Conforto e bem-estar
O ambiente de trabalho é fator
importante para a saúde e o bem-estar do trabalhador e, por conseqüência, para
a sua produtividade. Até não faz muito, as empresas não se preocupavam com esse
fator. Pensavam, apenas, em lucros crescentes e imediatos, no curto prazo.
Pouco se importavam se a mão de obra que tocava sua atividade corria ou não
riscos de contrair doenças incapacitantes causadas pelo trabalho. Se o operário
ficasse doente, por causa da atividade que exercia, contratavam outro e
tocava-se a vida.
Hoje, isso mudou. E não, propriamente,
em virtude de súbito ataque de consciência dos capitalistas que gerem esses
negócios. Evoluiu, para melhor, em decorrência de já extensa legislação a
respeito. Estamos, claro, ainda muito distantes do ideal, mas a evolução foi
sensível e louvável. Hoje há maior preocupação com o ambiente de trabalho, com
a quantidade de ruídos, com o peso que um trabalhador tenha que levantar, com
iluminação etc.
Estes fatores, de conforto e bem-estar,
valem, também, para quem escreve profissionalmente. Não me refiro a quem faça
algum texto ocasional, sem nenhuma obrigatoriedade, mas aos que despendem oito,
dez e não raro catorze horas contínuas de redação.
Estes requerem todo o cuidado possível
com escrivaninhas (ou bancadas de computador), cadeiras e outros equipamentos,
respeitando-se a questão ergonométrica, ruídos etc. Outra cautela que se deve
ter (a principal) é com a saúde dos olhos. Ou seja, a iluminação tem que ser a
adequada, para que não se prejudique a visão do redator.
Não se recomenda, por exemplo, que ele
fique por mais de uma hora seguida à frente do computador. Manda o bom senso
que faça pausas de dez a quinze minutos, após esse período, para descanso dos
olhos. Há vários exercícios que facilitam isso. Um deles, é o de olhar,
fixamente, para um determinado ponto, por alguns minutos, para que as pupilas
possam se descontrair.
Escrever não deve e nem precisa ser
nenhuma sessão de tortura. Quanto mais confortável o redator se sentir, maior
será sua capacidade de concentração e, por conseqüência, melhor haverá de ser a
qualidade do seu texto (isto, se for, realmente, do ramo, dotado do talento,
criatividade e técnica que a atividade requer).
Quando um escritor vai escrever um
romance, por exemplo, precisa montar toda uma estratégia de produção,
estipulando horários para leitura, pesquisa e textos, para ter êxito na
empreitada. Não raro, será uma jornada de pelo menos seis meses contínuos e,
quanto mais prazeroso for o ato de escrever, maiores chances ele terá de
produzir obras consistentes, preciosas e duradouras.
Estão longe os tempos (felizmente) em
que os livros eram todos feitos a mão, por esforçados “copistas” (em geral,
monges). As edições raramente chegavam a cem exemplares e consumiam anos de
trabalho não somente do autor, mas dos que as reproduziam, com letras
caprichadas e artísticas e belas encadernações.
A invenção de Johann Guttenberg foi,
pois, uma das maiores revoluções (industriais e por extensão, espirituais) de
todos os tempos. Possibilitou, entre outras coisas, o acesso de qualquer pessoa
ao livro e, por conseqüência, a um vastíssimo universo de conhecimento e
experiência humanos.
Escritor amigo, não faça da sua
atividade um eventual instrumento de tortura. Cuide da sua saúde, seu maior
patrimônio. E escreva, escreva sempre e muito, cada vez mais e melhor, mas com
conforto, bem-estar e segurança. E, sobretudo, com prazer.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
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