Permita-se
* Por
Núbia Araujo Nonato do Amaral
Já perdi a conta de
quantas vezes olho á minha volta. Percebo-me, hoje, mais conformada, afinal,
tudo passa. O futuro se revela em doses homeopáticas. A cada despertar, não
planejo, mas alimento sonhos.
Não que eu queira ir a
Marte, mas enterrar sonhos é triste demais. Namoro as estrelas com a mesma
intensidade de quem procura joaninhas, tão raras.
Busco nas nuvens
formas aleatórias com o mesmo olhar de menina que ás vezes me escapole. Aprendi
a ler nas entrelinhas, então, cuidado com o que dizes.
Se sou uma bruxa? Uma
feiticeira? Uma fada? Nada disso, apenas pego pelo rabo aquilo que deixas escapar
e transmuto, transformo, interpreto, ouso e como uma alquimia de bolso, zás! Eis-me
aqui a transbordar enquanto outros viciaram-se em sufocar.
Permita-se.
* Poetisa, contista, cronista e colunista do
Literário
Que belo! Preciso voltar a transbordar.
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