Quem quer que seja você a segurar a minha mão
* Por
Walt Whitman
Quem quer que seja
você a segurar agora a minha mão,
sem uma coisa tudo
será inútil,
dou-lhe um honesto
aviso antes que você me tente mais,
não sou o que você
supôs, mas muito diferente.
Quem é aquele que
deseja se tornar meu seguidor?
Quem se apresentaria
como candidato às minhas afeições?
O caminho é suspeito,
o resultado incerto, talvez destrutivo,
você teria de
desistir de tudo o mais, eu sozinho haveria de ser seu estandarte único e exclusivo,
seu noviciado seria
pois longo e exaustivo,
toda a teoria passada
da sua vida e toda a conformidade com as vidas ao seu redor teriam de ser
abandonadas,
assim me deixe agora
antes que se complique mais, tire a mão dos meus ombros,
me largue e siga o seu
próprio caminho.
Ou então furtivamente
em alguma floresta, para tentar apenas,
ou atrás de uma rocha
ao ar livre
(pois em nenhum
quarto coberto de nenhuma casa eu emerjo, nem em companhia,
e nas bibliotecas
permaneço como quem é mudo, ou parvo, ou não nascido, ou morto),
mas muito
possivelmente com você numa colina alta, primeiro vigiando por milhas em volta
para que ninguém se aproxime sem avisar,
ou possivelmente com
você a velejar no mar, ou numa praia do mar ou numa ilha sossegada,
aqui eu permito que
você coloque seus lábios sobre os meus,
com o beijo
prolongado do camarada ou o beijo do recém-casado,
pois sou o
recém-casado e sou o camarada.
Ou, se você quiser,
metendo-me entre suas roupas,
onde poderei sentir
os soluços do seu coração ou repousar sobre o seu quadril,
carregue-me quando
for através das terras e dos mares;
pois apenas tocar
você assim é o bastante, é o melhor,
e tocando você assim
eu adormeceria em silêncio e seria carregado eternamente.
Mas examinando estas
folhas você se arrisca,
pois a estas folhas e
a mim você não entenderá,
elas o eludirão no
princípio e mais ainda depois, eu certamente o eludirei,
mesmo quando você
pensar que me apanhou de modo inquestionável, cuidado!,
você logo verá que
lhe escapei.
Pois não é pelo que
coloquei neste livro que o escrevi,
nem é pela leitura
dele que você o ganhará,
nem são esses que me
admiram e me elogiam com jactância aqueles que me conhecem melhor,
nem são os candidatos
ao meu amor (a não ser no máximo alguns poucos) os que sairão vitoriosos,
nem meus poemas farão
apenas bem, eles também farão mal, talvez até mais,
pois tudo é inútil
sem aquilo que você poderá suspeitar em muitas ocasiões sem compreender, aquilo
que sugeri;
assim me deixe e siga
o seu próprio caminho.
(Tradução de Renato
Suttana)
*
Poeta norte-americano
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