O menino e o guarda-chuva
* Por Roberto Corrêa
Às vezes entro no facebook e me deparo com alguma curiosidade ou
mensagem interessante. Faz pouco li a seguinte mensagem que achei bastante
significativa e inteligente: em pequena cidade do nordeste, em face da tremenda
seca, toda população foi convidada a se reunir em praça pública para pedir à
Divina Providência o envio de chuva, muita chuva. Observou-se, então, o
curioso: naquela multidão toda, reunida na praça, apenas um menino levou um
guarda-chuva! Interpretando o fato, infere-se que apenas o menino acreditou,
teve fé que as orações seriam atendidas imediatamente e era bom ele não se
encharcar com as águas que desceriam dos céus.
Com o episódio voltamos a considerar e escrever sobre a fé, tema dos
mais frequentes em nossos escritos. E relembramos Frei Fidelis, nosso Professor
de religião ou catecismo nos idos do terceiro primário em S. Paulo e que
reencontramos na Igreja N. Senhora de Lourdes trinta anos depois em Botucatu.
Nesses últimos encontros, sempre falava da fé, sua indispensável valia e
importância. Aí retorno a consultar o precioso livrinho (Breve Catecismo) do
também saudoso professor José Pedro Galvão de Sousa de Teoria Geral do Estado
(PUC, SP- Campinas) que disseca em poucas e profundas palavras tudo sobre as
virtudes teologais, fé, esperança e caridade. “Chamam-se teologais (do grego
Theos ou Deus e logos, discurso, conhecimento, ciência) porque tem a
Deus por objeto e autor. Tais virtudes são infundidas em nós por Deus.
Pela fé nós cremos em Deus e em tudo o que Ele revelou. Pela Esperança
esperamos possuir a Deus no Céu. Pela Caridade, amamos a Deus e em Deus amamos
a nós mesmos e ao próximo. Recebemos essas virtudes, que são dons de Deus, no
Batismo. Uma vez chegados à idade da razão, devemos fazer atos de Fé, de
Esperança e de Caridade.
A FÉ é uma
virtude sobrenatural infundida por Deus em nossas almas, pela qual, apoiados na
autoridade do mesmo Deus, cremos em tudo que Ele revelou e nos propõe pela sua
Igreja. É uma adesão da inteligência à verdade revelada. Cremos, porque foi
Deus que revelou, e Ele não pode enganar-se nem nos enganar.
Mediante o magistério da Santa Igreja, conhecemos as verdades reveladas
por Deus, isto é, por intermédio do Papa, sucessor de São Pedro, e dos Bispos,
sucessores dos Apóstolos, que foram instruídos pelo próprio Jesus Cristo.
(ob.cit. pg.47).” Essa delicada estória do menino e do guarda-chuva serviu para
relembrarmos mais uma vez a necessidade e a importância que temos de viver
intensamente a nossa Fé.
* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da
Academia Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e
Genealógico, de Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas.
Formou-se pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se
aposentou como Procurador do Estado. É autor de alguns livros, entre eles
"Caminhos da Paz", "Direito Poético", "Vencendo
Obstáculos", "Subjugar a Violência”, Breve Catálogo de Cultura e
Curiosidades, O Homem Só.
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