O
agiota
* Por
Talis Andrade
A
cobrança um jogo
que requer paciência
rechego
que requer paciência
rechego
Do
agiota a obsessão
o
desfrute da persistência
na perseguição
na perseguição
a
destreza
de brincar de gato
coa presa
de brincar de gato
coa presa
o
prazer de excruciar
matar de pouquinho
bem devagarinho
como se fosse um carinho
matar de pouquinho
bem devagarinho
como se fosse um carinho
O
agiota suplicia
pelo gosto de sangue
pelo gosto de sangue
Nos
tempos de ditadura
apresenta-se como voluntário à polícia
para servir nos calabouços da tortura
apresenta-se como voluntário à polícia
para servir nos calabouços da tortura
Não
é aferro de fanático
O agiota não tem bandeiras
não tem pátria nem deus
O agiota um cadáver que ama os cadáveres
O agiota não tem bandeiras
não tem pátria nem deus
O agiota um cadáver que ama os cadáveres
A
tortura um contato erótico
As lágrimas o sangue
a urina o excremento
são para o sevicia-
dor cheiros sabores
afrodisíacos alimentos
Quanto mais remorseado o corpo
sangrada a carne
intenso o desejo
o prazer
As lágrimas o sangue
a urina o excremento
são para o sevicia-
dor cheiros sabores
afrodisíacos alimentos
Quanto mais remorseado o corpo
sangrada a carne
intenso o desejo
o prazer
*
Jornalista,
poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em
História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como
a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do
Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A
República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o
recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
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