segunda-feira, 23 de janeiro de 2012







Enladeiradas ruas

* Por Talis Andrade

Subindo
colinas
e ruas
as meninas
engrossam
as pernas
Descendo
colinas
e ruas
as meninas
entortam
os pés

Cabisbaixas
as meninas
passam
levando
terço
e missal
Em Olinda
cada rua
tem começo
em uma igreja

Fardadas
de azul
levando
cadernos
e livros
as meninas
espairecem
nos caminhos
das escolas
Nas escolas
dos monges
e freiras
não se sabe bem
o que se ensina
o que se aprende
A vida em Olinda
se inteira nas praças
se doutrina nas ruas

Toda menina deseja desfilar
pelas tortas ladeiras
como porta-bandeira
Sonho fácil a conquistar
Cada casa em Olinda
virou sede de troça
Cada casa em Olinda
trocou a imagem benta
de um santo
por um boneco gigante

Em Olinda
em cada beco
um bloco
Em cada rua
um clube
As meninas se espalham
pelas praças e paços
Em Olinda
não falta espaço
para o passo do frevo

* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).

2 comentários:

  1. As ladeiras são adequadas para engrossar as pernas, mas não para dançar frevo. No entanto dançam-se muito bem. Mesmo nas ladeiras.

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  2. Vejo o frevo nas ruas enquanto as sombrinhas
    se embolam misturando cores e pernas.
    Abraços

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