quinta-feira, 21 de outubro de 2010




Com o senso comum não se discute

* Por Fernando Yanmar Narciso

Embora haja exceções, a primeira, e não rara a pior impressão é a que fica. Coisa fácil e cômoda de se fazer é agarrar-se a um estereótipo. As gerações anteriores nos ensinaram que nós, os comuns, devemos manter distância de políticos, pois, supostamente, ninguém daquela raça presta. O grau de confiança depositado pelo povo num político é sempre inversamente proporcional ao tamanho de seu sorriso de campanha. Nas palavras do ilustre filósofo Paulo Maluf, “No Brasil, político é corno, viado ou ladrão. A mim escolheram como ladrão”.
Mas de onde veio essa crença? Provavelmente, há muitos séculos, alguém teve o desprazer de ver um político recebendo um por fora sem um pingo de remorso, espalhou a cena por aí e ficou para a posteridade a imagem que todo político é bandido, safado e sem-vergonha. E não adianta tentar posar de bom moço no meio de tantas víboras peçonhentas, pois apesar de o povo te adorar, o apoio que realmente importa é o dos safados lá da “assembréia”, e para eles você é motivo de piada por causa de sua honestidade. É consenso que homens engravatados de maleta na mão nunca fazem coisa boa. Filmes, séries, novelas e o Marcos Valério vivem nos lembrando disso. Devemos manter distância do engravatado que estiver dobrando a esquina. São pessoas más, perigosas e só querem explorar o trabalhador. Fujo dele, mesmo se o engravatado em questão for eu mesmo.
Já perdi a conta de quantos “foras” eu já levei de possíveis casos por ter feito a besteira de dizer as quatro palavrinhas mágicas: Não acredito em Deus. Como se acreditar Nele fosse uma grande garantia de moralidade, e quem não crê não soubesse o que é certo e o que é errado… Em várias pesquisas feitas por aí, os brasileiros confirmaram que preferem ter a mãe na zona a votar num candidato à presidência ateu. Bom, talvez não nesses termos…
Quantas vezes você ouviu que branco correndo é esportista e negro correndo está fugindo da polícia? A mídia aprendeu que, para fazer sucesso, personagens negros devem ser pobres, malandros e iletrados. Com uma imagem queimada dessas, se alguém cria uma família negra de classe média, ou até milionária, é como se fosse ficção científica. Assim como os políticos, alguém deve ter visto um, para ser mais politicamente correto, afro-descendente roubando uma loja, aí o estrago foi feito para toda a eternidade.
A pescaria e a pornografia são os maiores criadores de mitos da humanidade. Qual é o principal propósito de um filme pornô? Causar inveja dos membros descomunais dos atores. Os nerds mais esquisitos, assim como eu, assistem aquelas exibições de barbárie contra a mulher e saem acreditando que o ato sexual comum precisa ser DAQUELE jeito, e que quanto maior o tamanho do, digamos, extintor de incêndio do cara, mais prazer a garota vai ter. Aí, na hora da “limpeza íntima”, olhamos para aquilo que a natureza nos deu e chega a dar vontade de dar um tiro na cabeça de vergonha.
A galerinha GLS que me perdoe, mas para mim não existe coisa mais prejudicial à imagem da comunidade homossexual que as paradas do orgulho gay. Amigos… Se o principal objetivo dessas passeatas é pregar a igualdade e cobrar o respeito da maioria, então por que só aparecem nelas os piores estereótipos hollywoodianos de homossexualidade possíveis?
A bandeira tamanho gigante das cores do arco-íris desfilando nas avenidas, marmanjos com físico de estivador fantasiados de Marylin Monroe, Lady Gaga e Priscila, a rainha do deserto, I Will Survive, de Gloria Gaynor, com o volume no máximo, dancinhas do Village People… E viva a igualdade!
Por mais que tentemos negar, todos nós temos algum tipo de preconceito. E, precisamente por isso, é uma árdua tarefa falar de preconceito sem ser um pouco preconceituoso.

* Fernando Yanmar Narciso, 26 anos, formado em Design, filho de Mara Narciso, escritor do blog “O Blog do Yanmar”, http://fernandoyanmar.wordpress.com

Um comentário:

  1. Bugalhos, alhos e preconceito: nitroglicerina com sabor e odor.

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