quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dias inesperados


* Por Fabiana Teixeira


Escolha não fiz, não sei e não entendi talvez o destino quis isso pra mim! Uma praça, uma tarde de domingo e você surgiu.

De fato não compreendo... Não queria me permitir e sempre achei que estava muito bem, Sem climas românticos, sem expectativas inúteis e sem temer ser ab
andonada um dia. Sem planejar, nada para se preocupar, o coração estava seguro.

Alguns telefonemas, emails, por azar ou não
e já eras meu! Me deixei levar sem me questionar estava curiosa e tudo me surpreendeu tão agradavelmente…

Um jantar informal, tantos sorrisos, um beijo casual e tudo parecia abs
olutamente natural, Éramos um casal perfeito até o medo chegar e me invadir novamente.

Esse medo de amar, esse medo antigo que dorme e desperta comigo… Posso até sorrir ao lembrar como é bom amar. Queria am
á-lo e ao mesmo tempo esquecê-lo, por medo me afasto e torno a querê-lo.
 
Não sei o que será de mim, enquanto tenho tempo não irei pensar, irei me entregar
às sensações para entender esse meu sentir.

Às vezes o coração nos engana e tudo bem, existirá sempre um caminho e um motivo para seguir, Sozinho ou não, tudo depende da proporção daquilo que realmente queremos. O importante é não se demorar num abraço ingrato, num querer sem reciprocidade, sem motivos para sonhar.

A vida é tão breve e nunca sabemos ao certo o que sucederá o que irei perder ou ganhar.
Por isso mesmo, tenho que tentar e devo me doar para saber se esse amor é bom.



* Poetisa, escritora, produtora e publicitária

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, três meses e vinte e dois dias de criação.


Leia nesta edição:


Editorial – Reverência às avessas.

Coluna De Corpo e Alma – Mara Narciso, crônica, “Qual o preço desse peso, desse ferro, desse berro de dor? (André Águia)”

Coluna Verde Vale – Urda Alice Klueger, crônica, “Sesquicentenário da independência”.

Coluna Em verso e prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, poema, “Gaiola”..

Coluna Porta Aberta – Emanuel Medeiros Vieira, crônica, “O dissidente chinês”.

Coluna Porta Aberta – Fabiana Bórgia, poema, “Amor por amor”.

@@@

Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso”Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação. 
Reverência às avessas


A única forma válida de manifestação de reverência pelos escritores que admiramos é a leitura dos seus livros. E por que faço essa enfática afirmação, que parece para lá de óbvia? Simples! Porque esse não é o procedimento usual de muitas pessoas que conheço.

Há gente que tem bibliotecas de razoável porte, com obras de reconhecido valor literário (não importa se de clássicos ou de autores contemporâneos) e que, no entanto, não se dá ao trabalho de ler, já não digo um único volume, mas uma só linha de qualquer deles. Para mim, leitor compulsivo, isso é estranho. Estranhíssimo!

Não é esse o tipo de “cliente” que pretendo conquistar. Sequer chamo essas pessoas de “leitoras”, já que aquilo que menos fazem é ler. Apesar do meu sucesso como escritor depender, basicamente, do volume de vendas dos meus livros, dispenso quem compre o que publiquei apenas para manter em uma prateleira, sem que se dê ao trabalho de apreciar (ou detestar) o que escrevi.

Sei que meu editor vai ficar louco com essa afirmação politicamente incorreta, mas não me importo de perder uma venda, ou várias (e, por conseqüência, meu porcentual de direitos autorais), se quem se dispuser a comprar alguma das obras que escrevi o esteja fazendo, apenas, a título de ostentação, quem sabe, por esse ser, talvez, o “produto literário da moda”.

Há pessoas que têm reverência até idólatra por livros, mas... como meros objetos (quem sabe, de decoração). Preocupam-se com a capa, com a encadernação, com o aspecto estético dos volumes que adquirem e com outras tantas filigranas, menos com o essencial. O que importa, todavia, não é nada disso, mas o conteúdo da obra, e apenas ele.

Lima Barreto, no livro “Nova Califórnia”, nos traz um saboroso conto, intitulado “A biblioteca”, que ilustra bem esse tipo de reverência às avessas por escritores. O personagem central dessa história, Fausto Carregal, herdou precioso acervo bibliográfico de seu pai, o Conselheiro Fernandes Carregal, que, por sua vez, havia herdado boa parte do seu genitor. Mantinha os volumes sempre limpos, perfeitamente conservados, como se tivessem vindo das livrarias, novinhos em folha.

Havia entre eles autênticas raridades, como o primeiro tratado de Química escrito por Lavoisier, entre outras. Eram, na verdade, livros técnicos e nem o Conselheiro – que era tenente-coronel do Corpo de Engenheiros do Exército e lente da Escola Central – e muito menos seu filho, mero balconista de uma loja, entendiam seu conteúdo. Fausto, porém, nutria a esperança que algum dos seus filhos (ou os três) estudasse e viesse a entender dos assuntos tratados.

Todavia, frustrou-se. Nenhum deles concluiu, sequer, as primeiras letras. E, sem serem lidos por ninguém, aqueles preciosos livros, pelos quais o personagem nutria mística adoração, por lhe trazerem à memória seu pai e seu avô, pelos quais sentia imenso afeto e profunda saudade (pois já haviam morrido), não tinham a mínima serventia.

Numa certa tarde, em que se encontrava sozinho em casa, Fausto tomou uma dramática (e para ele, dolorosa) decisão. Já que não havia leitores para o que intuía serem raras preciosidades (e eram), houve por bem dar fim a elas. Comprou um latão de querosene, levou para o quintal, com toda a reverência e cuidado, como se transportasse frágeis bebês, todos os livros. Empilhou-os cuidadosamente (diria que com amor), embebeu-os de combustível e... ateou fogo.

Lima Barreto chega à seguinte conclusão, ao cabo da narrativa: “São deuses os livros, que precisam ser analisados, para depois serem adorados, e eles não aceitam a adoração senão dessa forma”. Os meus, por conseqüência, também não aceitam ser “adorados” senão mediante leitura.

A única forma válida, e lógica, de reverência pelos seus escritores preferidos, é, pois, lendo o que escrevem. É a crítica honesta, o debate inteligente das ideias expostas, a refutação respeitosa daquilo com o que não se concorda etc. Essa é a maneira, aliás, pela qual rendo homenagens aos responsáveis diretos por tudo o que sou e o que sei.

Os livros da minha volumosa (e caótica) biblioteca estão todos rabiscados. Tenho o hábito de sublinhar os trechos que me empolgam, sobre os quais, sempre que posso, escrevo alguma crônica, ou ensaio (quando exigem considerações mais detalhadas). Faço comentários à margem, principalmente sobre o que não concordo. Ou seja, deleito-me com o conteúdo, sem me importar nada, nada com a forma.

É o diálogo possível que estabeleço com os escritores (alguns mortos há já séculos), concordando ou discordando das suas ideias concordando ou discordando das suas ids produçrtos h, escrevo uma crorados, e eles n boa psa sem que se de00000000000000000000 e tenho certeza que é dessa forma que eles gostariam que suas produções intelectuais fossem lidas. É esse, também, o tratamento que gostaria que meus leitores (e não meros “clientes”) dessem à minha produção literária.

Boa leitura!

O Editor.



Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Qual o peso desse preço, desse ferro, desse berro de dor?” (André Águia)

* Por Mara Narciso
 
Numa época que se prima pela divisão entre ódio e superficialidade, ter um encontro com a boa música é rara oportunidade de impregnar o corpo e mudar o estado da alma. O show “30 anos luz” em comemoração aos 30 anos de carreira de André Águia, foi um momento quente, no raro frio de Montes Claros.
 
O cantor paraense de Belém, radicado em Porteirinha, com passagem por Belo Horizonte e há 11 anos em Montes Claros, foi além da universalização que a música proporciona, dando uma aula de ecletismo e harmonia.
 
Musical, curiosamente, aos dois anos de idade passou pela Rua do Matoso, de Tim Maia e Erasmo e Roberto Carlos, na Tijuca do Rio de Janeiro. Inquieto, iniciou sua carreira aos 12 anos, participando de bandas com um irmão e amigos, tempos depois tentou uma carreira solo. Também esteve em bandas de Belo Horizonte, tocando em grandes shows, e, então, em 2006, casado com uma montes-clarense, veio morar em Montes Claros, voltando a cantar sozinho.
 
A sua música mais tocada nacionalmente foi “Amor só”. Gravou em 2003 uma homenagem ao Cruzeiro em “Azul é o futebol”, e em 2012 o CD/DVD “A música do novo Brasil”. Gravado no Coliseum de Santa Bárbara, ambiente que respira cultura, e, levando a grande marca de qualidade que o acompanha, contou com a participação dos seus filhos Lucas e Luiza Clara, então com 11 e sete anos, respectivamente, e dos cantores Débora Rosa, Leo Lopes, Bete Antunes e Jukita Queiroz.
 
Afável, receptivo, e em certa medida, humilde, André Águia, batizado André Luiz Aguiar, teve seu nome alterado pelo amigo Leo Lopes, o que lhe deu um salto diferencial, que, acoplado a sua privilegiada veia poética e musical, passou a valer como marca.
 
Suas canções falam do cotidiano, do romântico, porém, inconformadas, buscando não apenas protestar, mas modificar os fatos. Sua música se destaca na programação da Rádio Unimontes/Universitária, e há três anos deu sua cara ao 28º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, acontecimento cultural que envolve palestras, exposições, leitura e performances, com a música Tripsiu, um rock bem arquitetado, que agitou e reverberou por um bom tempo.
 
Em 2016 foi a Bento Rodrigues gravar um videoclip dentro da lama que arrancou do mapa dois povoados de Mariana. Os versos iniciais de “Mariana ao mar” falam assim:

Qual o limite da sua ganância
Qual o peso desse preço, desse ferro, desse berro de dor
Dessa falta de amor
Qual o limite da ignorância
Qual o peso desse preço
Desse dano, dessa destruição, desilusão?”

É preciso dar atenção ao que diz André Águia, e ficar de ouvidos atentos à sua música panfletária, de refrão melodioso e inesquecível.
 
Desta vez, num ambiente intimista, quente de confraternização, amigos se reuniram no palco após muitos anos, proporcionando uma festa para a plateia. A apresentação que durou duas horas aconteceu na Alexandrina Casa de Música, no Bairro Jardim São Luiz. Lá, foi possível mergulhar no aconchego de uma decoração rústica e de bom gosto, comer comidinhas com molhos sofisticados ou, simplesmente abraçar o belo.
 
Durante a apresentação, sua filha Luiza Clara, hoje com 13 anos, emocionou a plateia com sua voz suave de menina-moça talentosa, e ainda um pouco acanhada.
 
O eclético cantor e compositor, que trabalha como professor e diretor do Programa República na FIPMoc - Faculdades Pitágoras de Montes Claros, vai do romântico ao rock, passando pelo samba, e, cantando bem, recebeu amigos no palco e entoou canções junto aos fãs, que brindaram sua carreira. Esse momento tocante, precisa ser ampliado para um show maior, no qual mais gente poderá cantar a sua boa música, ainda que seja preciso ter canais para todos os estilos, como André Águia, democraticamente deseja.

* Médica endocrinologista, jornalista profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a Hiperatividade”


 
Sesquicentenário da independência


* Por Urda Alice Klueger


Nós, brasileiros, já vivemos coisas muito estranhas. Quem não se lembra como, durante o governo Sarney, todos os meses tínhamos que ir ao Correio comprar um selo para colar na janela do carro? Tal selo representava um imposto, e a cada mês tinha cor diferente. Lembro agora do ridículo de todos os nossos carros, com aquela fila de selos coloridos colados na janela da frente, isto sem falar das filas quilométricas, no Correio, para se adquirir o selo ridículo. Na época, o fato foi devidamente ridicularizado na telenovela “Que rei sou eu”, novela na qual os personagens tinham que comprar uns selos para colar nos focinhos dos seus cavalos. Morro de rir quando me lembro. Também sei que repeti, acima, uma porção de vezes, a palavra “ridículo”. Não havia outra que coubesse no seu lugar.

Antes do governo Sarney, porém, vivemos a Ditadura, e ela nos impingiu coisas mais ridículas ainda. Lembram-se do aconteceu em 1972?

Em 1972 fazia cento e cinquenta anos que D. Pedro I havia proclamado a independência do Brasil. O centenário de tal fato já havia sido devidamente comemorado cinquenta anos antes, mas o governo da Ditadura estava precisando de algum motivo marcante para fazer o povo vibrar de patriotismo, e não deu outra: resolveu festejar o Sesquicentenário da Independência. Nunca tínhamos ouvido, antes, a palavra sesquicentenário, mas tivemos que embarcar num ano de comemorações em cima da palavra desconhecida, com direito ao Hino do Sesquicentenário e tudo o mais.

Era, aquele, um período tenebroso da História do Brasil. 1968 ainda estava muito perto, e não se possuíam garantias constitucionais. Ridículos monstros, filhos da Ditadura, pontilhavam o País e, como não podia deixar de ser, Blumenau também tinha o seu monstro: chamava-se Coronel B., e levava a Ditadura mais a sério que qualquer outro. A crônica da cidade se lembra perfeitamente de todas as arbitrariedades do Coronel B. e nem é bom entrar em detalhes sobre o que dizem os blumenauenses quando se lembram dele.

Para o Coronel B., mais de duas pessoas juntas na rua, à noite, significava a presença de uma célula comunista ambulante, pronta para botar o País em perigo. Os “subversivos”, palavra da moda, eram atentamente vigiados pelo nosso monstro, que atravessava as madrugadas de sexta e de sábado vigiando a saída dos bailes com uma patrulha de soldados, para ver quem se reunia para conversar sobre um complô. É claro que os “subversivos” encontrados eram presos e levados para o quartel do Exército, onde sofriam humilhações, amarguras e, eventualmente, até torturas.

Foi numa dessas madrugadas de 1972 que o meu amigo escritor Célio de Morais saiu, com sua turma, da boate familiar Hum-Papá, ponto alto do encontro da moçada de Blumenau, nessa época. Ninguém estava com vontade de ir para casa, ainda, e sentaram-se todos numa calçada para conversar mais um pouco, coisa proibida pela Ditadura e, principalmente, pelo nosso Coronel B. . Ninguém estava botando o País em perigo: falavam de música e de gatinhas, coisa tão a gosto de todos os rapazes do mundo. Só que, minutos depois, quem aponta na esquina? Nada mais nada menos que o Coronel B. com sua patrulha!

Claro que os nossos amigos tinham virando subversivos, e iriam passar as próximas horas na cadeia do quartel, se não fosse coisa pior. Fugir, não dava: os soldados armados receberiam ordem de atirar naqueles comunistas que tinham se atrevido a conspirar em plena via pública – ficar seria a maior complicação. Aí Célio teve a ideia, e começou a cantar a plenos pulmões, acompanhado pelo resto da turma:

Marco extraordinário
Sesquicentenário da Independência!
Potência de amor e paz
Este Brasil faz coisas
Que ninguém imagina que faz...”
 
Os mais velhos vão lembrar-se da música do Hino do Sesquicentenário. O engraçado da coisa foi que o Coronel B. esbarrou na música sagrada da Ditadura para aquele ano, e ficou a prestar continência. E os nossos rapazes cantaram e cantaram, a plenos pulmões, mostrando a sua lealdade à Ditadura, até que o coronel se cansou e foi embora.

Eles morrem de rir, até hoje, quando contam.
 
Blumenau 23 de março de 1997.


* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de vinte e seis livros (o 26º lançado em 5 de maio de 2016), entre os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12 edições).




Gaiola

* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral

Passarinho é bicho engraçado,
coça o peito com o bico, mas
não perde o foco.
Escolhe galho, escolhe pé,
frutinha do chão ele não quer.
Bica uma, bica duas, bica três,
satisfeito vai embora e quem
quiser que fique com a de vez.
Volita aqui e ali, gorjeia acolá
canta as cinco da manhã
dando hora de acordar.
Quando chove passarinho
emudece, enquanto eu suspiro
dentro da minha gaiola.


* Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário



O dissidente chinês


* Por Emanuel Medeiros Vieira


Para todos os dissidentes políticos do mundo


A notícia parece que ficou “escondida” –, quase passou em branco.
Mas queria fazer um registro.

O que vou dizer no parágrafo abaixo poderá parecer solene e facilitário.

Meu coração sempre esteve ao lado dos perseguidos e humilhados – na esfera política–, como os perseguidos da ditadura brasileira (o signatário foi um deles...), e os presos, torturados e mortos das ditaduras do Cone Sul etc.

Resumindo: o dissidente chinês Liu Xiaobo , vencedor do Prêmio Nobel da Paz em outubro de 2010, morreu no dia 13 de julho deste ano, aos 61 anos, no Hospital em que estava internado, no norte da China, na cidade de Shenyang. Ele estava tratando de um câncer terminal no fígado e havia sido transferido da prisão há um mês.

Na véspera de sua morte, o hospital informou que o paciente “estava em insuficiência respiratória” e havia sofrido falência múltipla dos órgãos.

Em 2009, o ativista foi condenado a 11 anos de prisão, acusado de “subversão (também nós, após o golpe de 64, éramos chamados de “subversivos” – sem querer comparar o sofrimento do dissidente chinês com o nosso – porque queríamos democracia no Brasil), após reivindicar reformas democráticas na China.

No início de junho, Liu recebera liberdade condicional para tratar-se do câncer.

Depois disso, segundo informes da imprensa , o dissidente recebia tratamento sob guarda policial em um hospital no nordeste chinês.

(Tratar de um câncer, mesmo sem perseguição política, com todos os cuidados, já é difícil e complicado) Imaginemos (todo nós) como deve ser um tratamento com escolta policial.

O que dizer mais? O texto está frio ou “serve à Direita”? Seria verdadeiramente “comunista” um regime que persegue os seus dissidentes e que admite o trabalho escravo?

Claro que não. Todos sabem que lá reina o “capitalismo de Estado”.

Para o Comitê do Prêmio Nobel da Paz, o governo chinês tem uma pesada responsabilidade na morte de Liu Xiabo, pelo fato de “ele não ter recebido tratamento adequado por um longo período”.

Só gostaria que, depois de tanto sofrimento, o dissidente chinês, cujo nome era Liu Xiabo, possa descansar em paz, e que sua morte possa lembrar – a todos nós – que nenhum homem é uma ilha, como escreveu John Donne.
E estamos no século XXI.

Eu sei: na tecnologia, melhoramos. E no resto? Se combatemos o fascismo, o macarthismo, as ditaduras que existiram na América Latina e em outros países, não podemos nos calar.

A Morte do Humano é a derrota da Civilização e da democracia como valor universal.


(Salvador, julho de 2017)


* Romancista, contista, novelista e poeta catarinense, residente em Brasília, autor de livros como “Olhos azuis – ao sul do efêmero”, “Cerrado desterro”, “Meus mortos caminham comigo nos domingos de verão”, “Metônia” e “O homem que não amava simpósios”, entre outros.



Amor por amor


* Por Fabiana Bórgia


Insônia profunda
quando meus eus explodem
como heterônimos de Fernando Pessoa.
Agora encarno Vinicius
e seu excesso de amor.
Amor por amor.
No Rio de Janeiro,
eu me faço carioca
em estado de espírito.
Insônia insana,
quando meus egos exteriorizam
almas de todos os tipos.
Agora eu assumo Drummond
na minha individualidade solitária
e me faço de Itabira,
que até a tristeza me diverte,
e penso nos sonetos de Camões,
e nas chagas do amor.
No espasmo vem o marasmo,
um truque desconcertante,
e eu escureço na minha palidez,
e transpareço um oceano de lembranças,
mas a morte não clama por mim,
porque a vida me contempla,
em todos os seres me chama
como continuação,
e eu não deixo de existir.


  • Escritora por vocação e advogada por formação. Paulista por natureza e carioca por estado de espírito. Engenheira de sonhos: alguém em eterna construção. Autora do livro “Traços de Personalidade”



terça-feira, 18 de julho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, três meses e vinte e um dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Surpresas do presente

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, poema, “Resto de ilusão”.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, crônica, “Triste Brasil!”.

Coluna Do real ao surreal Eduardo Oliveira Freire, conto, “Senhor austero”.

Coluna Porta Aberta – Adailton Bastos, poema, “Amar o mar”.

Coluna Porta Aberta – Delasnieve Daspet, poema, “Mesmices”.


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Livros que recomendo:


Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br



Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.