Lá fora é Primavera
* Por Arita Damasceno Pettená
É sombra que parou no
meio da jornada como o crepúsculo que surgiu, em certa tarde,
e que chorou sentindo a agonia do seu pôr-do-sol.
E a gente olha ao longo do horizonte acinzentado e diz com ares de ternura aposentada:
-- Lá fora é primavera
e há tanto inverno aqui dentro de mim!
Então a atenção da gente se volta para as folhas e para as flores e para a natureza em festa. E a primavera, em coloridos tantos, envia ao espírito conturbado a mensagem acalentadora de sua renovação.
E a gente começa a crer, de novo, naquilo que Longfellow dizia do seu dia chuvoso que: “atrás de nuvens espessas, embora não o vejamos, há sempre um sol escondido para o dia de amanhã”.
E assim, quando eu perguntei às rosas perfumadas que era feito de meus sonhos, qual o destino de minhas ilusões, elas apontaram-me o caule de onde vinham, como a dizer que a gente é como as estações do ano. Que há dias de inverno e primavera em nossas vidas para que saibamos dar, no tempo da invernada, o valor real da estação das flores.
Espelhamo-nos, pois, na natureza mestra para aprender com ela que, para haver flores e para haver rosas, que para haver inverno e para haver primavera, é preciso que haja uma sucessão lógica de coisas inevitáveis.
E depois, aprendida a lição, digamos juntinhos, ainda que o coração aos soluços: LÁ FORA É PRIMAVERA
E TAMBÉM AQUI DENTRO DE MIM!
Trechos da
crônica.
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Arita Damasceno Pettená é poetisa, professora, escritora e membro da Academia
Campinense de Letras.
Uma lição e tanto numa bela poesia.
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