terça-feira, 5 de maio de 2009




Assombração

* Por Aliene Coutinho

Outro dia morri...
Minha alma descolou de mim
e saiu por aí.
Atravessei paredes,
derrubei pratos e talheres,
arrastei correntes,
crianças sorriram para mim...
Fina, transparente, invisível
fui a tantos lugares
quantos dei conta.
Soprei cabelos,
puxei lençóis.
Em mesa branca
desvendei o futuro
e falei do passado
de quem nem conhecia.
Escrevi cartas de amor
psicografadas,
aliviei o peso de quem
sente saudade.
Nem tive medo do fantasma
que eu era.


* Jornalista e professora de Telejornalismo

4 comentários:

  1. A minha mãe tinha muito medo de fantasma/ gente que tinha morrido, e eu não tinha medo, já que fantasma é alma e gente viva é alma e corpo, assim, estando vivos estamos na frente. Quero morrer e vagar assim, leve, de forma suave, levitando, fazendo travessuras, e distraindo crianças, sem medos e sem sustos. A morte vista dessa maneira nem é morrer, é sobrevoar o que a vida tem de melhor. Parabéns pela leveza e doçura.

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  2. Aceitar o próprio fantasma é aceitar a si,a parte de si que, antes, estranhava. A poesia tem esse poder de regeneração, a poesia é saudável, mais fiel que um espelho, pq desvenda. Parabéns, Aliene.

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  3. Daniel, Mara, Murta: Obrigada pelos comentários! digamos que pegaram exatamente o "espírito" do poema.

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