A pauta é religião
* Por Roberto Corrêa
Os assuntos em evidência são cansativos e repetitivos, de modo que
precisamos fugir deles: o voto decisivo sobre os embargos infringentes do
mensalão que todos sabem qual será, o futebol exaustivo dos diversos torneios,
o julgamento de crimes antigos, as novidades dos recentes crimes, etc.etc.
Aí precisamos muitas vezes retornar aos princípios religiosos que podem
ajudar a aumentar a nossa fé, pois ateus e descrentes, no cotidiano, muitas
vezes nos azucrinam com seus argumentos que tendem a enfraquecê-la, quando a
missão de todo cristão é propagá-la. Aquele velho argumento de que ninguém
voltou da outra vida para confirmar que ela existe mesmo, volta sempre à baila,
pois é de magna inteligência aceitar como reais coisas que não vemos ou
apalpamos pelos sentidos.
Mas, se não existe outra vida, esta é plenamente absurda; por que
respeitar as normas do direito natural e não agir apenas pelo instinto? E que bagunça
resultaria da vida humana e do mundo, se não as respeitássemos?
Meus caros, o que necessitamos, em resumo, é aprofundar cada vez mais a
fé que temos em Jesus abeberando-nos dos seus ensinamentos não só através da
leitura das Sagradas Escrituras, mas da literatura abundante da Igreja, dos
esclarecedores catecismos em suas diversas edições com eminentes comentadores e
assim por diante.
O nosso saudoso professor de Direito José Pedro Galvão de Sousa, em seu
Breve Catecismo Expositivo, que cito com frequência, nos esclarece bem sobre a
fé: “ São Paulo faz ver que, das três virtudes teologais, a Caridade é a maior
e permanece para sempre (1Cor 13,8 a 13), o que não acontece com as demais.
Com efeito, no Céu não haverá mais lugar para a Fé porque veremos a Deus.
Aqui cremos; no Céu veremos. Nem para a Esperança, pois lá, já estaremos na
posse de Deus, objeto da nossa Esperança enquanto peregrinamos pela terra. A
Caridade, sim, permanecerá, tornando-se ainda maior.
A felicidade eterna consiste em contemplar e amar a Deus.” (pg. 48).
Mas, para a conquista da eternidade feliz, como já temos salientado a Fé é
absolutamente necessária: crer com toda certeza, naquilo que não vemos.
E aproveitando compulsamos o nosso velhíssimo II Catecismo da Doutrina
com duas perguntas e respostas lá existentes ficamos plenamente esclarecidos
sobre o problema da Fé; “podemos compreender todas as verdades da Fé?
Não; não podemos compreender todas as verdades da Fé porque algumas dessas
verdades são mistérios. Que são os mistérios? Os mistérios são verdades
superiores à nossa razão, as quais devemos crer, ainda que não as possamos
compreender.”
* Roberto Corrêa é sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Academia Campineira
de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico, de
Campinas, e de clubes cívicos e culturais, também de Campinas. Formou-se pela
Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Fez pós-graduação em Direito Civil pela USP e se aposentou como Procurador do Estado.
É autor de alguns livros, entre eles "Caminhos da Paz", "Direito
Poético", "Vencendo Obstáculos", "Subjugar a Violência”,
Breve Catálogo de Cultura e Curiosidades, O Homem Só.
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