Os Executivos na Zona
*
Por Ruth Barros
Anabel tem um amigo que
trabalha com informática e, entre seus vários deveres de ofício,
ele faz baby sitter de executivos estrangeiros com os quais sua
empresa tem negócios. Baby sitter talvez não seja a melhor palavra,
visto que a grande parada é levá-los para diversão noturna. E ele
contou um caso muito divertido de dois espanhóis vindos recentemente
a São Paulo, quando ocorreu uma visita a um bordel de luxo. As
mulheres eram lindas, impecáveis, em sua grande maioria
universitárias – aliás, ainda não consegui entender muito bem
essa tendência. Será que os bordéis andam tão antenados com o
mercado na procura de profissionais mais qualificados que só garotas
de programas que estejam na faculdade conseguem melhor lugar ao sol,
quer dizer, no escurinho dos bordéis? Se a moda pega em breve vão
exigir MBA delas.
Mas voltando aos espanhóis,
um declarou que era casado, não estava afim de farra nem de trair a
mulher, só queria beber uma cerveja em paz e conferir a fama da
beleza das brasileiras. Já o outro, que também era casado, mas
estava em ritmo de “garoto, essa é a sua chance”, não
demonstrou nem de longe o mesmo espírito de fiscal da natureza, pelo
contrário, queria porque queria conferir o material tupiniquim. Foi
logo fisgado por uma morena espetacular e o espetáculo começou.
Depois de ter bebido um pouco resolveu encarar a pista de dança,
onde lembrava um pelicano no cio, bebeu mais, e, por volta das 3h30,
exibido e generoso como recomenda a etiqueta desses lugares, pagou a
conta de todos em dinheiro, para não dar bandeira com o cartão de
crédito corporativo. Sim, porque ao contrário de certos governos e
outros folgados fregueses de carteirinha do cartão corporativo, com
perdão do trocadilho, a empresa certamente iria estranhar o horário
e o montante da conta. E uma nota fiscal simples passaria como recibo
de despesas, afinal de contas eram dois executivos em viagem de
negócios.
Meu amigo foi levar a trupe
ao hotel, agora já engrossada pela morena. Ao chegar, o generoso
pediu-lhe disfarçadamente dinheiro emprestado, ele não lembra se
eram 500 euros ou 500 reais, que não tinha, brasileiro em pânico de
assalto não anda com essa grana toda no bolso. Acontece que era esse
o preço dos serviços da digamos, universitária, que o gringo
simplesmente não combinara previamente, esquecido de que sexo não
se paga com cartão corporativo, aliás com cartão nenhum. Com muito
custo os três conseguiram juntar 400 euros ou reais. A morena se
contentou com 80% do que deveria receber e não fez escândalo no
hotel, não fez foi nada, tomou um táxi e sumiu na madrugada
deixando o espanhol na mão.
Anabel Serranegra adora
espanhóis
*
Maria
Ruth de Moraes e Barros, formada em Jornalismo pela UFMG, começou
carreira em Paris, em 1983, como correspondente do Estado de Minas,
enquanto estudava Literatura Francesa. De volta ao Brasil trabalhou
em São Paulo na Folha, no Estado, TV Globo, TV Bandeirantes e Jornal
da Tarde. Foi assessora de imprensa do Teatro Municipal e autora da
coluna Diário da Perua, publicada pelo Estado de Minas e pela
revista Flash, com o pseudônimo de Anabel Serranegra.
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