Programa de índio
* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral
Vamos ao Shopping?
- Eba! – gritaram os sobrinhos. Sabem como é, o lanche é inevitável. Suspirei fundo e lá fui. De início foi tranquilo até o
bando cismar de entrar numa loja especializada em tranqueiras para o lar. Não
sei pra quê! Tudo caro, mas a minha irmã queria porque queria.
Tudo muito bonitinho, formoso e oneroso. De repente escutamos um baque e uma peça de vidro foi ao chão. Minha sobrinha me pareceu ser a meliante pois estava mais próxima do local do evento.
Foi uma debandada geral, todos fugiram do flagrante! Quando
alcançamos a saída, minha sobrinha, de bico formado, declarava a plenos pulmões
a sua inocência.
Porém, faltava alguma coisa... não atinamos até nos dar conta de que uma das comparsas, alheia ao sinistro, se perdera dentro da loja.
Com o grupo reorganizado passamos em frente a uma loja e eu percebi claramente que a vendedora me olhava com uma certa malícia.
A menina não se deu por vencida e só faltou me
arrastar para a loja! A referida loja era para tamanhos especiais, pomposamente
chamada de plus size.
Fiquei indignada com o assédio da menina.
- Cacete! Gorda não pode passear sossegada!
Minhas sobrinhas choravam de rir da minha cara, inclusive a bicuda. Lógico que toda essa revolta foi forjada na sacanagem, na gozação. Sair com o meu povo é diversão na certa. Pagamos micos juntas, pra no final, chorarmos de tanto rir.
* Poetisa, contista, cronista e colunista do
Literário
Mas a loja exigiu o pagamento da peça estilhaçada?
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