Exercício constante
“A prática conduz à perfeição”. Essa
afirmação, que soa um tanto dogmática e que até já se transformou em surrado
clichê, é, no entanto, a mais lídima das verdades, sobretudo para o escritor
(embora valha para toda e qualquer atividade). Quem lida com textos tem o
dever, para consigo e principalmente para com seus leitores, de aprimorar
sempre o que escreve, mediante exercícios constantes, diários e exaustivos.
Qualquer atleta, para conseguir
vitórias em sua modalidade, e estabelecer recordes e mais recordes, superando
limites (próprios e dos seus competidores), submete-se a treinos e mais treinos
ao longo de toda a carreira. Caso se descuide desse aspecto, sua performance,
certamente, será muito aquém da que poderia obter e ficará, certamente, à
margem das vitórias.
O maior atleta do século XX, Pelé, tido
e havido consensualmente (com justiça) como o mais completo e hábil jogador de
futebol de todos os tempos, a despeito do seu enorme e incontestável talento,
sempre se constituiu em exemplo para os companheiros de profissão. Treinava,
treinava e treinava, e muito, na maior parte das vezes mais do que os outros
jogadores, e obtinha, como resultado, desempenhos crescentemente melhores.
Quando seus colegas deixavam o campo de treinamento, ele permanecia por mais
vinte, trinta ou mais minutos, treinando
domínio de bola, passes e chutes á média e longa distância etc.
“Literatura é diferente”, dirão alguns.
E é mesmo. O cérebro requer muito mais exercícios do que o corpo para funcionar
bem. Quem adquire o hábito de exercitá-lo, com meditação, leitura e textos,
leva enorme vantagem sobre quem não faz isso.
Vejam o caso de Machado de Assis.
Jamais freqüentou escola. Iniciou-se no mundo das letras como tipógrafo e foi assim que aprendeu a ler
e a escrever.
Trabalhou anos no Diário Oficial da
União. Mais tarde, foi funcionário público exemplar na Estrada-de-ferro Central
do Brasil. Escreveu muito, todos os tipos de texto, desde os oficiais aos
literários. Colaborou por anos e mais anos com jornais e revistas. Só as suas
crônicas, publicadas na imprensa do Rio de Janeiro, preenchem, hoje, vários e
alentados volumes, revelando intensíssima produção. Exercitou, pois, seu
talento Treinou exaustivamente. E chegou onde chegou.
Portanto, amigo escritor, treine o mais
que puder. Escreva diariamente. Se tiver a ventura de ser convidado para
colunista de um grande jornal ou revista, aceite. Caso contrário, colabore com
jornais de bairro, de paróquias, de sindicatos. Não tenha preconceitos. Ou, se
não tiver oportunidade na imprensa, faça um blog. Ou escreva cartas aos amigos.
O advento do computador e do email facilitou essa tarefa. Correspondências
entre escritores já resultaram em excelentes
livros. Mas escreva. Escreva sempre.
Amiúde se diz por aí que Literatura se
faz com idéias, pensamentos e sentimentos. Paul Valéry, embora concordando em
parte com essa afirmação, lembra, todavia, que se faz, sobretudo, com palavras.
Se você não souber manejar essa matéria-prima dos seus sonhos com perícia,
precisão, competência e naturalidade, de nada lhe valerão quer o talento, quer
a imaginação, quer a criatividade. Pense nisso.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
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