sábado, 15 de agosto de 2009




Para quê livros?

* Seu Pedro

No “Dia Nacional do Livro e da Biblioteca” fico a me indagar: Qual a serventia dos livros? E mais ainda, qual a utilidade das bibliotecas? Há quem diga que livros só seriam indispensáveis se não houvesse a Internet. Alegam que custam caro são para tão poucos leitores. Realmente, se tivéssemos como ler um livro por hora, a cada doze horas do dia, sem folgar aos domingos, cento e vinte anos de vida seriam pouco. E falo de bons livros, descartando os de bang-bang e outros de bolso para entretenimento e ainda os de auto-ajuda, quase sempre copiados uns dos outros.

Os livros não mudam o mundo. As pessoas que os lêem é que mudam o mundo. Segundo informações, o líder do PCC, o traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, que cumpre pena de 44 anos de reclusão, é um dos presos mais dedicado à leitura. Conhece, literalmente, de cor a obra de Dante Alighieri, escritor italiano que foi muito mais do que apenas um literato: redigiu um poema de viés épico e teológico, “La Divina Commedia”, que se tornou a base da língua italiana moderna. Assim como Dante foi responsável pela transformação na escrita, “Marcola” diz que o tráfico e a bandidagem vão transformar o mundo. Ele também lê livros de táticas de guerrilhas e outros.

Existem livros sobre tudo e de todos os tamanhos possíveis. Certa ocasião estive em uma exposição de pequenos livros – só em tamanho – que tinha como destaque o menor livro do mundo. Com 5 milímetros, o livro é pouco maior que um grão de arroz. Em paradoxo, embora seja o menor livro do mundo, pode ser considerado grande, mesmo fechado, pois se torna o livro mais visitado do mundo. Todos querem vê-lo. Não mantenha um livro fechado. Dizem que causa burrice. Livro é para ser visitado, lido e gasto com os olhos e mente. Felicidades trazem os livros que têm páginas ensebadas de tantos dedos que já os folhearam.

Não temos os números do ano de 2008, mas os lançamentos já devem ter superado os de 2007, ano em que só o Brasil produziu 351 milhões de livros. Isto fora aqueles que são impressos em gráficas locais, em pequenas quantidades, e pelo próprio autor. É um mercado que cresce a cada ano, mesmo com as estrondosas vendas de computadores, e do fácil acesso à Internet. Mas as bibliotecas? Elas são os hotéis onde se hospedam os ilustres livros e a sábia literatura, formando um par perfeito. Minha biblioteca é pequena, não mais do que trezentos belos exemplares. Mas para que servem as outras bibliotecas se não para quando eu precisar ir até elas?

(*) Seu Pedro é o jornalista Pedro Diedrichs, editor do jornal Vanguarda, de Guanambi, Bahia.


Um comentário:

  1. Os livros como os concebemos deverão desaparecer, mas o interesse pelo pensamento do outro não deverá ter o mesmo fim. O homem é um ser gregário, que gosta de viver em comunidade, ouvir o outro e no caso da linguagem escrita, esse pensamento viaja pelo mundo. É muito intrigante saber que escrevemos um simples texto e ele ganha o mundo pela internet. Nem conseguimos imaginar como ele pode emocionar e mudar momentos e pessoas. É muito bom ler!

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