Comunicação e
precisão
A imprensa, fenômeno
recente, de pouco mais de um século (quando os primeiros jornais diários
passaram a circular na Europa), tem um poder imenso de manipular as massas.
Conta, portanto, com uma capacidade de produzir profundas alterações na
sociedade, para melhor ou para pior.
Exemplos, nos dois sentidos, existem em profusão. Um foi o surgimento do nazismo na Alemanha,
em fins dos anos 20s, e a conseqüente tomada do poder por parte de Adolf
Hitler.
A humanidade pagou um
preço intolerável por permitir essa ascensão de uma ideologia de ódio e
discriminação. Correu o risco de tragédia ainda maior do que a Segunda Guerra Mundial, que deixou um rastro
de 60 milhões de mortos, um número de mutilados superior a 100 milhões e
prejuízos materiais e morais incalculáveis.
Caso o Japão não se rendesse, após a explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, ou
se os alemães conseguissem (antes dos norte-americanos) desenvolver armas
nucleares, possivelmente ocorreria uma hecatombe que varreria a espécie humana
do mapa.
Qualquer campanha da
imprensa, de alguns poucos dias, pode
estreitar relações entre povos inimigos inconciliáveis, levando-os à paz, ou
conduzi-los à catástrofe de uma guerra
fratricida. O diretor do "La Stampa", de Turim, Giulio de Benedetti,
não exagerou quando disse que "um jornal conduzido por um homem honesto e
de bom senso, que dissesse sempre a verdade, poderia mudar a face de um
país". A mesma mudança, mas com
resultados desastrosos, poderia ocorrer no caso de dizer apenas mentiras ou
meias-verdades.
Muito maior poder
para promover profundas transformações
na sociedade tem uma emissora de televisão. Trata-se de veículo de extrema
agilidade, que penetra na grande maioria dos lares do mundo, e tem um potencial
ilimitado de "fazer cabeças".
Por isso, funciona sempre como concessão, que pode ser cassada a
qualquer instante, em caso de abuso. Com
a incrível evolução tecnológica que se verifica nos meios de comunicação, em
especial na TV e, ultimamente, com o
advento e expansão da Internet, cabe à imprensa escrita novo papel. Seus
proprietários precisam correr contra o tempo e fazer uma revisão urgente de
conceitos, sob pena dos órgãos que dirigem desaparecerem Se não o fizerem, fatalmente esse ramo da
imprensa será atropelado por veículos mais ágeis, que por sua própria natureza
são, virtualmente, instantâneos.
Se os jornais e
revistas limitarem-se a dar notícias --- em geral com a utilização das mesmas
agências, com os editores não se preocupando sequer em personalizar os textos,
absolutamente iguais em centenas de órgãos informativos em todo o País --- sem
que apresentem algum diferencial que os caracterize, não terão a mínima chance
de competição. Não acredito nessa
possibilidade. Como profissional do
meio, torço para que os que comandam a imprensa escrita se dêem conta, a tempo,
desse risco, real e iminente. Que não aceitem essa competição desigual, na
qual, certamente, levarão desvantagem, com os meios eletrônicos de informação.
É como uma corrida entre a lebre e a tartaruga. A saída para os jornais e
revistas está no detalhamento das informações, mediante a utilização de quadros
explicativos e todos os recursos gráficos que a moderna tecnologia lhes
permite. E, em especial, na precisão do
que informam. Cada notícia precisa ser
checada e rechecada várias vezes antes de ser publicada, para que nenhum
detalhe, por ínfimo que seja, esteja incorreto.
Além disso, é indispensável
que todas as partes envolvidas no acontecimento noticiado sejam sempre ouvidas.
Só assim os fatos relatados se transformarão em documentos rigorosamente
corretos e verídicos. Nisso, os jornais e revistas poderão levar nítida
vantagem sobre o rádio e a televisão, exatamente por disporem do tempo que os
veículos eletrônicos não têm. Outro
ponto que poderão explorar é a opinião. Artigos enfocando os fatos mais
controvertidos, escritos por especialistas, ou por jornalistas
experientes, tendem a se transformar em
trunfos da imprensa escrita. Devem ganhar papel bem mais importante do que aquele que até
aqui lhe tem sido atribuído, quando é
meramente subsidiário. Mas qualquer que seja o veículo utilizado, é necessário
que conte com absoluta credibilidade. E esta não cai do céu, se conquista com
trabalho correto, honesto e competente. É conseguida quando se diz sempre a
verdade, em qualquer circunstância, doa a quem doer.
É necessário que os
jornais se tornem cada vez mais interativos, abrindo espaços crescentes para a
manifestação dos leitores. As opiniões publicadas não podem ser parciais, mesmo
que assinadas. O jornal dispõe de local
próprio para marcar a sua posição: os editoriais. Desse debate sadio de idéias, certamente,
surgirão soluções efetivas e práticas para os mais graves problemas, sejam
políticos, econômicos, sociais ou comportamentais. O julgamento sobre quem está certo ou
errado, nos assuntos controversos, deve
caber sempre, e unicamente, àqueles sem os quais nenhum órgão de comunicação teria razão de
existir: os leitores.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
"É lúcido, válido e inserido no contexto".(Paulo Diniz, sempre citado a exaustão).
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