sexta-feira, 13 de março de 2015

Valdick


* Por Ana Deliberador


A roupa toda preta, o chapéu… Ser chamado de Valdik Soriano era a glória para aquele homem.

E a pose de conquistador, então! Passava pela avenida, lançando, imagina-se, olhares profundos – por trás daqueles óculos escuros – para as pedestres que com ele cruzavam.

E aquele sorriso… pretendia ser fatal? Todas as tardes, a mesma coisa. Sobe e desce a avenida principal, devagar quase parando, em seu Maverick.

Todos os amigos, todos os conhecidos, sabiam da sua fama mas isso não importava. Importava – e muito – que era um pouco complicado no que dizia respeito à honestidade. Brincou, brincou, abusou tanto que teve mandado de prisão expedido contra si.

Um dia o delegado, seu grande amigo, chamou-o com urgência: precisava de um grande favor seu. Tinha uns documentos importantíssimos para o delegado de Sertanópolis. Será que ele poderia levá-los, já que estava indo para Londrina, e era passagem? Poderia trazer os documentos de volta?

– Mas é claro, meu amigo, levo e trago!

E foi. Pegou seu reluzente carro e tomou rumo de Sertanópolis.

Chegando na delegacia mandou entregar o envelope para o delegado e sentou-se na recepção.

Logo veio o delegado:

_ Seu Caramuru, o senhor está preso!

_ Como!? Por quê!? O que é isso!?

O delegado mostrou-lhe então o documento que trouxera: seu próprio mandado de prisão!

* Professora, pintora e escritora


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