Minha Ghost Writer
* Por
Leandro Barbieri
Foi
na mesa de um boteco que, no último sábado, ela me intimou: “Você
é um blefe!”. Ficou um clima. Meus amigos me olharam, esperando
que eu me defendesse. Preferi deixá-la se explicar: “Sabe as
crônicas dele? Os temas são meus! Eu que dou os temas das crônicas
que ele publica no Comunique-se! Algumas eu até vivi! Até vivi!”
É
verdade. Seu nome é Giséle Castilho, 20 anos, diretora de produção
da webnovela Alô Alô Mulheres. A cada dez textos, cinco vêm dela.
Três pulam da gaveta e dois saem na pressão do deadline. Sim.
Aquela Giséle com acento na paroxítona é ela. O Posto de Zé
Pereira fica perto de onde ela mora. E o videokê do Tião foi a Giz
que me apresentou.
E
ela já está acostumada. Sempre finaliza uma história com: “pode
aumentar e publicar que essa é boa”. E eu anoto. Assim como todo
repórter tem uma fonte, todo cronista deveria ter uma Giséle. A
diferença é que fonte não se revela. Giséle não se esconde.
Confissão
registrada, vejam a última da menina: Domingo. Dia de jogo. Ela,
são-paulina roxa, foi com amigos para um bar. Eu, avesso ao esporte
(e ao São Paulo) comento:
-Não
sei qual é a graça de fazer um programa desses... O que se conversa
num boteco com aquela gritaria do Galvão de fundo?
Ela
respondeu com naturalidade:
-Jogo
no telão, cerveja no copo, pé em cima da mesa... Vou falar de quê?
De mulher, pô...
E
riu enquanto eu puxava o bloquinho.
*
Roteirista, diretor e pesquisador de Telenovelas nacionais. Escreveu
Retrato da Lapa (a primeira novela da TV a Cabo brasileira) e
Umas & Outras (a primeira novela da Internet), as quais também
dirigiu em parceria com Silvia Cabezaolias. Assina o roteiro da
webnovela Alô Alô Mulheres na allTV, onde é diretor do
núcleo de dramaturgia.
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