O cesto de Davir Jacques Louis
* Por
Talis Andrade
No espelho dos teus olhos
o desejo
de me ver
que seja
uma única vez
Eu pago
o preço
mesmo
que custe
o temido
castigo
de ter
os olhos
para
sempre vendados
com uma
faixa tecida
por
hábil tricotadeira
todos os
dias
ajoelhada
com as
companheiras
junto à
guilhotina
alegre
vivandeira
do
terror
o terror
político
transformado
em
espetáculo
O rosto voltado
para a
terra
a cabeça
decepada
em um só
golpe
a cabeça
jogada
no cesto
forrado
com seco
capim
para
absolver
o sangue
golfado
No
horrendo cesto
sanguinoso cesto
em que
revoam
um
enxame de almas
a cabeça
mumificada
por
Davir
os olhos
abertos
revirados de cego
que mais
desejam ver
* Jornalista, poeta,
professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou
em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do
“Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e
“A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado
“Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
Cabeça decepada, degolada ou decapitada, que está mais em voga, diante da moda de cortar o pescoço dos inimigos.
ResponderExcluirDestaco as palavras "golfada" e "sanguinoso". Fortes para uma cena feia, porém necessárias para dizer tudo em um ai.