Pílulas literárias 162
* Por
Eduardo Oliveira Freire
EM PLENA MADRUGADA...
Entrou uma mosca no
meu quarto:
- Você mata pessoas imaginárias!
Respondo:
- Também, insetos falantes.
- Você mata pessoas imaginárias!
Respondo:
- Também, insetos falantes.
@@@
NOITE
A lua iluminava o mar. O menino saiu de casa e mergulhou sozinho. A
correnteza o puxou para as profundezas. Ele viu outro mundo, onde havia
criaturas primitivas e translúcidas. A curiosidade e o medo se misturavam na
sua cabeça, proporcionando um turbilhão de impressões. De repente, viu-se
boiando na superfície e retornou para casa. De manhã, os pais perceberam que
estava mais maduro. A aventura da noite passada foi uma revelação para o
menino. Não era o centro de tudo, como seus pais o faziam pensar.
@@@
CONSULTA INESPERADA
- Ultimamente, quando me olho no espelho, vejo-me uma peça velha e
quebrada e não consigo mais arrumar trabalho. O que farei doutora?
A psicóloga não conseguiu responder. Ficou assustada com o falante
parafuso enferrujado e torto.
@@@
PEDIDO IMPOSSÍVEL
- Você é
tão bela assim, ao natural. Nunca mais use maquiagem.
- Desculpa, querido, a maquiagem é minha segunda
pele, sem ela, sinto-me mutilada.
@@@
A CADA RESPIRAÇÃO...
Postava
um conto nas redes sociais. Um dia, ao morrer, suas histórias foram publicadas
ao vento e invadiram todos os cantos do mundo. Muitos detestaram o acontecido,
já que o bloquearam nas redes sociais, para não saberem sobre suas últimas
produções artísticas.
@@@
ANDANDO POR RUÍNAS...
Encontra
um zumbi e se prepara para atirar, mas, reconhece o morto vivo. Anos antes, os dois eram participantes de um
famoso reality show. Atira com gosto. Nunca engoliu a vitória do outro no
programa.
* Eduardo Oliveira
Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense,
com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a
escritor
Nenhum comentário:
Postar um comentário