Braulino
* Por
Ana Deliberador
Braulino, filho dos
índios Cizino e Barbina, cada vez que bebia – o que sempre acontecia – vinha
pra frente da casa do padrinho, Zé Corrêa,
deitava debaixo de uma frondosa árvore e ali ficava, até passar a
bebedeira.
Braulino era de uma
ingenuidade e honestidade surpreendentes.
Uma noite Joaquim
Maria, o guarda, prendeu o pobre na pequena cadeia da cidade e, também já
bêbado, esqueceu de trancar a porta, sentou num canto e dormiu.
A noite chegou
trazendo muito frio. Braulino não conseguia dormir. Virou pra cá, pra lá e
nada!
À medida em que o
“porre” passava, o frio apertava. Até que, não suportando mais, saiu da cela,
foi até a aldeia, pegou um cobertor. Voltou, fechou a porta, se acomodou e,
finalmente, dormiu.
Joaquim era
“otoridade” e ele tinha que obedecer!
* Professora, pintora e escritora
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