

Assombração
* Por Aliene Coutinho
Outro dia morri...
Minha alma descolou de mim
e saiu por aí.
Atravessei paredes,
derrubei pratos e talheres,
arrastei correntes,
crianças sorriram para mim...
Fina, transparente, invisível
fui a tantos lugares
quantos dei conta.
Soprei cabelos,
puxei lençóis.
Em mesa branca
desvendei o futuro
e falei do passado
de quem nem conhecia.
Escrevi cartas de amor
psicografadas,
aliviei o peso de quem
sente saudade.
Nem tive medo do fantasma
que eu era.
* Jornalista e professora de Telejornalismo
* Por Aliene Coutinho
Outro dia morri...
Minha alma descolou de mim
e saiu por aí.
Atravessei paredes,
derrubei pratos e talheres,
arrastei correntes,
crianças sorriram para mim...
Fina, transparente, invisível
fui a tantos lugares
quantos dei conta.
Soprei cabelos,
puxei lençóis.
Em mesa branca
desvendei o futuro
e falei do passado
de quem nem conhecia.
Escrevi cartas de amor
psicografadas,
aliviei o peso de quem
sente saudade.
Nem tive medo do fantasma
que eu era.
* Jornalista e professora de Telejornalismo

Belo, belo, belo, poema.
ResponderExcluirA minha mãe tinha muito medo de fantasma/ gente que tinha morrido, e eu não tinha medo, já que fantasma é alma e gente viva é alma e corpo, assim, estando vivos estamos na frente. Quero morrer e vagar assim, leve, de forma suave, levitando, fazendo travessuras, e distraindo crianças, sem medos e sem sustos. A morte vista dessa maneira nem é morrer, é sobrevoar o que a vida tem de melhor. Parabéns pela leveza e doçura.
ResponderExcluirAceitar o próprio fantasma é aceitar a si,a parte de si que, antes, estranhava. A poesia tem esse poder de regeneração, a poesia é saudável, mais fiel que um espelho, pq desvenda. Parabéns, Aliene.
ResponderExcluirDaniel, Mara, Murta: Obrigada pelos comentários! digamos que pegaram exatamente o "espírito" do poema.
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