segunda-feira, 3 de abril de 2017

Só um sonho


* Por Núbia Araujo Nonato do Amaral


O sol batia em meu rosto que, insistente, me obrigava a abrir os olhos. Era domingo e o cheirinho de café impregnava a casa. Meu pai acabara de chegar com os pães quentinhos, todos bem moreninhos e crocantes.

O dia era tão especial que até presunto tinha, mas dele não senti nem o cheiro, Quidinho, nosso gato, havia comido quase tudo. Minha mãe voou com a tábua de carne em cima dele, mas o bichinho de pança cheia deu no pé. Nem mesmo ela conseguiu segurar o riso.

O almoço já estava a meio caminho andado,  galinha ao molho pardo e macarronada. A pele da galinha nós disputávamos aos tapas, pois, tostada, era uma delícia. Hoje em dia é um veneno.

Depois do almoço resolvemos brincar de trivias, um jogo de perguntas e respostas, essa era a parte mais divertida do dia, pois minha mãe roubava escancaradamente e com a cara mais deslavada do mundo.

No final do dia lá foi ela para o sofá com o seu tecladinho que  tocava de ouvido, não conhecia uma nota musical sequer. Eu me deitei no  chão e acabei adormecendo ao som de seus acordes.

- Buba! Acorda! Buba...

Acordei com o som de sua voz sumindo. Foi um sonho. Levantei-me do sofá, verifiquei se a casa estava fechada e apaguei as luzes. Fui para a cama, mas ainda podia ouvir sua voz  doce ecoando em minha mente e nas lembranças.

·        Poetisa, cronista e contista


Um comentário:

  1. As mães desaparecem, mas continuamos tendo o consolo dos sonhos.

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