Dias contados
* Por
Talis Andrade
Estou com os pés atados
os dias contados
Nunca mais
andar por aí
onde os caminhos eram ladeados
pelas verdes árvores
que davam sombra
e o canto dos pássaros
Onde os caminhos tinham o perfume
das flores e dos frutos
Estou com os pés atados
e as asas cortadas
Nunca mais
andar por aí
onde o rio era mais azul
Nunca mais
voar por aí
sobre o vale verdejante
Ousar o longe
as alturas
Voar sobre o campanário
da igreja da cidade que nasci
Voar sobre a casa amarela
dos meus assombros e encantos
Vê a menina na janela
que se faz mais distante
de quando eu caminhava
suplicante por um sorriso
um olhar
A menina não me via
nem percebia eu possuía
o poder de transformar
o que era feio em coisas lindas
Uma magia que apenas dependia
dos olhos dela cegos de mim
Nunca mais
voar por aí
Ousar o longe
as alturas
Nunca mais
Nunca mais
pelo vale verdejante
a voz cantante
da ninfa Eco
Nunca mais
* Jornalista, poeta,
professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou
em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do
“Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e
“A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado
“Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
Quantas incontáveis imagens mágicas e maravilhosas. Fez-me fazer uma deliciosa viagem.
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