Vanitas
vanitatis
* Por
Pedro J. Bondaczuk
Eu
era criança.
Pensava
como criança,
agia
como criança,
sonhava
como criança.
Como
todos infantes
cheguei
a caçar elefantes
em
selvas de fantasia.
Era
feliz. Mas não sabia.
Fiquei
moço.
Pensei
como moço,
agi
como moço,
amei
como moço...
E
como todo moço
quis
torcer o pescoço
das
pessoas com mais de trinta.
Cheguei
à idade madura.
Pensava
como maduro,
agia
como maduro,
minha
vida era desencanto puro.
Quixote
sem Sancho Pança,
queria
voltar a ser criança,
e
combatia os meus dragões.
Um
dia fiquei velho.
Pensava
como velho,
agia
como velho,
tinha
o desalento da velhice.
Como
alguém que se julga forte,
buscava
fugir da morte
nas
asas da recordação.
Quando
criança
vivia
em sonhos imerso.
Acreditava
que era
o
centro do universo.
Agia
como menino prodígio
de
um prodigioso planeta azul.
Corria
nos campos verdes,
empinava
papagaios vermelhos,
vermelho,
jogava bola,
xingava
em espanhol.
A
vida era uma fantasia
feita
de cores e de sol.
Quando
moço encarava o mundo
como
meta a conquistar.
Agia
como revolucionário
rebelde
sem causa
a
derrubar muros de convenções.
A
cabeça cedia vez às glândulas,
o
raciocínio às emoções,
contudo
sabia amar.
Quando
maduro via a humanidade
como
bando de aves de rapina.
Agia
como homem duro
no
duro mundo da carnificina.
Cínico,
prudente, mas frio,
era
racional e analista,
sentimentalmente
vazio.
Quando
velho só tentava sobreviver.
Queria
ser fragmento de história,
ganhar
espaço na memória
das
emergentes gerações.
Sobrevivia
das lembranças
das
extintas emoções.
Hoje
não existo.
Sombra
sem substância,
arremedo
da infância,
acima
do bem e do mal:
não
sou ninguém!
Concluo,
no obscuro anonimato,
quase
extinto, de fato,
qual
Eclesiastes, Pregador:
Vaidade...vaidade...
ilusões
inúteis...dor...
(Poema composto em São
Caetano do Sul, em 3 de janeiro de 1962).
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
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