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Inviolável
* Por Marcelo Sguassábia
Ali, todo oferecido, o buraco de fechadura a se devassar a quem se dispusesse. Mais que suspeitos, os ruídos lá de dentro entregavam a indecência que nenhum dos dois (seriam só dois?) se preocupava em abafar. O certo é que por aquela fresta ninguém veria nem borboletas voando nem fiéis em novena, mas quem do lado de cá para o gesto condenável, para curvar a espinha e confirmar que não eram mesmo nem novenas, nem borboletas?
À porta, juntava gente. Curioso, alguém desce à recepção e confere a lista de hóspedes. Ninguém naquele quarto. Já agora os uivos do sexo bruto são gritos de guerra civil. Crianças que vomitam ao cuspe das metralhadoras. No 306B, com suíte, sacada e vista para a praça, se encerra o mundo de quem não se tem ideia. E a guerra de há pouco vira algo próximo de pregão da Bolsa, depois de programa e auditório, em seguida de previsão do tempo e enfim de coral de igreja.
- Arrombemos, arrombemos – dizem os alguéns vários em uníssono.
Lá dentro, a TV ligada e um cão. Com o controle remoto na boca.
* Redator publicitário há mais de 20 anos, cronista de várias revistas eletrônicas, entre as quais a “Paradoxo”
* Por Marcelo Sguassábia
Ali, todo oferecido, o buraco de fechadura a se devassar a quem se dispusesse. Mais que suspeitos, os ruídos lá de dentro entregavam a indecência que nenhum dos dois (seriam só dois?) se preocupava em abafar. O certo é que por aquela fresta ninguém veria nem borboletas voando nem fiéis em novena, mas quem do lado de cá para o gesto condenável, para curvar a espinha e confirmar que não eram mesmo nem novenas, nem borboletas?
À porta, juntava gente. Curioso, alguém desce à recepção e confere a lista de hóspedes. Ninguém naquele quarto. Já agora os uivos do sexo bruto são gritos de guerra civil. Crianças que vomitam ao cuspe das metralhadoras. No 306B, com suíte, sacada e vista para a praça, se encerra o mundo de quem não se tem ideia. E a guerra de há pouco vira algo próximo de pregão da Bolsa, depois de programa e auditório, em seguida de previsão do tempo e enfim de coral de igreja.
- Arrombemos, arrombemos – dizem os alguéns vários em uníssono.
Lá dentro, a TV ligada e um cão. Com o controle remoto na boca.
* Redator publicitário há mais de 20 anos, cronista de várias revistas eletrônicas, entre as quais a “Paradoxo”
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTenho sorte então em não ser muito
ResponderExcluircuriosa, pois ficaria danada da vida
com esse desfecho.
Texto divertidíssimo. Adorei.
Abraços
Arrebentou geral, mestre Marcelo! Seu humor imbatível perpassa, desta vez, crônica altamente crítica que reúne poder, mídia e bisbilhotice num único balaio. E resolve! Parabéns.
ResponderExcluirQue surpresa gostosa, tanto quanto o que imaginávamos que lá encontrariam. Mais uma vez brilha o clichê: nem tudo é o que parece. Bom que chega!
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