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Pessimismo alienante
A vida das grandes metrópoles, nesta época especial da História, quando estamos no limiar da segunda década do terceiro milênio da Era Cristã, é caracterizada pela angústia. Torna-se cada vez mais raro surpreender-se alguém com um sorriso de genuína satisfação nos lábios.
O cotidiano é composto por correrias, preocupações com contas, luta por uma posição melhor, verdadeira batalha, por esse lema extremamente vago e de sentido ambíguo, que se denomina “vencer na vida”. Para cada pessoa, isto tem um significado diferente. Os meios de comunicação, por outro lado, a pretexto de pintarem o quadro do que se convencionou classificar de realidade, passam, na verdade, mensagens negativas.
Entendem, certos profissionais, que a comunidade está ávida somente por notícias ruins; por crimes, escândalos, aberrações sexuais e outras tantas distorções de comportamento do animal homem. Só o negativo é manchete. Por quê? Dificilmente alguém conseguirá explicar isto de maneira plausível.
Será que a vida é caracterizada apenas por atos nefastos, por desastres naturais ou provocados, por lágrimas, sofrimentos, dor? Não deveria haver um equilíbrio na informação de desgraças, com atos abnegados e esforços desprendidos? E estes últimos existem, caso contrário, se o mundo, a vida, a realidade que nos cerca fossem constituídos apenas de infelicidades e aberrações, em pouco tempo, nada mais existiria. Ninguém suportaria tanta tragédia.
A pretexto de evitarem a alienação, determinados meios de comunicação, na verdade, alienam seus consumidores do lado positivo da existência. Suprimem informações que deflagrem a alegria de viver nas pessoas. Daí estar surgindo uma nova doença – que talvez, até, existisse antes, mas que somente agora surge à tona e vem afetando um número crescente de indivíduos – que é a síndrome do pânico.
Especialistas estimam que tal problema já atinja a 2% da população. Há quem eleve essa cifra para 5%. Trata-se, pois, de um universo significativo de afetados. A difusão da filosofia do pessimismo, do catastrofismo, do negativismo, certamente tem muito a ver com este mal, se não tudo.
A realidade é muito complexa para ser retratada. Cada um tem uma, que é própria, de acordo com o meio em que vive, a educação que teve, as oportunidades que lhe foram proporcionadas. Passar a toda a população a idéia implícita de que tudo está perdido, de que o mal tende sempre a prevalecer, de que a humanidade caminha, inexoravelmente, para a catástrofe, não passa de um conto da carochinha.
É o outro extremo da atitude alienada e alienante de se divulgar que tudo é róseo, maravilhoso, espetacular. O correto, a mais simples das lógicas diz, é o tempero, o equilíbrio, o meio-termo.
Boa leitura.
O Editor.
A vida das grandes metrópoles, nesta época especial da História, quando estamos no limiar da segunda década do terceiro milênio da Era Cristã, é caracterizada pela angústia. Torna-se cada vez mais raro surpreender-se alguém com um sorriso de genuína satisfação nos lábios.
O cotidiano é composto por correrias, preocupações com contas, luta por uma posição melhor, verdadeira batalha, por esse lema extremamente vago e de sentido ambíguo, que se denomina “vencer na vida”. Para cada pessoa, isto tem um significado diferente. Os meios de comunicação, por outro lado, a pretexto de pintarem o quadro do que se convencionou classificar de realidade, passam, na verdade, mensagens negativas.
Entendem, certos profissionais, que a comunidade está ávida somente por notícias ruins; por crimes, escândalos, aberrações sexuais e outras tantas distorções de comportamento do animal homem. Só o negativo é manchete. Por quê? Dificilmente alguém conseguirá explicar isto de maneira plausível.
Será que a vida é caracterizada apenas por atos nefastos, por desastres naturais ou provocados, por lágrimas, sofrimentos, dor? Não deveria haver um equilíbrio na informação de desgraças, com atos abnegados e esforços desprendidos? E estes últimos existem, caso contrário, se o mundo, a vida, a realidade que nos cerca fossem constituídos apenas de infelicidades e aberrações, em pouco tempo, nada mais existiria. Ninguém suportaria tanta tragédia.
A pretexto de evitarem a alienação, determinados meios de comunicação, na verdade, alienam seus consumidores do lado positivo da existência. Suprimem informações que deflagrem a alegria de viver nas pessoas. Daí estar surgindo uma nova doença – que talvez, até, existisse antes, mas que somente agora surge à tona e vem afetando um número crescente de indivíduos – que é a síndrome do pânico.
Especialistas estimam que tal problema já atinja a 2% da população. Há quem eleve essa cifra para 5%. Trata-se, pois, de um universo significativo de afetados. A difusão da filosofia do pessimismo, do catastrofismo, do negativismo, certamente tem muito a ver com este mal, se não tudo.
A realidade é muito complexa para ser retratada. Cada um tem uma, que é própria, de acordo com o meio em que vive, a educação que teve, as oportunidades que lhe foram proporcionadas. Passar a toda a população a idéia implícita de que tudo está perdido, de que o mal tende sempre a prevalecer, de que a humanidade caminha, inexoravelmente, para a catástrofe, não passa de um conto da carochinha.
É o outro extremo da atitude alienada e alienante de se divulgar que tudo é róseo, maravilhoso, espetacular. O correto, a mais simples das lógicas diz, é o tempero, o equilíbrio, o meio-termo.
Boa leitura.
O Editor.
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Repito que as grandes emoções acontecem nos extremos, daí a existência dos esportes radicais. Quando a vida cotidiana não libera altas doses de adrenalina, salta-se de paraquedas, não uma vez, mas inúmeras. Ainda assim, o meio termo, a vida morna e equilibrada é o que se preconiza. Dever ser por isso que as manchetes que causam engulhos dão mais IBOPE do que as boas notícias. Você está certo na sua argumentação. Se os fatos bons não fossem prevalentes, já não estaríamos aqui como espécie. O catastrofismo é tão presente, que quando se fala em desejos de Natal e ano-novo, os descrentes no ser-humano falam em mentira e fingimento. Será isso mesmo?
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