quinta-feira, 22 de junho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, dois meses e vinte e seis dias de criação.


Leia nesta edição:


Editorial – Resistência das sementes

Coluna Ladeira de Memória – Pedro J. Bondaczuk, poema, “Mru pago natal”.

Coluna Contradições e paradoxos – Marcelo Sguassábia, crônica humorística,Alberto e Ayrton”.

Coluna Do fantástico ao trivial – Gustavo do Carmo, crônica, “Eu tento economizar, mas as operadoras não deixam.

Coluna Porta Aberta – Yeda Prates Bernis, poema, “Oferenda”.

Coluna Porta Aberta – Verônica Aroucha, poema, “De mais belo?”.


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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) – Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso” – Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.


Resistência das sementes


O homem evoluído, que tem consciência do seu papel no mundo e se empenha na sua realização (raridade em todos os tempos), sem esperar vantagem material, é, sobretudo, generoso. A evolução da espécie humana deve tudo a essas pessoas abnegadas, que surgem a cada geração, determinando saltos evolutivos desse estranho e precioso animal que pensa (ou pelo menos conta com essa capacidade), mas que nem sempre dá um sentido positivo ao pensamento.

Tais indivíduos são os responsáveis pelas descobertas científicas, pelo desenvolvimento das artes, pela Justiça, pela organização política e social, pelos sistemas econômicos e pela geração e veiculação de ideias. Sua característica marcante é a generosidade. Semeiam inteligência e princípios incansavelmente, sem sequer atentar para o "solo" onde as sementes irão cair. Dão oportunidade a todos os que queiram usufruir de sua ação, sem nenhuma espécie de preconceito ou discriminação.

Das dezenas de bilhões de pessoas que já viveram, desde o surgimento do homem na Terra, apenas alguns milhares são lembrados, e, assim mesmo, eventualmente. Os demais... O dramaturgo Berthold Brecht levanta a seguinte questão, em uma das suas peças: “Quem construiu as sete torres de Tebas? Os livros estão cheios de nomes de reis. Foram reis que arrastaram os blocos de pedra? Na noite em que a Muralha da China foi concluída aonde foram os pedreiros?”

As grandes obras, sejam de que natureza forem, portanto, não são garantias de imortalidade. Nada é! As pequenas...? Não será criando barreiras de preconceitos, nem arrotando a importância, que na verdade não se tem, e muito menos será pisando sobre os que não tiveram ou não souberam aproveitar oportunidades, que se construirão as bases para um cotidiano saudável. Serão a solidariedade, o amor e as genuínas amizades.

Khalil Gibran Khalil escreveu, em um de seus mais belos poemas: “A neve e a tempestade destroem as flores, mas nada podem contra a semente”. As guerras e as catástrofes naturais destroem as obras, mas são impotentes para destruir ideias. É isso o que precisamos “semear” vida afora.

Há pessoas que vivem 80 anos ou mais e quando morrem não têm nada para deixar, não apenas aos familiares, mas à comunidade em que viveram. Outras, deixam rastros de destruição, de ódio e de rancor e, quando são lembradas, as lembranças são de um pesadelo que passou.

Outras, todavia, desaparecem prematuramente, com uma bagagem de realizações tão grande que chega a ser desproporcional aos anos que viveram. Tenhamos em mente que foram as ideias (não foi a força), que tiraram o homem das cavernas, com a maior revolução já ocorrida em todos os tempos: a descoberta da agricultura.

Foi a ciência, e não o comércio, que ampliou os anos de vida desse animal frágil, exposto a um número incontável de doenças, e lhe proporcionou conforto e segurança. Foram as artes, e não as guerras, que deram sentido à vida, com a revelação da beleza. No entanto, tudo isso está sendo deixado de lado, trocado por acúmulo de "bens", que na verdade são "males".

Seria saudável a cada pessoa se, ao despertar, ela pensasse que esse dia pode ser o último de sua passagem na Terra. Pode parecer mórbido, mas não é. É um exercício de humildade. Da humildade que o homem perdeu e precisa recuperar. Esqueceu-se da sua efemeridade, arrotando um poder que em verdade não possui.

Falta ao ser humano – pelo menos à maioria – descobrir seu verdadeiro papel e exercitá-lo. Só assim este macabro inferno de violência, de injustiças e de egoísmo, poderá ser transformado em um lugar bom para se viver…

As boas ideias, as que são embriões das grandes obras e que, não raro, até revolucionam o mundo, surgem de repente, quando menos esperamos, como que por acaso. Devemos estar atentos, e, sobretudo, preparados, para não deixar escapar essas preciosas oportunidades, que raramente voltam a aparecer.

Alguns, chamam esses momentos especiais de “inspirações”, que de nada valem, frise-se, se não vierem acompanhados de ações, de esforços, de atos concretos e competentes. Ou seja, de “transpiração”. Tenhamos em mente que nossas ideias nos personalizam, elevam, depreciam ou engrandecem, dependendo do seu teor e intensidade.

Se positivas e altruístas, desde que praticada, nos perpetuam no coração dos que se beneficiam, direta ou indiretamente, delas e promovem progresso, grandeza e transcendência. São aquela semente a que Gibran se refere, que nem a neve e nem as tempestades têm o poder de destruir.

Se nossas ideias, contudo, forem destrutivas, corruptoras, malévolas e chulas, despertarão horror e ira nos mais sensatos e, caso venham a ser aplicadas pelos tíbios e sem personalidade, resultarão em intensos sofrimentos e desgraças para um número incontável de pessoas. Afinal, elas podem nos apequenar (e aos que as compartilharem) ou engrandecer.

São as ideias que, de fato, governam o mundo. Por isso devem ser policiadas, dia e noite, e filtradas, para que só as construtivas prevaleçam. Não há como, pois, não dar razão a Victor Hugo, quando alerta: “Estamos nas mãos desses deuses, desses monstros, desses gigantes: nossas ideias”. Tornemos as nossas em armas eficazes do bem e da justiça. Façamos-las sementes indestrutíveis contra as quais a neve, a tempestade e quaisquer outros fatores sejam impotentes.


Boa leitura!


O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Meu pago natal


* Por Pedro J. Bondaczuk


Ó verdes campos distantes
do meu Rio Grande natal,
vastas campinas abertas
com delicadas coxilhas
e o Minuano a zunir,
meu pago, minha querência,
farta fonte de emoção!

O amargo circula em roda,
meu chimarão companheiro
e o papo breve, ligeiro
do que é ou será moda.

Chinoca do coração,
faceira, me faz sonhar,
que me conduz pela mão
aos campos do seu olhar.

O sol descai no horizonte,
o dia está por um triz,
e antes que a lua desponte,
é tempo de ser feliz.

E a luz, rasgando os véus
das noites (quero revê-las)
é madrinha, nesses céus
de uma tropilha de estrelas.

O Rio Grande, da infância,
(farta fonte de emoção),
a paisagem e a estância,
guardo no meu coração!!!


(Poema composto em Campinas, em 11 de abril de 1968).




* Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas), “Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53, página 54. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Alberto e Ayrton


* Por Marcelo Sguassábia


- Santos Dumont! O senhor é o Santos Dumont, né?
- Em carne e osso. Quer dizer, sem carne e sem osso. Você quem é?
- Senna. O Ayrton, sabe?
- Sena? O rio da minha lindíssima Paris?
- Não, não. O rei de Mônaco. Béco, para os íntimos. O piloto, tricampeão da Fórmula 1. O namorado da Adriane Galisteu...
- Agora, puxando pela memória, acho que já ouvi falar de você, sim. Faz pouco tempo que desencarnou, não é?
- Vinte e três anos... o senhor chama isso pouco tempo?
- Ah, foi outro dia mesmo. Pra quem já está aqui desde 1932, você nem gelou a carcaça, meu rapaz. Lembro da minha hora como se fosse hoje. Estava no Guarujá, chateado com o que andavam fazendo com a minha invenção, e  resolvi que não queria mais ficar lá embaixo. Aliás, sempre me senti mais à vontade aqui em cima.

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- Pois é. Se naquele dia fatídico já existisse um cockpit feito com material de caixa preta, talvez eu estivesse salvo. Difícil me acostumar com a ideia, vim pra cá cedo demais.
- Deixa de se lamentar, isso só piora as coisas. Mas me diz, como é que me reconheceu por essas bandas?
- O chapéu, o terno, o bigode... como não poderia deixar de ser, é claro que o senhor é nome de aeroporto no Brasil. Um dos maiores que temos por lá. 
- E você deve ser nome de rodovia.
- Sim. Mas o senhor é mais herói que eu, e é nome de estrada também. Duas, por sinal. Além de escolas, ruas, praças. Tem até uma cidade chamada Santos Dumont. 
- É, onde eu nasci. Chamava-se Palmyra, depois rebatizaram pra me homenagear. Fiquei sabendo por alguns irmãos espirituais. 
- Então. Cidade com o meu nome, por enquanto, não tem nenhuma. 
- Meu caro Ayrton, não é só você que guarda mágoa desse país ingrato. Outro dia mesmo estavam jogando truco por aqui o Duque de Caxias, o Dom Pedro I e o Tiradentes, amaldiçoando as últimas gatunagens de Brasília. Diziam que se soubessem que ia dar no que deu, não teriam movido uma palha.

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- Sabe de uma coisa, meu jovem? Me dá nos nervos ficar a eternidade toda vendo esses anjos, com essas caras gordas e barrocas, batendo asinha pra lá e pra cá, sem rota de voo definida. A coisa aqui ainda está nesse tempo, de asinha nas costas. Até mesmo o avião, se você for ver, já é algo bem ultrapassado. Inventei essa traquitana em 1906. Tudo bem que o 14-bis era feito de seda e bambu e que a tecnologia aeronáutica evoluiu muito daí pra frente, mas é arcaico demais como meio de locomoção. Não sei se sabia, mas eu, o Einstein e o Steve Jobs estamos concluindo um protótipo de transporte na velocidade da luz.

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- A Asa Norte e a Asa Sul. Tudo pelos ares, num ataque-surpresa. Que me diz, Ayrton?
- A sua raiva de asa é grande mesmo, Seu Alberto. 
- Temos que destruir tudo, pra não correr o risco de sobrar algum corrupto vivo. Sabemos que nessa operação-limpeza vamos matar um monte de pessoas inocentes, mas os bons viriam para o céu de qualquer jeito. E vão dar graças ao Pai por se livrarem daquele inferno.
- Isso, com certeza.
- Pra dar tudo certo, vamos precisar de um piloto experiente e habilidoso. É aí que você pode ajudar. Afinal, velocidade é o seu negócio. Ainda que a velocidade, no caso, seja a da luz. 
- Nossa, deve ser demais essa sensação. E eu achando, lá embaixo, que 350 por hora era o máximo da adrenalina.
- E então, podemos contar contigo?
- Deixa eu amadurecer a ideia, a gente vai se falando. Me dá seu chapéu de lembrança do nosso encontro?
- Só se você me der seu capacete. 


* Marcelo Sguassábia é redator publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com (Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com (portfólio).



Eu tento economizar, mas as operadoras não deixam


* Por Gustavo do Carmo


Não foram poucas as vezes que eu vi reportagens em telejornais dando dicas de economia de energia. Entre as banalizadas recomendações de “apagar a luz quando sair do cômodo”, “ligar o ar condicionado com as janelas e portas fechadas”, “não demorar no chuveiro elétrico” e “passar as roupas todas de uma vez”, também aparece desligar a televisão e os receptores de TV a cabo da tomada por causa da luz do stand-by, que gasta energia.
O problema é que fabricantes de televisores e operadoras de TV a cabo e internet não colaboram e, praticamente, obrigam o consumidor a deixar seus aparelhos ligados. Alguns televisores saíam de fábrica podendo ser totalmente desligados, mas somente se você for lá desligar no corpo do aparelho. Raramente, um controle remoto desliga tudo. Porém, ultimamente, até no próprio aparelho fica em stand-by, com aquela luzinha azul ou vermelha gastando energia.
Pior fazem as operadoras de TV a cabo e internet. As primeiras desativam o sinal quando fica muito tempo desligado. Eu mesmo tenho que ligar para a SKY pedindo para atualizar o sinal em Cabo Frio quando fico muito tempo aqui no Rio e vice-versa. A operadora criou um aplicativo para a mesma função, mas meu celular já está quase sem memória e não quero instalar mais um. Não é só a SKY. A NET também faz isso e a antiga TVA fazia também. E antigamente era pior ainda para reabilitar.
Recentemente, contratei a internet banda larga da Oi. Durante a instalação, perguntei ao técnico se eu poderia desligar o modem da tomada de vez em quando. Ele disse que melhor não. Que daria problema no sinal se ficasse desligando toda hora. Não pretendo desligar toda hora, mas pelo menos na hora de dormir. Mesmo assim desobedeci o técnico e... DITO E FEITO!... o sinal demorou para voltar e até caiu algumas vezes. Lá em Cabo Frio acontece a mesma coisa com o modem da West (que na verdade eu comprei).
Os técnicos garantem que os modens e receptores gastam pouca energia. Mas gastam. Quem paga a conta sou eu. Em tempos de escassez de energia e bandeiras na conta de luz é revoltante você ser cobrado pela imprensa para desligar os aparelhos da tomada e sofrer represálias técnicas de operadoras. Parece até que elas ganham comissão das concessionárias de energia. Eu tento economizar, mas não deixam. Cadê a imprensa para falar sobre isso? Parou até de mandar desligar os aparelhos da tomada.


* Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos”.
Bookess - http://www.bookess.com/read/4103-indecisos-entre-outros-contos/ e
PerSe -http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1383616386310



Oferenda


* Por Yeda Prates Bernis


Se eu pudesse fazer um poema
meigo como a brisa das manhãs,
doce como pássaro submisso,
lírico como a flor que desabrocha,

se eu pudesse fazer um poema

onde as palavras perdessem seu sentido
e se transformassem em etéreas formas
em música suave
ou em volátil perfume
que inebriasse,

levar-te-ia, amor,

em oferenda,
este mágico poema

Livro "Entre o rosa e o azul". Rio de Janeiro: Editora O Cruzeiro, 1967.



* Poetisa, membro da Academia Mineira de Letras.
De mais belo?


* Por Verônica Aroucha


Mas o que posso dar a não ser poemas?
Sou tão parecida com eles, se estiveres lendo, sente-me
e se me sentes, meus poemas estarão vivos...

Sei o quanto estou fraca ao dizer-me.

Não consigo mais pegar nas tuas mãos e levar-te
nos meus sonhos ao meu esconderijo

Sinto-me meio partindo, mas ficando...os poemas!



Peço aos anjos que os tragam de volta

para que eu possa ofertar-me um pouco que seja

Nada tenho para oferecer, mais santo, mais vil

mais forte e banal, mais risonho e de tantas lágrimas perdidas
como meus poemas...

Quem sabe o Mar possa ainda jogar

seus espaços espetaculares com lembranças
de uma pequena vida que boiou dando outras vidas...

Meus poemas, é tudo que tenho: são teus!



* Poetisa.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Onze anos, dois meses e vinte e cinco dias de criação.


Leia nesta edição:


Editorial – Necessidade e ideal.

Coluna De Corpo e Alma – Mara Narciso, crônica, “Pavoneagem”

Coluna Verde Vale – Urda Alice Klueger, crônica, “As cores de arroz novo”.

Coluna Em Verso e Prosa – Núbia Araujo Nonato do Amaral, poema, “Ousadia”..

Coluna Porta Aberta – Leonardo Boff, artigo, “Tentativa de explicação da violência: René Girard”.

Coluna Porta Aberta – Frei Betto, artigo, “Autocrítica de esquerda”.

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Livros que recomendo:

Poestiagem – Poesia e metafísica em Wilbett Oliveira” (Fortuna crítica) Organizado por Abrahão Costa Andrade, com ensaios de Ester Abreu Vieira de Oliveira, Geyme Lechmer Manes, Joel Cardoso, Joelson Souza, Levinélia Barbosa, Karina de Rezende T. Fleury, Pedro J. Bondaczuk e Rodrigo da Costa Araújo – Contato: opcaoeditora@gmail.com

Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com

A Passagem dos Cometas” Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Boneca de pano” - Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com

Águas de presságio”Sarah de Oliveira Passarella – Contato: contato@hortograph.com.br

Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.

A sétima caverna”Harry Wiese – Contato: wiese@ibnet.com.br

Rosa Amarela”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Acariciando esperanças”Francisco Fernandes de Araujo – Contato: contato@elo3digital.com.br

Cronos e Narciso”Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br

Lance Fatal” Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br




Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação. 
Necessidade e ideal


As necessidades são as grandes propulsoras da ação. São o fator essencial que nos faz reunir todas nossas forças e capacidades para suprir, da melhor maneira possível, o que precisamos para uma vida confortável, racional e civilizada. Movem-nos, sobretudo, quando são prementes, imediatas e indispensáveis até à sobrevivência. Quando estamos doentes, por exemplo, não podemos perder tempo em “planejar” o tratamento. Temos que sair, de imediato, à procura de ajuda e de remédio, sob o risco de ter a saúde comprometida irremediavelmente e, em casos extremos, de sobrevir a morte. O mesmo vale em relação à fome, à sede etc.

Um ideal, qualquer que seja, é, sim, indispensável para dar direção e, principalmente, motivação, à nossa vida, mas no longo prazo. No curto, temos que satisfazer, antes de qualquer outra coisa, nossas necessidades básicas. E, se tivermos capacidade e preparo para isso, as dos que nos cercam.

Querer realizar alguma coisa que não seja necessária a ninguém é perda de esforço e de tempo. E há tanta coisa de que o mundo necessita, tanta tarefa a ser executada, sem que haja o devido executor, tanto desafio a ser encarado e vencido!

Por que não sermos nós a fazer o que tem que ser feito? O que impede que nos tornemos pioneiros para desbravar determinados campos de atividade e preparar terreno para que outros deem continuidade ao que iniciarmos?

A necessidade, já escrevi certa feita e reitero o que afirmei, é a verdadeira mola propulsora do progresso. Foi por causa dela que o homem aprendeu a produzir o fogo, feito que se constituiu num avanço miraculoso, quer para a sua segurança (ao manter as feras que o ameaçavam distantes da caverna que habitava), quer para a própria saúde, ao aprender a cozer os alimentos e torná-los, dessa forma, mais digestivos, o que teve enorme impacto positivo sobre sua sanidade e longevidade.

Foi ela que levou nossos ancestrais a desenvolverem a agricultura, o que lhes possibilitou estocar comida para períodos de escassez e os fixou, por conseqüência, em determinadas áreas, deixando de ser nômades. Foi, ainda, a necessidade que fez com que aprendessem a construir moradias saudáveis, confortáveis e seguras. Foi ela, também, que lançou as bases da medicina, praticada, de início, de maneira empírica, mediante sucessivas tentativas, corrigindo, de uma para outra, os erros cometidos nas anteriores.

Por isso, queiram ou não, ela é o grande estimulante dos ideais. E como estes tendem a estimular ações, os três fatores se casam para se tornar os reais fundamentos da civilização. Nossos sonhos, dos menores e mais triviais, aos grandiosos e que mais valorizamos, morrem, como as ondas do mar, que se desmancham nas areias das praias. Principalmente, se nos limitarmos, apenas, a sonhar.

Isso não é motivo, porém, para que não os tenhamos. O que não podemos é nos frustrar por não conseguir concretizá-los. Devemos ser, de fato, como as ondas do mar. Se é verdade que morrem na praia e se desmancham na areia, tornam a se reagrupar e vão e vêm, vão e vêm e vão e vêm, num moto-perpétuo, enquanto a Terra existir.

Não deve ser motivo de frustração o fato das asas da alma serem tão curtas e frágeis e não conseguirem alcançar as estrelas. Amanhã, esses sóis tão distantes ainda estarão lá, luzindo no firmamento, e depois de amanhã, e depois, e depois, por anos, décadas, séculos e milênios sem fim.

Os sonhos são como as águas. Se estas forem estagnadas, “morrem”, ficam poluídas e deixam, portanto, de ser saudáveis. Todavia, se forem correntes, se puderem se renovar continuamente, se compuserem ribeirões, riachos, cascatas e grandes rios, estarão sempre eliminando impurezas e, por conseqüência, sendo salubres e vitais. E se forem motivados por necessidades, certamente sairemos em busca da sua concretização, tenhamos ou não competência para isso. Se não a tivermos, daremos um jeito. Não teremos escolha.

Ou, quem sabe, nos esforçaremos para aprender o que for necessário. Ou, o que é mais comum, recorreremos a terceiros, que sejam devidamente habilitados a satisfazer nossas necessidades, arcando, óbvio, com os devidos ônus, ou seja, pagando o preço pelos préstimos recebidos. É assim que as coisas funcionam.

Um dos versos do poema “Palavras ao mar”, de Vicente de Carvalho, ilustra a caráter essa renovação (das águas e dos sonhos). É o que diz:

“Sei que a ventura existe,
sonho-a; sonhando a vejo, luminosa,
como dentro da noite amortalhado
vês longe o claro bando das estrelas;
em vão tento alcançá-la e as curtas asas
da alma entreabrindo, subo por instante.
Ó mar! A minha vida é como as praias,
e os sonhos morrem como as ondas voltam!”.


Morrem, mas podem renascer, sem dúvida, mais vigorosos e belos e em maior quantidade. Mas essa é uma outra história... que fica para uma outra vez...

Boa leitura!



O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk