Facilidades e dificuldades
* Por
Pedro J. Bondaczuk
Ser escritor, nos dias que correm, se
tornou mais fácil e, simultaneamente, mais difícil, por paradoxal que pareça. A
facilidade principal e óbvia está nos meios de consulta, de produção e de
difusão dos textos. Há não muito, para se pesquisar qualquer assunto, por
exemplo, era necessário gastar fortunas na aquisição de livros. Quando isso não
era possível (e raramente era), o escritor precisava fazer demorada e cansativa
“romaria” a várias bibliotecas em busca das informações que precisava. E haja
tempo para isso! Não raro, sequer encontrava o que estava à procura.
Hoje, a rede mundial de computadores
possibilita que o escritor tire praticamente todas e quaisquer dúvidas que
eventualmente lhes surjam, permitindo-lhe escrever com segurança e correção.
Basta acessar o Google e este lhe fornece uma infinidade de fontes de
informação sobre praticamente tudo. Ademais, para “visitar” as melhores
bibliotecas do mundo e ter acesso a obras que até não muito tempo lhe eram
interditas, basta digitar corretamente seu endereço na internet e pronto. Um vasto
universo se descortina à sua frente.
Quanto às possibilidades de divulgação,
sequer é preciso lembrar dos recursos de que dispomos hoje. O que, por exemplo,
não dariam os escritores do século XIX e início do XX (para não ir muito
longe), para dispor de um espaço na internet, para divulgar suas produções?! No
entanto, para nós, isso é tão corriqueiro e banal que sequer nos lembramos.
E onde residem as dificuldades? Em
vários pontos. Afinal, nada é perfeito, como seria desejável que fosse.
Primeira dificuldade: a tremenda concorrência. Temos, na atualidade, mais
escritores do que os que a humanidade produziu em toda sua história, somados.
Segundo obstáculo: originalidade.
Embora o escritor contemporâneo disponha de uma infinidade de temas a explorar,
os mais óbvios são explorados por milhares, quiçá milhões de concorrentes mundo
afora ao mesmo tempo. Quando achamos que escrevemos algo absolutamente novo,
não raro descobrimos, constrangidos, que esse mesmíssimo assunto foi explorado
não por um, mas por uma infinidade de escritores, posto que com abordagens
diversas da nossa.
Terceira dificuldade: preservação da
autoria. São cada vez mais comuns plágios, alguns desastrados e grosseiros,
daquilo que escrevemos com tanto empenho e entusiasmo, notadamente na internet.
Apesar de haverem leis e mais leis que resguardem os direitos de autoria,
amiúde estas são violadas, às vezes, até, sem que venhamos a saber. E novas e
não menos enjoadas dificuldades poderiam ser mencionadas, o que não faremos
para não cansar o paciente leitor. Como se vê, como toda a moeda, esta, que se
refere à nossa atividade, também tem duas faces: a das facilidades e a dos
obstáculos.
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas
(atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e
do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe,
ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma
nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas), “Antologia” – maio de 1991
a maio de 1996. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 49 (edição
comemorativa do 40º aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53, página 54. Blog “O
Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Fiquei constrangida quando há uns dois ou três anos escrevi, achando que abafava, o título "Pedras pra que te quero?" Já falei isso aqui. Quando fui ver no Google, achei uma infinidade de textos com o mesmo nome. Fazer o quê? Todos já pensaram muitas vezes sobre tudo que você vier a pensar, e o que desaponta: imaginar estar sendo original.
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