segunda-feira, 31 de março de 2014

O negro crucificado

* Por Talis Andrade

No Novo Mundo descoberto
como oportunidade de fuga
o que existia de belo
não tardou devastado

A floresta sagrada
pelas patas dos cavalos
pela força do machado
pelo fogo das queimadas
não tardou transformada
em campos de pastagem

O monótono uniforme verde
dos infinitos campos
da monocultura esconde
silenciosas sepulturas
em que os colonos dormem
invejado sono

Ilimitados campos
em que os índios
foram caçados
e escalpados

Ilimitados campos
em que os negros
foram queimados
nas cruzes
da Ku Klux Klan
Na terra ensanguentada
como soterrar com as cinzas
os antigos ódios
as antigas vítimas
como não lembrar


* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).


Um comentário:

  1. Os métodos são outros, mas tudo continua como antes. E doi.

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