bem ou pro mal.

Pois o mestre tempo,
que a todos limita
e traça um destino,
na mente, na carne,
na minha atitude,
nos gestos, nos olhos
e nas emoções
ensina, inflexível,
valiosas lições!


(Poema composto em Campinas, em 9 de novembro de 1974).


* Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas), “Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53, página 54. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk



Aloneland


* Por Marcelo Sguassábia


É pouco provável que consigamos deter o processo de desertificação de Aloneland. Não a geográfica, mas a desertificação humana mesmo.

Devagarinho vamos tendo a nítida confirmação de que há, em nosso povo, uma espécie de predestinação ao não-acasalamento. O que não significa um comportamento assexuado, mas um conformismo em lidar com a libido sem a necessidade de outrem.

A estonteante oferta de pornografia na internet, para grande parte das pessoas, é um convite irrecusável à autossuficiência. Com tantas e cada vez mais realistas variações de bem-bom virtual, para quê complicações de relacionamento, DRs até tarde da noite, novas responsabilidades e contas a pagar, papel passado em cartório, sogras, cunhados e congêneres?

É nessa conveniência que está o maior perigo. Um casal precisa ter dois filhos para que a população permaneça basicamente a mesma. Isso é aritmético e incontestável. Se entretanto, esse suposto casal gere apenas uma criança, bastará uma única geração para que o número de habitantes do país caia pela metade. Caso o casal em questão opte por não deixar descendentes, onde haviam duas pessoas por domicílio passará a haver nenhuma, a partir do óbito dos cônjuges.

A prosseguir, no ritmo em que se observa hoje, a opção pelo celibato e a indiferença à conjunção carnal, estima-se que em no máximo 60 anos não restará um único alonelandino sobre o nosso território.

Ciente da ameaça, o governo já implementa ações preventivas para evitar o pior.

Primeira medida: toda as formas de acesso à internet em Aloneland serão interrompidas às 19 horas, nos sete dias da semana.

Segunda: a iluminação pública será cortada e o policiamento afastado em lugares ermos e propícios à intimidade.

Os clubes e demais locais licenciados para a prática de nudismo receberão incentivos fiscais dos municípios, além de autorização especial para que possam funcionar 24 horas durante todo o ano – inclusive no inverno, recebendo empréstimos estatais subsidiados para a compra de aquecedores.

Outros expedientes emergenciais já estão em curso, sem o conhecimento da população e com o aval dos mais altos escalões governamentais. São procedimentos eticamente reprováveis, mas de alta eficácia para combater a míngua obstétrica que vivenciamos. Dentre eles, o que vem apresentando resultados mais significativos é a sabotagem nas fábricas de preservativos, com a incisão proposital de microfuros nos produtos. Já as pílulas anticoncepcionais de farinha e açúcar, fabricadas até recentemente com o conluio e o apoio logístico da nossa indústria farmacêutica, teve sua produção descontinuada devido ao vazamento da prática para a imprensa local e internacional.

Uma alternativa em estudo consiste na abertura de fronteiras para imigrantes de países com o problema oposto ao nosso, ou seja, de alta densidade demográfica e crescimento populacional em progressão geométrica. A ideia é que esse contingente, trazendo consigo um histórico de maior assiduidade sexual, procrie com os nativos e colabore para minorar o déficit de nascimentos.

* Marcelo Sguassábia é redator publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com (Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com (portfólio).



A maldição do suco de laranja (ou será da mola?)


* Por Gustavo do Carmo


Domingo, 25 de junho de 2017. Grande Prêmio do Azerbaijão de Fórmula 1. Circuito de rua da capital Baku. Felipe Massa, da Williams (equipe que deu o tricampeonato a Nelson Piquet há exatamente 30 anos e pela qual morreu Ayrton Senna em 1994), que largara em nono lugar, pula para o sexto logo nas primeiras curvas.

Após algumas voltas, numa relargada voltando de bandeira amarela, Massa ultrapassa o francês Esteban Ocon, da Force India, e assume o quarto lugar. Na frente, Lewis Hamilton e Sebastien Vettel se envolveram em uma batida que poderia custar punição aos dois. Na nova relargada após o carro de segurança, Massa chega a ultrapassar Vettel pelo segundo lugar, mas o alemão logo recupera a posição e o brasileiro cai para terceiro. Se Vettel e Hamilton fossem punidos pelo acidente e a troca de insultos gestuais, Massa poderia assumir a liderança e vencer a prova.

Eis que a corrida é suspensa com bandeira vermelha por causa do excesso de detritos na pista perigosa após um acidente entre os carros da Force India, de Ocon e do mexicano Sérgio Perez. Assim, todos tiveram que voltar para os boxes, sair dos carros e esfriar a corrida. Na relargada, meia hora depois, Massa já perdeu duas posições. E logo em seguida, abandona com problemas no carro. Terminava assim mais um domingo frustrante para o Brasil na Fórmula 1, cada vez mais abandonada pelo torcedor e pela própria Rede Globo, que a transmite.

Desde 2009 o Brasil não vence e nem disputa um título de Fórmula 1. Não com o mesmo Felipe Massa, então na Ferrari. Mas com Rubens Barrichello, ex-piloto da equipe italiana, que sofreu com o protecionismo da mesma ao companheiro alemão Michael Schumacher, a ponto de ser obrigado a ceder uma vitória para ele no GP da Áustria de 2002.

Em 2008, Rubinho (outra mania que a mídia precisa parar: chamar piloto brasileiro por diminutivo), que já tinha saído da Ferrari três anos antes, sofreu com a Honda, que não marcou nenhum ponto.

Naquele ano foi Felipe Massa quem mais teve chances de título. Era o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, SP. Por uma posição de Lewis Hamilton, perdeu o título da temporada, que foi para o primeiro negro a ser campeão na categoria mais elitista do mundo (embora a família de Hamilton já fosse rica). Se Massa ganhasse seria o primeiro brasileiro campeão de Fórmula 1 desde 1991, com Ayrton Senna. Quebraria um jejum de dezessete anos.

No ano seguinte, Barrichello já estava quase desempregado - como Massa este ano – quando a massa falida da equipe japonesa foi comprada por Ross Brawn, antigo projetista da Ferrrari, que transformou o patinho feio num cisne vencedor. Barrichello e Jenson Button foram mantidos na nova equipe Brawn GP (hoje a Mercedes, de Hamilton, campeão de 2008). E quem brilhou... foi o outro inglês, que acabou sendo o campeão. Mas Barrichello, até o GP do Brasil, antepenúltima prova, ainda tinha chances de título.

Naquele mesmo 2009, no GP da Hungria, circuito de Hungaroring, Budapeste, Massa levou uma mola em cheio na cabeça (atravessou o capacete) que se soltou do carro de quem? Da Brawn de Rubinho. A então promessa de títulos brasileiros da Fórmula 1 correu risco de morte. Ficou de fora do resto da temporada. Só voltou no ano seguinte. Já como companheiro de equipe de Fernando Alonso.

Aí sim, o Brasil nunca mais venceu, muito menos disputou um título de temporada. Massa ainda teve que ouvir o seu engenheiro na Ferrari dizer, pelo rádio, no GP da Alemanha 2010, que Alonso estava mais rápido do que ele na Alemanha e por isso deveria deixá-lo passar para o primeiro lugar.  

Na verdade, o bom momento de Felipe Massa foi apenas um hiato de uma maldição contra o automobilismo brasileiro que começou em outra categoria, na Fórmula Indy, mas que teve mais efeito na Fórmula 1.

Em 1993, Emerson Fittipaldi, primeiro brasileiro campeão e bicampeão de Fórmula 1, em 1972 (Lotus) e 1974 (McLaren), correndo pela equipe Penske, conquistava pela segunda vez, as 500 Milhas de Indianápolis, prova mais tradicional do automobilismo norte-americano e mundial.

Na sua primeira vitória, em 1989, bebeu o leite fornecido por produtores locais a todos os vencedores da prova. Respeitou uma tradição de quase 60 anos na época. Mas, quatro anos depois, Emerson recusou o leite, preferindo beber suco de laranja, extraído de sua própria fazenda em Araraquara (SP).

Não estou culpando o Emerson. Ele tinha todo o direito de promover o seu produto de exportação nacional. Só que, coincidência ou não, como uma praga rogada pelos norte-americanos naquele mesmo ano, ele não ganhou a temporada. 

Na Fórmula 1, Senna, que até tinha chances de conquistar o tetracampeonato, acabou derrotado pela Williams-Renault (mesma equipe de Felipe Massa hoje) de Alain Prost, que realmente era muito mais forte que a já combalida McLaren, que corria com um motor Ford Cosworth, comprado usado da Benetton.

Desde então, o Brasil nunca mais foi campeão na Fórmula 1. Só disputou o título uma vez e meia. Senna morreu em 1994, após uma batida forte na curva Tamburello em Ímola, San Marino, e o nosso país só viria a ter um piloto numa equipe forte em 2000, com Barrichello na Ferrari. Mas ele era um simples escudeiro. Já Massa nos iludiu com uma carreira promissora em 2006 e 2007. Quase foi campeão em 2008, mas levou a mola na cabeça no ano seguinte e incorporou a submissão do Rubinho. Ambos fizeram a alegria dos seus companheiros de equipe. Será que a mola renovou a maldição?

Barrichello, quando saiu da Ferrari, foi para Brawn e virou coadjuvante do Button. Depois da Williams, viu o companheiro Niko Hülkenberg ser pole num GP do Brasil. Antes mesmo da Ferrari, no GP da Europa de 1999, em Nürburgring, Alemanha, já tinha visto seu companheiro Johnny Herbert conquistar a única vitória da sua então equipe Stewart (depois Jaguar e hoje Red Bull). Já Massa virou escudeiro do Raikkonen e do Fernando Alonso. Foi para a Williams para ser ofuscado pelo companheiro finlandês Valtteri Bottas, que foi para uma equipe grande, a Mercedes. E essa mudança garantiu Massa na Fórmula 1 este ano, continuando na hoje fraca Williams. Sobrinhos e filho de brasileiros campeões também não vingaram. Christian Fittipaldi, Nelsinho Piquet e Bruno Senna.  

O Rio de Janeiro também perdeu o seu autódromo de Jacarepaguá para o parque olímpico e nada de ser construído outro em Deodoro, como prometeram. E mesmo o próprio Emerson foi à falência. A fazenda do “maldito” suco foi até vendida.

Tudo bem que na Fórmula Indy o Brasil voltou a ter bons momentos. Tony Kanaan foi campeão em 2004. Ele também venceu as 500 Milhas em 2013. Gil de Ferran em 2003. E Hélio Castro Neves conquistou três vezes (2001, 2002 e 2009). Mas também houve maldição. Hélio chegou a ser preso por sonegação de impostos (felizmente foi absolvido) e Cristiano da Matta teve que abandonar a carreira após um acidente com um cervo que também quase lhe custou a vida. A Fórmula Indy nem desperta mais tanto interesse por aqui. Assim como a Fórmula E, com carros elétricos, na qual Nelsinho venceu uma das duas temporadas disputadas até agora.  

Ah! A corrida de Baku foi vencida pelo australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull (que já dominou a Fórmula 1 por quatro anos e hoje também está decadente), com o ex-companheiro de Massa na Williams, Valtteri Bottas, em segundo e atual, o jovem canadense Lance Stroll (filho de patrocinador) chegou em terceiro. Se o carro não tivesse quebrado, dava para o Massa vencer no Azerbaijão.

Emerson Fittipaldi não bebeu o leite da vitória em 1993 ao preferir o seu suco de laranja, mas, quase 25 anos depois, eles ainda dão muita azia e azar para o automobilismo brasileiro. Ou será a mola de 2009 do Rubinho Barrichello?


* Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos”.
Bookess - http://www.bookess.com/read/4103-indecisos-entre-outros-contos/ e


PerSe -http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1383616386310
Aos pés de Cruz e Sousa


* Por Clarisse da Costa


São páginas ainda em branco, nada amareladas pelo tempo. Mas são versos antigos em traços e passos doídos. Capa versada com sua letra, cor esverdeada e uma rachadura, marcas de quem abriu o livro. De quem foi além da capa. Um luso poeta em sua agonia.

Um negro marcado. Em seus traços celestes regiões distantes uma quimera de almas profundas em fundo de tristeza e de agonia, sem a dor da carne. Uma visão gerada no horror.

Assinalado é Cruz e Sousa. Louco imortal, representante da minha loucura! Aos pés da Cruz nem Costa, Silva ou Sousa. Poeta sem limites pra traçar cada linha poética!


Travessias


A travessia nas celestes regiões distantes chega até a alma, onde se encontra um fundo melancólico da esfera. Os muros são impostos, fatos e traços marcados. A sombra dos supremos sofrimentos de Cruz e Souza são flores negras no jardim dos negros, sem a cor da expectativa ou vida.

Uma sombra que acompanha sangrentas mortes, uma bala perdida que nem perdida estava. Ou erros. Ou fatos, pessoas marcadas pra morrerem. No jornal eram três pessoas e um negro.

O negro não é gente? O perfil negro é fora dos padrões. E os murros são tantos e ali permanecem os muros, o mundo para nós é negro e duro, cruel e obscuro. E no versado e esverdeado fim de sua página diz: ‘’Sei que cruz infernal prendeu-te os braços E o teu suspiro como foi profundo!’’



* Cronista e artesã em Biguaçu SC
Riozinho


* Por Alberto Cohen


Riozinho que vem de longe,
onde tudo começou?
Nas águas de um oceano,
nas profundezas da terra,
na cor cinzenta das nuvens,
na chuva que Deus chorou?
Riozinho embaixo da ponte,
quase molhando meus pés,
qual a história mais distante
que tens, cavaleiro andante,
qual margem foi tão amante
que te fez ser como és?
Riozinho seguindo em frente,
o que deixas para trás?
Um velho aqui nesta ponte,
olhos presos no horizonte,
sonhando, por um instante,
que é novamente rapaz.



* Poeta paraense

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, três meses e vinte e nove dias de criação.


Leia nesta edição:


Editorial – Teorias e especulações sobre o Triângulo das Bermudas.

Coluna De Corpo e Alma – Mara Narciso, crônica, “Serra da Capivara e seus mistérios”

Coluna Verde Vale – Urda Alice Klueger, crônica, “Frio perto do Monte Cambirela”.

Coluna Em verso e prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, poema, “De volta”..

Coluna Porta Aberta – Maira Parula, poema, “Death coach”.

Coluna Porta Aberta – Marcelo Labes, poema, “Planos para as férias”.

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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso”Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.