quinta-feira, 19 de março de 2015

Fechado para balanço


* Por Marcelo Sguassábia


1

Aquelas tantas luzinhas que enxergamos ao apertar os olhos com força: foi nessa hora que te vi dourada e escorregadia, pelo menos assim você me parecia deslizando pelo túnel das córneas, sorrindo e vertendo mel. Estamos os dois a passos muito largos para sabe Deus, em vias de virar xepa de estranha feira, tiozão e tiazinha alçando o gozo das cinzas. O tempo parece que cisma de desnortear ponteiros. Agora, só reencarnando.


2

Parem as máquinas que eu quero o viço dos azuis multipiscinas, bolo-mármore perfumando meus quintais, a ânsia de escalar painas - os anos verdes, enfim. Esconde-esconde de nada que me subtraia esses dias: respondo em todas as instâncias pela vida em que me meti. Dispenso os atenuantes por todo o errado que fiz, do que podia e não foi, esses dilemas de antanho. Um zero de serventia. Não tiro meu corpo fora: zona de conforto é puteiro com colchão d'água.


* Marcelo Sguassábia é redator publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com (Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com (portfólio).



Um comentário:

  1. Colchão d'água é coisa de CTI. Lamento não ter entendido muito.

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