A
lenda do amor
* Por
Sônia Valério da Costa
Era
uma vez, o amor… morava numa casa repleta de estrelas e enfeitada
de sol. Luz não havia na casa do amor, afinal, a luz era o próprio
amor.
Certa
vez o amor quis construir uma casa mais linda para si. Então fez a
terra, e na terra fez a carne, e na carne soprou a vida e na vida
imprimiu a imagem de sua semelhança. E chamou a vida de homem. E,
dentro do peito do homem, o amor construiu sua casa, pequenina, mas
palpitante, inquieta e insatisfeita como o próprio amor. E o amor
foi morar no coração do homem. E coube todinho lá dentro porque o
coração do homem foi feito do infinito.
Uma
vez…. o homem ficou com inveja do amor. Queria para si a casa do
amor, só para si. Queria a felicidade do amor, como se o amor
pudesse viver só. Então o amor foi-se embora do coração do homem.
O
homem começou a encher seu coração; encheu-o com todas as riquezas
da Terra e ainda ficou vazio. (Ele sempre tinha fome). E
continuava com o coração vazio.
Uma
vez… o homem resolveu repartir seu coração com as criaturas da
Terra. O amor soube…vestiu-se de carne e veio também receber o
coração do homem.
Mas
o homem reconheceu o amor e o pregou numa cruz. E continuou a
derramar suor para ganhar a comida. O amor teve uma idéia: Vestiu-se
de comida, se disfarçou de pão e ficou quietinho…
Quando
o homem ingeriu a comida, o amor voltou à sua casa, no coração
do homem. E o coração do homem se encheu de plenitude.
*
Bibliotecária
e escritora.
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