Doridas separações
* Por Roberto Corrêa
Há cerca de alguns anos fui envolvido pelo problema da separação de
pessoas bem chegadas. Valeu-me motivação para duas crônicas: Os outros sofrem e
Destroços da Separação. Naquela época, logo a seguir, escrevi: “voltei ao lugar
do crime, ou seja, a casa construída pelo João de Barro para aninhar suas
crias. Encontrei só destroços. Tudo empilhado, desarrumado, arrebentado.
Valiosos tesouros que algum dia brilhavam e que apresentavam ter valor para a
vida. Nada mais; tudo abandonado: sobre a mesa, pratos, louças em geral,
material escolar, fotografias de um tempo aparentemente maravilho, que passou
num piscar de olhos.”
Voltei a lembrar destes textos ao ler no Correio Popular de 2/4/2013
mensagem de outro escritor de assunto semelhante , que tomo a liberdade de reproduzir:
“tenho 65 anos e estou escrevendo esta carta dirigida àqueles que estão sendo
recentemente premiados por Deus com a vinda de um filho, filha ou mais e
faço-lhes um apelo: jamais abandonem seus filhos! Eu me separei de minha
ex-esposa e abandonei minhas duas filhas e perdi a bênção de poder vê-las
acabarem de crescer...Eu cumpri sim, com o pagamento de pensão determinada pelo
Juiz, visitava-as aos domingos, supria suas necessidades extras, dava-lhes
presentes de Natal, aniversário e Páscoa, mas de que vale isso se não lhes dei
meu ombro para chorarem quando precisaram, se lhes neguei a segurança da minha
presença, se não conduzi com minha mão firme nesse início de caminhada dessa
estrada chamada vida e se não acompanhei os seus passos se alargarem?”
Nossa caminhada é repleta de erros e fracassos. Mas alguns são
absolutamente fatais e de trágicas consequências. No relacionamento familiar o
erro que motiva a separação ou o divórcio é doloroso e também pode ser trágico,
culminando muitas vezes em sangrentas tragédias. Motivadas por erros de
entendimentos (desentendimentos) ou de incompatibilidades (real ou fictícia),
as vítimas podem não ser tão numerosas como em desastres horrorosos, mas sofrem
bastante, ao menos de forma incruenta, o resto de suas vidas. Nós outros,
bafejados pelos princípios cristãos que inspiram nossas vidas, todavia com
fervorosa e constante oração, poderemos receber graças que nos ajudarão a
superar ou ao menos aceitar com tranquilidade os doridos sofrimentos desses
indesejáveis conflitos familiares.
* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da
Academia Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e
Genealógico, de Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas.
Formou-se pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se
aposentou como Procurador do Estado. É autor de alguns livros, entre eles
"Caminhos da Paz", "Direito Poético", "Vencendo Obstáculos",
"Subjugar a Violência”, Breve Catálogo de Cultura e Curiosidades, O Homem
Só.
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