Habeas Corpus para o Brasil
* Por
Urariano Mota
As notícias da mais
recente quinta-feira anunciaram que Lula havia pedido à justiça um habeas
corpus preventivo para não ser preso na Operação Lava Jato, se o juiz federal
Sergio Moro decidisse prendê-lo. Depois, corrigiram, porque não havia sido
Lula, mas um esperto da reação que desejou ganhar um minuto de fama. Conseguiu.
Observem que o
espertinho atuou no reino das possibilidades, cada vez mais próximas de uma
concretização, porque os atos do juiz Moro se dirigem para a prisão da maior
liderança popular do Brasil. Existe um ambiente, criado na mídia e na direita,
para que se consiga a desmoralização do homem que levou nossa pátria ao
respeito do mundo, e fez do governo brasileiro um companheiro ativo dos
presidentes à esquerda na América Latina.
Mas o fato é que
precisamos mesmo de um habeas corpus, urgente, para o Brasil. Precisamos de uma
ação contra os desmandos do juiz Sérgio Moro, que têm levado empresas
brasileiras à quebradeira, com demissões em massa de trabalhadores. Esse boneco
de ventríloquo dos interesses contra a pátria tem implantado um terror
macartista contra o papel da Petrobras. É um indivíduo enfim, numa palavra, que
tem mergulhado nas trevas os projetos mais generosos de educação com os
recursos do pré-sal.
Em um dia não muito
distante, ainda vamos conhecer a verdadeira história desse que chamam de juiz
Sérgio Moro, que usa de métodos à margem da constituição federal, além de
expedientes que fedem a fascismo. Enquanto esse dia não vem, podemos juntar 2
ou 3 coisas sobre o juiz preferido pela extrema-direita do Brasil.
No seu perfil na
Wikipédia, entre outras coisas podemos ler: :
“Sérgio Moro foi alvo
de procedimentos administrativos no CNJ por conta de sua conduta, considerada
parcial e até incompatível com o Código de Ética da Magistratura. ... Entre as
reclamações, há o caso em que ele mandou a Polícia Federal oficiar a todas as
companhias aéreas para saber os voos em que os advogados de um investigado
estavam. ... No STF, o ministro Celso de Mello em seu voto referiu-se a ‘fatos
extremamente preocupantes’, como ‘o monitoramento de advogados’ e o
‘retardamento do cumprimento de uma ordem emanada do TRF-4’. Celso de Mello em
seu voto fez críticas diretas à atuação do magistrado: ‘O interesse pessoal que
o magistrado revela em determinado procedimento persecutório, adotando medidas
que fogem à ortodoxia dos meios que o ordenamento positivo coloca à disposição
do poder público, transformando-se a atividade do magistrado numa atividade de
verdadeira investigação penal. É o magistrado investigador.’
Em outro caso,
determinou a gravação de vídeos de conversas de presos com advogados e até
familiares por causa da presença de traficantes no presídio federal de
Catanduvas (PR)....Para a OAB, as gravações eram feitas sem base em qualquer
indício de crime, ou sequer investigação em curso. Durante a investigação do
Caso Banestado, na execução da operação Big Brother, o juiz autorizou a
interceptação de telefone de um réu renovada por 15 vezes em 2005, embora a Lei
das Interceptações Telefônicas só autorize grampos de 15 dias de duração,
renováveis uma vez”.
Recupero de pesquisa:
o procedimento que ele adota, e que lhe serve de prova definitiva, chamado de
“delação premiada”, já foi denunciado como uma delação à la carte pelo
criminalista Elias Mattar, de Curitiba. Ou seja, oferta-se ao acusado uma lista
de pessoas a serem denunciadas em troca
de redução de pena. E afirmou o criminalista:
“Um meu cliente, ora
inocentado e reconduzido ao cargo que tinha na Receita Federal, era acusado de
um caso que envolvia exportação fraudulenta. Na Polícia Federal do Paraná, na
cela, ele era procurado, sobretudo por agentes e delegados, que o pressionavam
psicologicamente, perguntando ‘Diga quem está por trás de tudo, diga!!!!!’ Ele
não tinha a quem delatar, mas o pressionaram tanto que escrevi ao ministro da
Justiça. Até que um dia meu cliente me disse na cela ‘Diga para eles pararem de
me pressionar porque não tenho a quem delatar, mas se eles continuarem, podem
trazer uma lista de nomes que assino embaixo, porque não aguento mais essa
tortura na cela da PF”.
Além disso, advogados
acusam Sérgio Moro de criar obstáculos para a defesa, de forma mesquinha, ao
atrasar o conhecimento, pelos advogados de defesa dos réus, das palavras
incriminadoras dos delatores. Como podem
ter tempo para a defesa dos seus representados?
Esse é um ardil que contraria
todas as constituições brasileiras até hoje. Segundo os defensores, as
audiências com advogados de defesa dos réus têm um caráter meramente simbólico.
Nos processos de que temos notícia, a culpa vem antes da investigação.
Prende-se antes, investiga-se com o réu preso. Com os amigos, o juiz se refere
ao ex-presidente Lula como “Nine”, nove, em inglês, para fazer gozação com os
nove dedos das mãos da maior liderança do povo brasileiro.
Mas o que está ruim
sempre pode ficar pior. Com esses antecedentes, para infelicidade geral da
nação existe mais. Na Operação Lava Jato se pediu ajuda aos Estados Unidos para
investigar as duas das maiores empresas do Brasil – Odebrecht e Andrade
Gutierrez. O que é isso? É a entrega da soberania à polícia do mundo, mais
conhecida como a paz norte-americana, queremos dizer, os interesses dos Estados
Unidos, cuja águia de símbolo é também a expressão de animal de rapina.
Temos que desmascarar
urgente a falsidade desse instrumento de atraso, mais conhecido pela expressão
“juiz Sérgio Moro”. Ele, associado às piores forças, quer encarcerar o
desenvolvimento do país. Urgente.
Precisamos de um habeas corpus em favor do Brasil.
*
Escritor, jornalista, colaborador do Observatório da Imprensa, membro da
redação de La Insignia, na Espanha. Publicou o romance “Os Corações
Futuristas”, cuja paisagem é a ditadura Médici, “Soledad no Recife”, “O filho
renegado de Deus” e “Dicionário amoroso de Recife”. Tem inédito “O Caso Dom Vital”, uma sátira ao
ensino em colégios brasileiros.
A ruptura de hoje de Eduardo Cunha com o Governo foi gesto para enfraquecer o atualmente impopular Governo Dilma Rousseff, abrindo caminho para a não governabilidade e o golpe tramado por partes do PSDB. Espero que o bom senso prevaleça.
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