Estou cansado de sentir medo
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Sinto que vão invadir
a casa a qualquer momento, mesmo fechando as janelas e as portas, diferentes
sons entram pelas frestas e as vidraças vibram. A cada ano que passa, eles
dominam cada vez mais o espaço e sinto saudade do tempo de criança que não
volta: dias longos e serenos.
Hoje, tudo é rápido
demais. O cachorro rosna, será alguém a caminhar no quintal? Lembro-me que li
um conto de um escritor argentino (qual será o nome dele mesmo?), recordo,
Júlio Cortázar. (Agora, o título do conto?). Deixa procurar no google ...
Achei, Casa tomada narra a história de dois irmãos solteiros que vivem numa
casa ampla, espaçosa, velha e cheia de lembranças dos seus antepassados.
O protagonista é quem
narra a história dele e sua irmã, Irene. Meu Deus, como este conto me assombra,
principalmente, por experimentar um caso semelhante! Lógico que vivo num
contexto completamente diferente, mas, a sensação de meu mundo particular ser
tomado por um turbilhão lá fora é angustiante do mesmo jeito.
Até, tive um sonho (ou
será que foi um miniconto que escrevi há anos?) de ser um passarinho fugido da
gaiola e que foi devorado por um gato, entretanto, vi pelos olhos do felino a
visão do céu infinito.
Talvez, se for embora
para uma mata fechada e ter um encontro com uma onça, veja no reflexo de seus
olhos meu paraíso, o retorno do tempo perdido.
O cão late sem parar,
olho pela janela e vejo um gato enorme a olhar fixamente para mim. Ouço passos
estranhos pela casa e, de repente, sinto que a casa está parecida com a de
quando era criança. Tenho a impressão de escutar meus pais me chamando ao
longe.
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
Acorde que é um sonho! Ficou interessante essa mistura de tempos.
ResponderExcluir