Entendendo as revoltas
* Por Roberto Corrêa
Não é possível que aumentos de vinte a quarenta centavos nas passagens
de ônibus causem tantos transtornos, com badernas, bagunças, incêndios,
ferimentos e até mortes! Há alguma coisa de errado em tudo isso e prova que o
verdadeiro comunismo ainda vive e pelos seus métodos violentos pretende reagir,
ressurgir.
Realmente o grosso da população sofre as barbaridades dos desgovernos,
notando a deficiência dos cuidados com a saúde pública, com a instrução escolar
e o incremento da violência em todos os sentidos. Os protestos deveriam ser com
passeatas e faixas expondo as verdadeiras reivindicações e necessidades, sem
quaisquer agressividades inclusive pela polícia.
A segunda semana de junho (2013) foi exageradamente cansativa, com tais
noticiários abundantes e explícitos deixando espectadores e leitores super
temerosos. Nós leigos, simples cidadãos, já entendemos onde está a raiz dos
males e quais as soluções para iniciar o combate a essa parafernália do mal.
Será que nossos administradores que convivem e tratam do assunto não seriam
capazes de solucioná-los?
Se nos aprofundarmos um pouco mais verificamos as exageradas
preocupações com as construções de novos estádios de futebol e reformas
absolutamente desnecessárias como no Maracanã e em Brasília, pois somente os
jogos do Brasil (isto se chegar até o final) é que poderão causar alguns
transtornos, pelo excesso de torcedores, que não justificam tão estrondosos
investimentos.
O torcedor brasileiro não é tão bobo, pois sabendo que o Brasil pratica
o futebol mais artístico e insuperável do mundo, não gastará o seu suado
dinheirinho nem perderá tempo assistindo pela televisão jogos de seleções
mequetrefes e sem prestígio. A Fifa, espertinha como ela só, realiza campeonatos
mundiais de quatro em quatro anos em países em que tem certeza de absoluto
sucesso financeiro, o que certamente não ocorrerá por aqui desta vez.
O último e um dos primeiros da série ocorreu em 1950, mas desta vez ela
errou, criando ainda mais essa inútil Copa das Confederações. Ao encerrar esse
artigo em 18 de junho, noto que os jornais e mídias de ontem foram pródigos em
informações sobre as passeatas em Brasília e nas principais capitais dos
Estado. Vamos pois aguardar os frutos dessas manifestações, esperando que
tragam alguns resultados positivos para a nossa incipiente e precária
democracia.
* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Academia
Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico,
de Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas. Formou-se
pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo. Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se aposentou como
Procurador do Estado. É autor de alguns livros, entre eles "Caminhos da
Paz", "Direito Poético", "Vencendo Obstáculos",
"Subjugar a Violência”, Breve Catálogo de Cultura e Curiosidades, O Homem
Só.
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