segunda-feira, 15 de abril de 2013


O menino e o guarda-chuva

* Por Roberto Corrêa

Às vezes entro no facebook e me deparo com alguma curiosidade ou mensagem interessante. Faz pouco li a seguinte mensagem que achei bastante significativa e inteligente: em pequena cidade do nordeste, em face da tremenda seca, toda população foi convidada a se reunir em praça pública para pedir à Divina Providência o envio de chuva, muita chuva. Observou-se, então, o curioso: naquela multidão toda, reunida na praça, apenas um menino levou um guarda-chuva! Interpretando o fato, infere-se que apenas o menino acreditou, teve fé que as orações seriam atendidas imediatamente e era bom ele não se encharcar com as águas que desceriam dos céus.

Com o episódio voltamos a considerar e escrever sobre a fé, tema dos mais frequentes em nossos escritos. E relembramos Frei Fidelis, nosso Professor de religião ou catecismo nos idos do terceiro primário em S. Paulo e que reencontramos na Igreja N. Senhora de Lourdes trinta anos depois em Botucatu. Nesses últimos encontros, sempre falava da fé, sua indispensável valia e importância. Aí retorno a consultar o precioso livrinho (Breve Catecismo) do também saudoso professor José Pedro Galvão de Sousa de Teoria Geral do Estado (PUC, SP- Campinas) que disseca em poucas e profundas palavras tudo sobre as virtudes teologais, fé, esperança e caridade. “Chamam-se teologais (do grego Theos ou Deus e logos, discurso, conhecimento, ciência) porque tem a Deus por objeto e autor. Tais virtudes são infundidas em nós por Deus.

Pela fé nós cremos em Deus e em tudo o que Ele revelou. Pela Esperança esperamos possuir a Deus no Céu. Pela Caridade, amamos a Deus e em Deus amamos a nós mesmos e ao próximo. Recebemos essas virtudes, que são dons de Deus, no Batismo. Uma vez chegados à idade da razão, devemos fazer atos de Fé, de Esperança e de Caridade.

A FÉ é uma virtude sobrenatural infundida por Deus em nossas almas, pela qual, apoiados na autoridade do mesmo Deus, cremos em tudo que Ele revelou e nos propõe pela sua Igreja. É uma adesão da inteligência à verdade revelada. Cremos, porque foi Deus que revelou, e Ele não pode enganar-se nem nos enganar.

Mediante o magistério da Santa Igreja, conhecemos as verdades reveladas por Deus, isto é, por intermédio do Papa, sucessor de São Pedro, e dos Bispos, sucessores dos Apóstolos, que foram instruídos pelo próprio Jesus Cristo. (ob.cit. pg.47).” Essa delicada estória do menino e do guarda-chuva serviu para relembrarmos mais uma vez a necessidade e a importância que temos de viver intensamente a nossa Fé.

* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Academia Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico, de Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas. Formou-se pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se aposentou como Procurador do Estado. É autor de alguns livros, entre eles "Caminhos da Paz", "Direito Poético", "Vencendo Obstáculos", "Subjugar a Violência”, Breve Catálogo de Cultura e Curiosidades, O Homem Só.

Nenhum comentário:

Postar um comentário