terça-feira, 23 de maio de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, um mês e vinte e seis dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Importante é sonhar.

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, poema, “Minas vazias”.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, crônica, “Presidentes do Brasil”.

Coluna Do real ao surreal Eduardo Oliveira Freire, conto, “Três irmãos”.

Coluna Porta Aberta – Alberto Cohen, poema, “Raízes”.

Coluna Porta Aberta – Carmo Vasconcelos, poema, “Dormindo”.


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Livros que recomendo:


Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br



Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.



Importante é sonhar



O sonho é a grande matéria-prima do escritor. Não são fatos, como alguns supõem, e muito menos ideias os componentes fundamentais das suas obras. Os primeiros, nus e crus, sem qualquer acréscimo (se é que isso seja possível) são da competência dos jornalistas. Os segundos, são melhor desenvolvidos pelos filósofos. Mas os que lidam com ficção... Estes têm que sonhar, e muito.

Claro que, quando falo de sonhos, não me refiro àquele estado de inconsciência que temos durante o sono, àquela espécie de “descarga” do subconsciente (ou inconsciente, sei lá), que independe da nossa vontade. Refiro-me à fantasia, à imaginação, à criatividade desse artífice (ou artesão?) das palavras.

O escritor, então, não pode lidar com fatos?”, perguntaria alguém que goste das coisas explicadas tim-tim por tim-tim e tenha a mania de procurar pelo em ovo (há muitos, desse tipo, por aí). Claro que pode! E não somente pode, como deve. Mas apenas para dar caráter de verossimilhança aos seus sonhos.

Não lhe compete reproduzir acontecimentos exatamente como ocorreram. Afinal, não foi treinado, como o jornalista, para essa tarefa. É por isso que suas histórias são de ficção. Ou seja, nunca aconteceram (embora pudessem ter acontecido). E quanto mais realista for sua descrição, melhor. Só que, contos, novelas, romances e peças teatrais são “mentiras” consentidas e bem contadas (quando o são, óbvio). São frutos do “sonho”, da fantasia, da criatividade dos seus autores e não das circunstâncias ou do acaso.

O desafio do escritor é tornar sua narrativa a mais próxima possível do real. Por isso, não raro, invade, também, e sem nenhum escrúpulo, o campo que teoricamente seria restrito ao filósofo: o das ideias. Mas não as detalha e nem busca explicar sua origem e motivos.

E o fantástico, o fantasioso, o aparentemente inverossímil, estão interditos ao escritor? Claro que não! Esses fatores, aliás, integram o que denomino de “sonhos”. São, portanto, a matéria-prima por excelência de romancistas, contistas, novelistas e autores teatrais. Até porque, nada tem maior aparência de irreal do que a realidade, por paradoxal que isso possa parecer.

Acontecem coisas no cotidiano, em nosso dia a dia, ao nosso redor e mundo afora, que nem o mais imaginoso dos escritores, nem a mente mais fértil e criativa, conseguiria imaginar. Basta acompanhar os noticiários, cada vez mais fartos e detalhados, nesta era dita da “comunicação total”.

Convenhamos que, no que se refere a sonhos, quem sonha mais é o poeta. E reveste-os de metáforas, de signos, de símbolos de toda a sorte, compondo versos que pretende sejam imortais. Tanto que Fernando Pessoa constatou, com muita perspicácia, que os bons poemas de amor são exatamente os que se referem a amadas fictícias, meramente idealizadas ou “conceituais”. Via de regra, quando tentamos fazer poesia tendo por personagem a pessoa que de fato amamos, as palavras soam ocas, vazias, superficiais, inverossímeis.

É certo que poetas tidos e havidos como imortais (refiro-me, óbvio, àquela “imortalidade” que caracteriza Homero, Virgílio, Píndaro, Horácio e tantos outros. Ou seja, não a física, que é impossível, mas a das obras), não raro calcaram suas obras em fatos. Mas fantasiaram tanto esses acontecimentos, que chegamos a duvidar que tenham, mesmo, ocorrido.

A guerra de Troia, reportada por Homero na “Ilíada”, por exemplo, de fato aconteceu. Arqueólogos desenterraram essa cidade e há inúmeras provas da existência dela e de que foi destruída por um incêndio. Hoje, as pessoas bem informadas não têm porque duvidar dessa realidade.

Mas os herois descritos pelo poeta não foram tão heroicos assim. E nem manipulados, como meros marionetes, por deuses que eram, em seus comportamentos e paixões, mais humanos do que os homens. Essa imortal epopeia, portanto, é fruto do talento e, sobretudo, do sonho de Homero. E como sonhou!

Para resumir o que gastei tantas linhas para tentar explicar (e temo que tenha sido obscuro em minhas explicações), recorro (como sempre faço quando me vejo encalacrado para definir questões que envolvam literatura), ao meu constante guru, Jorge Luiz Borges, que escreveu a propósito: “Há escritores que pensam que, à força de variar os adjetivos, de dizer as metáforas eternas de um modo novo, podem obter algum escrito. Isto é falso. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve. Ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos, não às meras e cambiantes circunstâncias”.

Mais claro do que isso é impossível! É certo que quem pretenda se aventurar neste complicado, pantanoso e não raro frustrante campo de atividade, tem que contar com sólida cultura. Precisa, sobretudo, saber manejar com perícia as ferramentas do seu ofício, ou seja, as palavras. Deve ser bastante informado, ter disposição para o trabalho, ser paciente e autodisciplinado e, sobretudo, observador. Mas nada disso terá valor se não souber fantasiar, elucubrar, dar asas à imaginação. Porquanto, para o escritor, o importante mesmo é sonhar! O resto?


Boa leitura!


O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Minas vazias


* Por Evelyne Furtado


Há lugares onde não chega a luz,
Espaços ocupados por sentimentos daninhos, Minas vazias, sem ouro, nem lume, Onde moram fantasmas de ontem e de amanhã, Hoje dificeis de enfrentar. Reajo trêmulas aos ruídos das correntes, Busco forças longe...além. Encolho-me, sobre os escuros medos, Esperando livrar-me da opressão. E quando salva, Verei o sol clarear recantos Onde reina escuridão.



* Poetisa e cronista de Natal/RN.
Presidentes do Brasil


* Por José Calvino




Infelizmente, ainda existem em nosso país muitos com uma grande falta de conhecimento sobre nossa história, sem memória e uma politicagem que venho percebendo há muitos anos e pela qual sinto verdadeiro asco, testemunhando a negligência dessas referidas autoridades pelos problemas sociais do povo brasileiro. Há quem despreze os escritores que falam a verdade, uma pena! Principalmente num regime ditatorial (toda ditadura é perversa). O que eu desejo, mesmo, é que vocês – leitores - percebam que esses politiqueiros (da pior espécie) vêm prejudicando o povo brasileiro há muito tempo e para isso releiam, por exemplo, “O que eu sei dos maus governantes do Brasil”, eles que se aproveitam de nossa incultura.


 O que eu desejo, mesmo, é que vocês – leitores - percebam que esses politiqueiros (da pior espécie) vêm prejudicando o povo brasileiro há muito tempo e para isso releiam, por exemplo, “O que eu sei dos maus governantes do Brasil”, eles que se aproveitam de nossa incultura.

As classes dominantes de cada região do país estão fazendo apologias ao governo do caudilho gaúcho Getúlio Vargas, mas muitos ou a maioria deles nem são daquela  época. Ora, e os historiadores são da época dos perversos  ditadores do mundo? Os religiosos, por exemplo, são da época do senhor Jesus Cristo? E o que dizer dos ateus ignorantes e preconceituosos, são da época do judeu Karl Marx, que dizia que religião é o ópio do povo, com as suas observações, para a maioria, muito complexas, que se tornou ateu?


A frase que dá o título a esta crônica é óbvia, até porque a escrevi em janeiro de 2012: “Olho na Presidenta!”Acontece que mesmo diante dos fatos alguns idiotas continuam agindo com baixarias nas redes sociais... Até porque, é muito difícil um bom governo com alianças com politiqueiros. É o Brasil liderar o ranking mundial de homicídios, é isto que todos nós estamos vendo, independentemente, segundo  relatório da ONU. O apoio moral em sociedade é importante para o futuro do Brasil.  


Enfim, termino esta crônica com a segunda estrofe da poesia intitulada “Novos Rumos”:


Quem ouve a voz dos oprimidos?
Quem ouve a voz dos injustiçados?
Quem ouve a voz dos trabalhadores?
Quem ouve a voz dos desempregados?


Nota – “Novos Rumos”, foi publicado no livro de minha autoria: "Fiteiro Cultural" - ed. do autor. 

P.S. Nos anos JK o transporte ferroviário foi sendo
abandonado em prol do rodoviário, o que implicou
em priorizar a indústria automobilística e expandir as rodovias. Dos trens, restam apenas lembranças escritas nos livros: "O ferroviário", "Trem Fantasma", "Trem & Trens, et cétera, et cétera!!!     


* Escritor, poeta e teatrólogo. Fiteiro Cultural: Um blog cheio de observações e reminiscências.


Três irmãos


* Por Eduardo Oliveira Freire


Um era impulsivo, o outro mediador e o último controlador.

O que equilibrava, cansado de arbitrar, foi embora para encontrar sua individualidade. Anos depois, com remorso, voltou e percebeu que a casa não fora destruída e os irmãos que sempre estavam em conflito, viviam em harmonia.

Descobriu que eles encontraram seus lados de mediadores e se resolveram sem a sua ajuda. Enquanto ele para se sentir completo, precisava deixar seu lado impulsivo e controlador digladiarem-se.


* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/


Raízes


* Por Alberto Cohen


Não me digas que um dia voltarei.
Sabes que não. E eu sei também.
Raízes são do solo onde se escondem,
e embora as lembranças do primeiro plantio
sejam as mais fortes, tornam-se distantes
e esmaecem em cada nova semeadura.
Não me digas que serei plantado
novamente em nossa lavoura.
Planta-se agora de forma diferente
da peculiar primeira vez.
Do chão natal não se preserva mais
senão saudades da primeira chuva,
da primeira colheita, de outras pequenas plantas.
O solo é aqui e agora.
Como voltar para um campo que não mais existe?
Velhas raízes jamais são replantadas.
Sabes que não. E, desgraçadamente, sei também.


* Poeta paraense. 
Dormindo


* Por Carmo Vasconcelos


Mergulho em vós, quase ébria, neste sono,
Lençóis rosados, pétalas carmim,
Idealizando um caloroso Outono
A juntar-nos em vestes de cetim.

Sentindo já tuas mãos roçando sedas,
E o bafo do teu beijo me aquecendo,
No fogo das palavras que segredas,
Queimo a noite e dormindo vou morrendo.

Mas levo-te comigo no sonhar,
Preso ao meu doido amor que subsiste
Nessa aparente morte, caída ao luar.

Mas inda que prostrada em letargia,
Persiste a mágoa da tua ausência triste
E faz do meu sonhar melancolia!



* Poetisa portuguesa

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, um mês e vinte e cinco dias dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Reinvenção noutra pessoa.

Coluna Em Verso e Prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, poema, “Vulcão de sensibilidade”.

Coluna Lira de Sete Cordas – Talis Andrade, poema, “Paisagem”.

Coluna Direto do Arquivo – Samuel Estevam Reuse, crônica, “É dia de pescaria”.

Coluna Porta Aberta – Péricles Prade, poema, “Poderia ser Outono”.

Coluna Porta Aberta – Paulo Moreira Leite, artigo, “Aécio e a democracia de conveniência”..

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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br



Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.



Reinvenção noutra pessoa



A vida é uma escola, na qual nos matriculamos tão logo nascemos e em que nunca chegamos a nos diplomar. Partimos – não sei quando, para não sei onde – com uma infinidade de dúvidas, de incertezas e de contradições, enfim, de lições a aprender. Alguns, aprendem os princípios básicos da felicidade e da alegria com maior rapidez. Vivem sem grandes traumas e sem sofrimentos que sejam evitáveis. A maioria é.

Outros tantos (diria quase todos) trocam os pés pelas mãos, confundem e complicam as coisas mais simples, e não conseguem sair do lugar, quando não retrocedem. Encaram o mundo com desconfiança, reservas e hostilidade. Tardam a aprender, ou não aprendem nunca, os princípios básicos da felicidade e da alegria. E se dão mal. Conquistam, sem esforço, a “carteirinha” do clube dos infelizes renitentes, que conta com bilhões de associados mundo e tempo afora..

A principal lição que nos compete aprender na escola da vida é a arte de amar. A princípio, vista de fora, parece simples e óbvia e até rimos das trapalhadas dos que vivem experiências amorosas que não conseguem sustentar por muito tempo. Achamos que se estivéssemos em seu lugar, faríamos isso e mais aquilo, e deixaríamos de fazer aquiloutro e aquiloutro. Mas quando chega a nossa vez...

Ninguém é mestre na arte do amor. Somos todos aprendizes, uns mais aplicados e serenos, outros mais relapsos e afoitos. Alguns, sentem-se e agem como proprietários da pessoa amada e se arrogam no direito de ditar-lhe regras, comportamentos, gostos etc. Não passam de trapalhões. Subitamente, ocorre a conseqüência lógica dessa insânia: a perda. Não raro isso acontece num cenário não apenas de drama, mas via de regra, até de tragédia.

Já afirmei, inúmeras vezes, que gosto de ler e de escrever sobre o amor, embora me enquadrando na categoria dos amantes que pouco entendem dessa arte, useiro e vezeiro em perpetrar monumentais trapalhadas. Às vezes, deixo o tema de lado, convicto de não ter nada de proveitoso ou de minimamente inteligente a dizer a propósito. Todavia, sou instado, convocado, compelido, coagido até, pelos tantos que me honram com sua leitura, a voltar ao assunto. Talvez eles aprendam algumas coisas com as minhas trapalhadas. Ou, quem sabe, se divirtam com as bobagens que cometo.

Foram inúmeras as ocasiões em que me pediram definições sobre o amor. Tentei, tentei, tentei, mas nenhuma das que elaborei me convenceu. Senti-as retóricas, bombásticas, exageradas, despidas de conteúdo, enfeitadas demais, que mais lembravam uma caricatura (quando não a maquiagem propositalmente carregada de um palhaço) do que a competente arrumação de bom gosto de alguma bela e grande dama. Fui, portanto, buscá-las alhures, em poetas e escritores tidos e havidos como competentes retratistas desse maiúsculo sentimento.

Uma das definições mais pitorescas que já li sobre o amor, é a que o classifica como uma espécie de “reinvenção” de nós mesmos. Ponderei a respeito e concordei, a priori, com ela. Passamos, mesmo, a vida “inventando” um personagem original e único, com gostos, vontades, emoções e experiências característicos.

Subitamente, lá um certo dia, encontramos alguém que nos faz mudar os rumos e põe nossos sentimentos e pensamentos de pernas para o ar. Transforma-nos, sem que nos apercebamos, num outro alguém. Assumimos outros gostos e vontades que não os que tínhamos antes de nos apaixonarmos.

Passamos a viver, simultaneamente, duas vidas (e tendemos a gerar uma terceira), pensando e sentindo como a pessoa que amamos. Quem definiu o amor dessa forma foi a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, que escreveu: “Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?”

Essa “reinvenção”, porém, tem que ser espontânea. Esse nosso desejo, e mais do que isso, compulsão por nos identificarmos com a pessoa amada, tem que partir do íntimo, até sem que nos apercebamos. Caso contrário... voltaremos àquela história de algum dos parceiros sentir-se e agir como “proprietário” do outro. Aí... todos sabemos, ora por experiência própria, ora por observação dos outros, que a coisa não funciona. Desemboca em dramalhões lacrimosos, quando não em sangrentas tragédias.

O amor, ah o amor! Quão delicioso é e quantas complicações nos traz! Creio que um dos segredos para durar, enquanto nós também durarmos, é jamais nutrirmos o sentimento de “posse” da pessoa amada (mesmo que a possuirmos, física, afetiva e espiritualmente). É manter sempre acesa a chama do desejo. É querer sempre mais, e mais e mais da parceira que nos atrai. Porquanto, como o escritor português Casimiro Brito lembra, com muita pertinência: “Apodrece na posse o que floresce no desejo”. E, cá para nós, ninguém quer manter consigo algo podre, mesmo que se trate, apenas, de um sentimento.


Boa leitura!


O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk


Vulcão de sensibilidade


* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral


Agradeço a Deus
todos os dias
pelos encontros
que nos proporciona.
Pela singularidade
de perceber
a sintonia de almas.
Por enxergar
em ti um
"vulcão" de sensibilidade
e beleza.



* Poetisa, contista, cronista e colunista do Literário
Paisagem


* Por Talis Andrade


A felicidade paira
na sombra guardiã
de todas as casas
No cheiro de mulher
saindo do banho
No cheiro de café
de cada manhã

A felicidade paira
na leve doçura
do vinho de pasto
Na entrega da flor
se entreabrindo ao vôo
de uma borboleta
No verde do mar
visto da Sé
Na revoada dos pássaros
quando tocam os sinos
dos velhos campanários
no céu de Olinda

Não permitas
a felicidade se vá
no arrasta povo
na onda do frevo
nas ondas do mar
na vespertina brisa
desfolhando os cabelos
de palha da menina
A menina que passa
em estado de graça
os cabelos alumiados
por alaranjado sol
de onduladas chamas
A menina que passa
quando tocam os sinos
o sol se pondo
no céu de Olinda

(Do livro “Romance do Emparedado”, Editora Livro Rápido – Olinda/PE).


* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).