sábado, 14 de fevereiro de 2015

Caçando nos Sertões do Seridó


* Por Woden Madruga


Hoje, sexta-feira, 13, lua em quarto minguante, é dia de hastear bandeira no  Sebo Vermelho. Pode ser, sim, o pavilhão nacional (“Auriverde pendão da minha terra,/ Que a brisa do Brasil beija e balança”,  sugerido por Castro Alves), porque o  ato  merece um estandarte desse tutano. A partir das 9 horas, esticando até às 17,  na calçada famosa da avenida Rio Branco 705, na Cidade Alta, onde, há muitos anos atrás,  Gumercindo Saraiva (saudades) instalou a sua Casa da Música, Abimael Silva abre as portas do  não menos famoso Sebo Vermelho para lançar o livro que marcou a estreia literária de Oswaldo Lamartine de Faria (mais saudades): A Caça nos Sertões do Seridó.

A primeira edição foi em 1961, no Rio de Janeiro, através do Serviço de Informação Agrícola, do Ministério da Agricultura. O livro tem ilustrações de Percy Lau e desenhos do próprio Oswaldo, além de fotos de esculturas de madeira (de Chico Santeiro) e de barro (do Mestre Vitalino, de Caruaru), pertencentes a  sua coleção particular. Esta nova edição tem orelhas assinadas por Vicente Serejo e capa de Alexandre Oliveira.

Reeditar Oswaldo Lamartine já é motivo de festa. Mas  o lançamento de hoje  tem um acessório muito especial:  marca  o inicio das comemorações dos  30 anos do Sebo Vermelho como editora.  Aí são duas bandeiras  hasteadas: a do Brasil e a do Rio Grande do Norte, ambas subindo ao som da Filarmônica de Cruzeta regida pelo Maestro Bebem Dantas. Vai uma valsa: Royal Cinema.

O Sebo Vermelho tem recordes nacionais.  Em seus trinta anos de atividades já editou 411 títulos, incluído este A Caça nos Sertões do Seridó. Poucas editoras (acho que nenhuma) conseguiram editar tantos livros neste espaço de tempo. Dá uma média de  13,7 livros por ano. Mais de um livro por mês. É fantástico. Na sua grande maioria autores potiguares. Basta conferir os títulos da Coleção João Nicodemos de Lima. O distinto público aplaude de pé!

O livro de Oswaldo Lamartine está dividido em quatro capítulos  (cada um com vários subtítulos): “O começo dos sertões do Seridó”; “O mundo seridoense”; “A caça nos sertões do Seridó” e “E por derradeiro”. Acrescente-se “Notas”, “Quadros estatísticos e de fauna” e mais “Referências bibliográficas”.

Abro o livro e vou lendo (ou seria ouvindo?) o que Oswaldo escreveu sobre chão duro e os matos de seus sertões:

- A vegetação é espinhenta, retorcida, agressiva,  mesmo torturada, no dizer euclideano. Dominam as cactáceas e outras formas xerófilas que estampam lajedos no solo pedregoso, raso e  áspero. Daí a indumentária do vaqueiro em couro curtido – retratada por Euclides da Cunha – Os Sertões (‘armadura de um vermelho pardo, como se fosse de bronze flexível, não tem cintilações, não rebrilha ferida pelo sol. É fosca e poenta. Envolve o combatente de uma batalha sem vitórias. Forma grosseira de campeador medieval desgarrado em nosso tempo’).

(Texto publicado no jornal “Gazeta do Norte”, de Natal/RN, em 13 de fevereiro de 2015).

* Jornalista e colunista do jornal Tribuna do Norte de Natal/RN


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