Flutuações
* Por Flora
Figueiredo
O sonho aprendeu a pairar bem alto,
O sonho aprendeu a pairar bem alto,
lá
onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou
a trôpega ilusão,
até
que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se
de seu reino idealizado,
veio
pousar tamborilante em minha mão.
Assim,
aquecido e aconchegado,
parece
que se esqueceu de ir embora.
Na
hora em que ressona distraído,
eu
lhe pingo malemolências no ouvido
à
sua inquietação eu me sujeito.
Eis
que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu
corpo repousa no meu peito.
*
Poetisa, cronista, compositora e tradutora, autora de “O trem que traz a
noite”, “Chão de vento”, “Calçada de verão”, “Limão Rosa”, “Amor a céu aberto”
e “Florescência”; rima, ritmo e bom-humor são características da sua poesia.
Deixa evidente sua intimidade com o mundo, abraçando o cotidiano com vitalidade
e graça - às vezes romântica, às vezes irreverente e turbulenta. Sempre dentro
de uma linguagem concisa e simples, plena de sutileza verbal, seus poemas são
como um mergulho profundo nas águas da vida.
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