Ainda a pedra
* Por Márcio Juliboni
Chuta
a pedra, José!
Passa
adiante.
Que
ela fique no meio do caminho,
Entre
o fim e o começo
De
sua própria poesia.
Esgotada
e inerme,
Apenas
incapaz de mover-se.
Chuta
a pedra, José!
Que
lhe doa o dedão,
Que
lhe estoure o pé!
Que
lhe sangre o tendão!
Dane-se,
José!
Chuta
a pedra!
A
pedra que contorna
Apenas
lhe torna mais sinuoso o caminho.
Ainda
que nela suba,
Ainda
que pelo lado passe,
Haverá
sempre esse pedaço de chão
Que
não pisará, enquanto ela aí estiver.
Esse
chão, esse chão...José.
Mas,
se mais quiser,
Ergue
e atira longe
Essa
pedra, José!
Não
hesite em arrancá-la
De
seu leito de apatia,
Pois
ela já te desterrou
Desde
que se pôs
No
caminho por onde seguia.
O
seu caminho...José.
Mas,
se ainda mais quiser,
Atira
longe essa pedra, José!
De
estilingue,
De
catapulta,
De
qualquer jeito.
Neles,
que aí a puseram.
Que
aí a deixaram.
Que
daí não a tiraram.
Sabe-se
lá porque, José...
*Jornalista, cobre Economia e
Negócios no portal Exame. Trabalhou no serviço de notícias online, “Panorama
Setorial”, do jornal Gazeta Mercantil, na Agência Estado e em várias revistas
segmentadas. Iniciou a carreira na grande imprensa em 2000.
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