E-books e livros impressos
A era digital, com sua variedade de opções eletrônicas para
todas necessidades e gostos, ensejou o surgimento dos chamados e-books que,
salvo engano, vieram para ficar. Muitos vêem renhida disputa entre livros
impressos e suas versões eletrônicas, como se ambos fossem incompatíveis,
excludentes e como se um sobrevivesse, apenas, sem a existência do outro. Não
vejo, porém, as coisas assim. As duas formas de apresentação desse produto de
primeiríssima necessidade podem, e devem, conviver harmonicamente, sem conflitos,
como opções aos leitores. Pelo menos por enquanto, quando existe matéria-prima
relativamente farta para a fabricação de papel, embora os métodos de produção
deste ainda sejam altamente poluentes e, portanto, perniciosos ao meio ambiente.
Quando surgiram os primeiros e-books, houve duas reações
principais e antagônicas. Uma parte das pessoas previu que o livro eletrônico “mataria”,
no médio prazo, o impresso. Outros tantos, todavia, juraram que a versão não
impressa não passaria de modismo passageiro, que logo iria desaparecer.
Porém... Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. As duas “facções” erraram seus
afoitos prognósticos. Não aconteceu, não pelo menos por enquanto, nem uma
coisa, e nem outra. Há uma infinidade de pessoas que não abre mão, de jeito
algum, do livro tradicional, argumentando com sua “portabilidade”, ou seja, que
ele pode ser levado para cima e para baixo, para onde se quiser. Isso era
válido, porém, há algum tempo, mas não é mais. O argumento valia apenas quando
os e-books só podiam ser baixados no computador. Com a possibilidade disso ser
feito agora, também, em tabletes e em smarthfones, essa vantagem do livro
impresso desapareceu. Esses aparelhinhos são cada vez mais práticos, menores e
mais leves, possibilitando que sejam levados, como os livros impressos, ou até
com mais vantagens, para onde quisermos.
Há quem argumente que a leitura de livros na telinha seja
cansativa e desconfortável. Será? No meu caso, não tenho problema algum desse
tipo. Meus olhos não ficam nem mais e nem menos cansados com essa versão.
Mantenho, atualmente, dois tipos de biblioteca. A tradicional conta com uma
quantidade muito maior de volumes do que a eletrônica. Pudera! Começou a ser
formada há muito mais tempo, há uns 60 anos ou mais. Já a de e-books, pelo
pouco tempo em que me foi facultada essa opção, não deixa de ser relativamente
volumosa. Já conta com mais de duas centenas de cópias, a maioria de clássicos,
disponibilizadas graciosamente por várias entidades culturais ou por seus
autores. As duas versões crescem em paralelo, em igual quantidade, pelo menos
no meu caso. Tanto compro, mensalmente, vários livros impressos, quanto
adquiro, praticamente, a mesma quantidade de e-books.
Reitero que não vejo nenhum motivo para estabelecer
concorrência entre os dois tipos de publicação. Entendo que há público para
ambos. É certo que uma das grandes vantagens dos e-books é seu preço final
(embora, no meu entender, ainda seja muito caro, se for levado em conta seu
custo de produção, que é quase “zero”). Além disso, em termos de “portabilidade”
é muito mais prático, comportando em pequeníssimo espaço uma quantidade enorme
de volumes. Na versão tradicional, um número igual de exemplares seria
rigorosamente impossível de transportar.
Li, há algum tempo, no portal G1, matéria informando que 40%
das escolas particulares do País já adotam livros didáticos em formato de
e-books. A vantagem é óbvia. Em vez dos estudantes levarem para a sala de aula
uma mochila abarrotada de volumes (e imaginem o peso a carregar), com o risco
de esquecer alguns ou mesmo de vários não caberem nela, levam somente um leve e
prático tablete, sem que haja nenhum prejuízo para a leitura e consequente
aprendizado. E creio que a tendência é a desse percentual chegar, muito em
breve, a 100% ou quase, com a adesão das escolas públicas. As vantagens são evidentes,
e isso sem falar sequer em preço que, claro, é fator dos mais relevantes.
Nem por isso, contudo, o livro impresso “morreu”, nem corre
qualquer risco (ao menos por enquanto) de morrer. E nem precisa desaparecer.
Ambas as versões podem, e devem, conviver, pois há gosto e público para ambos.
Quando foi inventado o cinema, dizia-se que o teatro iria “morrer”. Não morreu.
O mesmo aconteceu em relação ao cinema, quando do advento, evolução e
popularização da televisão. Os três estão aí, vivíssimos, cada qual com seu
papel e com seu público, sem que um ameace os outros. Creio que vá ocorrer o
mesmo em relação ao livro impresso e aos e-books. Acredito que a tendência dos
escritores seja a de recorrer às duas versões simultaneamente para seus livros,
cada qual voltada a faixas específicas de consumidores.
Eu, por exemplo, agi assim em relação ás minhas duas mais
recentes obras. “Cronos e Narciso” e “Lance fatal” foram publicados,
simultaneamente, tanto na versão impressa, quanto na eletrônica. E a despeito
dos e-books serem muito mais baratos, as vendas deles foram (e estão sendo)
relativamente iguais (ou próximas da igualdade) aos impressos. Entendo que não importa o formato em que uma
obra é oferecida ao público. Importa que haja qualidade e variedade e campanhas
muito bem feitas de divulgação para atrair o máximo possível de leitores.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Ainda não comprei nenhum e-book, mas não tenho problemas em ler livros no computador.Só preciso ficar atenta para pingar lágrimas artificiais para evitar olho seco.
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