quinta-feira, 16 de julho de 2015

Era...


* Por Emanuel  Medeiros Vieira


(OUVINDO “JESUS, ALEGRIA DOS HOMENS”, DE JOHANN SEBASTIAN BACH)


PARA CLARICE E PARA LUCAS – E PARA AS CRIANÇAS DO BRASIL


“Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Apesar de todas as consequências”.(Osho – 1931–1990)


Era tudo ao contrário. Seria tudo melhor? O Sagrado estava no mundo, e andávamos todos sem medo. Não, não há bichos pré-históricos, nem história há. Mas não havia matanças, obuses, morteiros pernas arrebentadas, a cobiça maior, tantas guerras- – o poder é tudo. (Eu sei: sempre houve. Mas preciso “mentir” para ser “sincero” no que escrevo).

Reservo-me ao direito de por hoje – só por hoje – de ser ingênuo. E de repactuar-me comigo mesmo, com os outros, com o cosmos. (Tudo anda tudo tão melancolicamente grave e desgraçado. Mas abraçamos a vida – intensamente).  Eu sei: vivemos numa época de absoluta regressão ética.

O mundo era outro, havia risos – era tudo sonho. “Saudosista – dizes que tudo era melhor porque já passou”, adverte-me um promotor interno. Hoje não, por favor: nada de  narrativas estilhaçadas – quando todo mundo morre no final.

Um piquenique, campinhos de futebol, praias limpas, morros onde podíamos andar à noite, e o melhor de tudo: não tínhamos medo. Ou não? Não sei. Sim: tínhamos outros medos.

Termino com Carl Gustav Jung (1875–1961): “O sentido torna suportável uma grande parte das coisas – talvez tudo. Ele nos conecta com a realidade, inunda as trevas com luz e nos faz atravessar o sofrimento.”

(Salvador, junho de 2015)

* Romancista, contista, novelista e poeta catarinense, residente em Brasília, autor de livros como “Olhos azuis – ao sul do efêmero”, “Cerrado desterro”, “Meus mortos caminham comigo nos domingos de verão”, “Metônia” e “O homem que não amava simpósios”, entre outros. 


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