terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tipos inesquecíveis


O professor e pensador japonês Tsunessaburo Makiguti, primeiro presidente da organização budista Sokka Gakai Internacional, escreveu: “No mundo existem basicamente três tipos de pessoas: 1.) Aquelas cuja presença desejamos; 2.) Aquelas cuja presença ou ausência nos é indiferente e 3.) Aquelas cuja presença é prejudicial, problemática ou indesejável”.

É possível que não haja explicação racional para isso. Não, pelo menos, uma que seja absoluta, conclusiva e lógica. Há quem nos agrade, como amigo, logo ao primeiro olhar. E existe, em contrapartida, o pólo oposto.

Alguns indivíduos enchem-nos de satisfação com a simples presença, sem que precisem dizer ou fazer qualquer coisa, sejam parentes ou não. E nem sempre são os que têm afinidades conosco. Muitas vezes agem e pensam de forma muito diferente de nós. E, no entanto, nos são caros. Essa “simpatia” é algo imediato, instintivo, talvez espiritual.

São essas pessoas – entre as que já morreram, evidentemente – que nos vêm, com mais força, à lembrança. Sua influência em nossas vidas foi tão profunda e decisiva, que permanecem vivas, alegres, sábias e sensatas em nossa memória e nossa estima, tal como as conhecemos em vida, quase que a todo instante. Portanto, convém que não sejam lembradas com tristeza, com amargura ou com dor, por mais falta que nos façam. Conquistaram espaço cativo em nossos corações. Manter-se-ão incorruptíveis, saudáveis e íntegras em nós, enquanto vivermos.

A perda da companhia dessas pessoas, porém, deixa-nos um enorme vazio na alma. O poeta Vinícius de Moraes, com sua sensibilidade mágica, expressou bem esse sentimento numa crônica que diz, em determinado trecho:

“Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim. Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus...Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres este sagrado amor. Amai e bebeu uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde do que o amor correspondido. Mas sobretudo não morrais, amigos meus!”

Este era o Vinícius: sensível, delicado, inteligente, competente para expressar em palavras nossos mais secretos sentimentos, aqueles que somos impotentes para verbalizar. Apesar do pungente apelo aos amigos, para que não morressem, morreu antes. Não fez o que pregou.

Deixou-nos, há já alguns anos, abrindo uma lacuna, impossível de preencher, na poesia e na música popular brasileira. Mas cumpriu com dignidade e competência o seu papel. Será sempre lembrado por esta e pelas vindouras gerações. Como tantos outros indivíduos especiais, mesmo os que não conhecemos pessoalmente, mas que nos deixaram a marca do seu exemplo ou a excelência de suas obras o serão, como Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Ayrton Senna, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Burle Marx, apenas para mencionar alguns que me vêm de imediato à lembrança.

Fosse mencionar todos, teria que alinhavar, sem nenhum exagero, algumas centenas de milhares de nomes e ainda assim correria o risco de omitir vários deles. Sem esquecer, logicamente, dois fantásticos jornalistas, quer acabam de “nos deixar”, após cumprirem, com competência e dignidade, sua complicada missão: Geneton Moraes Neto e Goulart de Andrade. Descansem em paz, companheiros de ideal!!!!

Boa leitura!


O Editor.

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Um comentário:

  1. E por falar em repulsa, quantos vemos na TV e nos sentimos mal?

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