Arrepare não!
* Por
Evelyne Furtado
Quando não escrevo, vivo. Não que esteja morta
enquanto escrevo, mas escrever é outra forma de viver. Talvez seja reviver.
Registrar a vida, o pensamento, a dor, as paixões.
Há momentos, no entanto, em que sou chamada a exercitar a vida tão somente. Sem escolher gestos, palavras, ou pensamentos. Simplesmente ser eu mesma com um livro, um copo ou um corpo entre as mãos.
Nos últimos verões recolhi-me e escrevi bastante. Expus todas as emoções em textos. Lembrei o passado. Esperei chamados. Mantive a palidez. Esqueci a estação.
Neste verão , dei a mão ao sol, ao mar, às conversas soltas nas varandas. Matei a sede com gosto e cantei.
Bem ou mal, eu canto desde a primeira madrugada de 2009. Com microfone ou sem. Desafinando ou não. Esquecendo as letras e esperando o auxílio de alguém para me tirar do impasse eu estou cantando.
Quem canta seus males espanta. Vai aí um um provérbio mais que batido e cheio de razão. Por que não citá-lo? Arrisco-me ao clichê, pedindo desculpa aos que se sentirem feridos. Sinto-me como se tivesse cantando entre amigos, sem medo do julgamento.
Ontem cantei e na motivação cheguei a dar às costas para o mar. Pecado grande. Porém, me unir ao coro foi mais forte que a contemplação
Eu ainda estava conversando, quando ouvi a música que me trouxe a leveza de outros verões e não resisti. Cantei a canção de Ednardo e compreendi que cantar parece com não morrer. Amar e escrever também.
Enquanto Engomo A Calça.
Ednardo
Arrepare não
Arrepare não
Mas
enquanto engomo a calça eu vou lhe cantar
Uma
história bem curtinha fácil de contar
Porque
cantar parece com não morrer
É igual a
não se esquecer
Que a
vida é que tem razão
Porque
cantar parece com não morrer
É igual a
não se esquecer
Que a
vida é que tem razão
Esse voar
maneiro foi ninguém que me ensinou
Não foi
passarinho
Foi olhar
do meu amor
Me
arrepiou todinho e me eletrizou assim quando olhou meu coração (2x)
Ai, mas
como é triste
Essa
nossa vida de artista
Depois de
perder Vilma prá São Paulo
Perder
Maria Helena Prum Dentista
* Poetisa
e cronista de Natzl/RN
Viver ou escrever, "quando não escrevo, vivo", e também "cantar parece com não morrer". Os verbos se entrelaçam com seus significados não tradicionais, para a nossa alegria.
ResponderExcluirÉ isso aí, Evelyne! Vamos que vamos...
ResponderExcluirAbração do,
José Calvino
RecifeOlinda