sábado, 5 de maio de 2018

Azul de maio - Flora Figueiredo


Azul de Maio

* Por Flora Figueiredo

Maio não conta
aos outros meses
o segredo de seu azul.
Sempre que vem,
traz consigo
tetos lisos e claros,
de cromatismo raro:
índigo, safira, cobalto e anil.

Esse azul,
que suspira e sonha alto,
adorna maio
com tez de porcelana,
onde a luz deliciada
põe seu beijo.
Ao findar do dia,
ele retira
seu reinado,
pintando de genciana
a tarde de azulejo. 


Poetisa, cronista, compositora e tradutora, autora de “O trem que traz a noite”, “Chão de vento”, “Calçada de verão”, “Limão Rosa”, “Amor a céu aberto” e “Florescência”; rima, ritmo e bom-humor são características da sua poesia. Deixa evidente sua intimidade com o mundo, abraçando o cotidiano com vitalidade e graça - às vezes romântica, às vezes irreverente e turbulenta. Sempre dentro de uma linguagem concisa e simples, plena de sutileza verbal, seus poemas são como um mergulho profundo nas águas da vida. 



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