A chave de todo o conhecimento humano
A Matemática é a origem e, simultaneamente, a conseqüência de
todo o conhecimento humano. Sem ela, não existiriam as ciências, o progresso e
muito menos a civilização. Acompanha, praticamente, o homem, desde que este
tomou consciência de si e do universo em que estava inserido. Ela é a “chave”
para desvendarmos todos os mistérios. É o “mapa da mina” para entendermos, e
modificarmos ao nosso favor, a natureza. Sem ela, não haveria nenhuma forma de
organização. Talvez nossas espécie já estaria, até mesmo, extinta.
Sem a Matemática, o animal homem ficaria restrito à sua
animalidade, como qualquer outra fera bronca, sem se diferenciar em nada dos
demais seres viventes. Seria impedido de exercitar sua característica
distintiva e nobre, a razão, que o faz ser o “rei da natureza”, embora seja tão
frágil fisicamente como é. Exagero? Longe disso. Afinal, a Matemática trata-se,
ao fim, e ao cabo, da “ciência do raciocínio” lógico. Embora seja abstrata,
calcada exclusivamente em símbolos, caracteriza-se por sua extrema praticidade.
Estuda e define, entre outras tantas coisas, quantidades, medidas, espaços,
estatísticas, variações, estruturas etc.etc.etc.
Sem a Matemática, inúmeras atividades que nos são essenciais
certamente nem mesmo existissem. Cito, entre outras, a engenharia, a física, a
química, a biologia, a medicina, a astronomia e as ciências sociais, das que
vêm assim de imediato à mente. E quando o homem descobriu essa “varinha mágica”,
essa “chave” que lhe permitiu acesso a todo o vastíssimo conhecimento que tem?
É impossível de sequer especular. Afinal, conforme sólidas evidências, foi
estabelecida um par de milênios antes da invenção da escrita, o que
impossibilitou que houvesse
qualquer registro a respeito. Remonta, todavia, à remotíssima pré-história,
quando nosso primitivo e rústico ancestral aprendeu a contar quantidades de
objetos, por meios abstratos, inventando os símbolos dos números para contabilizar,
também, o tempo: dias, semanas, meses, estações e anos. A aritmética, aquela
comezinha e elementar que utilizamos no dia a dia,, desenvolveu-se quase que
naturalmente, com a elaboração do conceito das quatro operações básicas:
adição, subtração, multiplicação e divisão.
Se não é possível sequer especular sobre “quando” o homem “descobriu”
a Matemática – suponho que por pura intuição – a arqueologia permite, pelo
menos, comprovar que se trata de descoberta antiqüíssima, que remonta ao
paleolítico, à era da pedra lascada. Como? Mediante o que ficou conhecido como
o “Osso de Ishango”, encontrado em 1960, na região que lhe empresta o nome, na
fronteira entre Uganda e a atual República Democrática do Congo (que já foi Congo
Belga na era colonial e chamada, também, de Zaire, algum tempo atrás). A zona
em que essa preciosidade foi encontrada fica nas imediações da nascente do Rio Nilo, no
Lago Eduardo. O arqueólogo que a encontrou foi o belga Jean de Heinzelin de
Braucourt.
E por que o tal “Osso de Ishango” é tão importante para
determinar que nosso remotíssimo ancestral das cavernas já conhecia (e se
utilizava rotineiramente) da Matemática? Porque esse objeto é nada menos que
rústica, posto que engenhosa, máquina de calcular. É, pois, uma espécie de “computador”
daquela época. Trata-se de longo osso castanho (a fíbula de um babuíno) com um
pedaço de quartzo afiado incrustado em uma ponta. Conta com uma série de traços
talhados, divididos em três colunas, ao longo de seu comprimento. Esse
instrumento permitia que as pessoas fizessem operações básicas, como adições,
subtrações, multiplicações e até mesmo divisões. Mas o mais assombroso é o fato
de quando data essa “máquina de calcular”. Testes de Carbono-14, que são
praticamente infalíveis, dão conta que o “Osso de Ishango” tem por volta de 20
mil anos!!! Isso comprova que o homem é muitíssimo mais antigo do que ousamos
supor.
Essa preciosidade integra, hoje, o acervo do Real Instituto
Belga de Ciências Naturais, em Bruxelas, na Bélgica. Não se trata, todavia, de ferramenta
única do tipo e nem a mais antiga. Há, por exemplo, uma tíbia de lobo, com 57
traços, agrupados em cinco grupos, descoberta na atual República Checa em 1937,
que tem (pasmem!) 32 mil anos!!!E Ela não é, também, a “máquina de calcular”
mais antiga. Perde para o “Osso de Lebombo” (igualmente uma fíbula de babuíno)
cheio de traços e colunas, descoberto na Suazilândia, que o teste do Carbono-14
determinou que tem 35 mil anos!!! O mundo seria o que é, em termos de avanço,
em todos os campos de atividade, sobretudo no das ciências e da sua derivada
sumamente prática, a tecnologia, sem a Matemática? Ora, ora, ora... Como?!!!!
Boa leitura!
O Editor.
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Eu desconhecia a existência dessas preciosidades.
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