Domingo
* Por
Guilherme de Carvalho
“Pois
de tudo fica um pouco”. Carlos Drummond
de Andrade, Resíduos
Ainda há os que ligam o rádio
domingo de manhã
usam cafeteira italiana
e passeiam nus pela sala-quarto
inocentes.
Nublado
o bairro de Botafogo respira
fresco.
Vizinhos discutem
ao telefone
misérias das quais sabemos
pouco
muito pouco.
O café na bandeja
as frutas
os poemas
na bandeja
estão frios
de geladeira.
Não se conhecem
dormiram juntos
em concha
contaram segredos
riram amaram-se.
O banho ressurge
o marasmo
do mundo exterior.
Ele esquece o relógio
na bancada
em promessa.
E o medo
bicho incontornável
faz comichão
nas nucas.
O que chamamos a(deuses).
*
Estudante do curso de Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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