quarta-feira, 29 de março de 2017

Ser excelente


A vida, ao contrário do que muita gente pensa, não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida para uma aventura em que poderemos nos tornar heróis ou covardes, santos ou o suprassumo do mal, criadores ou destruidores, amados ou odiados etc.etc.etc. O resultado dessa empreitada depende apenas de nós. Para uns, a tarefa de se constituir em vencedor é mais fácil, dadas as condições de nascimento. Para outros, muito mais árdua e, aparentemente impossível, pelas mesmas razões (ou outras quaisquer). Não importa. Todos, independente do sexo, cor, origem ou condição econômica ou social, têm condições de alcançar essa vitória.

O simples fato de nascermos já é uma conquista fabulosa que raramente (ou literalmente nunca) valorizamos. Somos aquele espermatozóide que venceu a corrida com vários bilhões de outros, para fertilizar um único e específico óvulo, dando origem ao que somos. Matematicamente, qual a probabilidade disso acontecer? Ínfima, reduzidíssima, irrisória, quase nula. No entanto... aconteceu. Já entramos, portanto, num mundo, estranho, imenso (infinito?) e misterioso, como vencedores.

Para muitos, todavia, esta é a única vitória, até que esgotem o seu tempo (que para cada pessoa é específico e exclusivo e que ninguém sabe com antecedência qual é) e se tornem, pelo menos materialmente, em pó. Desconhecemos se essa fase material é a única que temos ou apenas uma etapa, para outro tipo de vida, imaterial, energético ou, como os místicos e religiosos preferem, espiritual. Podemos até acreditar que seja assim. Mas, certeza, certeza mesmo, ninguém tem, embora muitos apregoem como sendo a suprema realidade. Não é. É um mistério e é bom que seja assim.

A partir do nascimento – que, reitero e enfatizo, é, por si só, maiúscula vitória – todos, sem exceção, temos diante de nós enorme desafio: o de fazermos a diferença no mundo e justificarmos nossa passagem pela Terra. Por algum motivo viemos para cá. Qual? E quanto piores forem nossas condições ao nascermos, quanto mais graves forem nossas deficiências, maior valor terá nosso sucesso, se conseguirmos marcar nossa passagem com atos, e fatos e feitos de grandeza, transcendência e amor. E, sobretudo, com obras (materiais ou imateriais, não importa).

O parâmetro que devemos estabelecer, para nortear nossos passos, é o da excelência, nunca menos do que isso. E mesmo que, por alguma razão, não venhamos a atingir essa meta (pouquíssimos a atingem), certamente chegaremos bem próximos dela se a perseguirmos de forma incansável e ininterrupta. Conquistaremos um lugar cativo na memória dos povos e nos corações de gerações após gerações.

E o que vem a ser um indivíduo excelente? Para definir essa qualidade, prefiro dar voz a um especialista no assunto. Trata-se do mexicano Miguel Angel Cornejo y Rosado, um dos líderes latino-americanos mais ouvidos, em âmbito mundial, considerado o iniciador da “cultura da excelência”. É, sem dúvida, uma autoridade no assunto. Afinal, entre outras tantas realizações, já fez em torno de quatro mil conferências nas Américas, Ásia e Europa. Se tanta gente se dispôs a ouvi-lo, é porque, certamente tem o que dizer. Sua principal mensagem é a de que “a melhor forma de viver é estar plenamente apaixonado por tudo o que o rodeia”.

Para Rosado, “ser excelente é fazer as coisas e não buscar razões para demonstrar que não podem ser feitas. Ser excelente é compreender que a vida não é algo que se receba pronto, mas, sim, que temos de produzir as oportunidades para se alcançar o êxito. Ser excelente é compreender que, com base numa férrea disciplina, é possível forjar o caráter dos triunfadores”.

Claro que não se trata apenas disso. Mas sem essa compreensão, sem essa fé nas próprias potencialidades e, principalmente sem uma ação ininterrupta e construtiva, ninguém pode sequer sonhar com a excelência. E Miguel Angel Cornejo y Rosado prossegue: “Ser excelente é traçar um plano e alcançar os objetivos desejados, apesar de todas as circunstâncias. Ser excelente é saber dizer: equivoquei-me e se propor a não cometer mais o mesmo erro. Ser excelente é levantar cada vez que se fracassa, com um espírito de superação e de aprendizagem”.

Como se vê, a excelência não exige uma pessoa perfeita (ninguém é), que nunca tenha dúvidas, que não cometa erros e que jamais fracasse. Ao contrário, é uma condição que qualquer um pode alcançar, independente de sexo, cor, etnia ou condição econômico-social, desde que tenha determinação. O segredo dessa busca é a persistência. Mais do que isso, é saber persistir na persistência!

Mas a excelência não admite a preguiça, a inércia, o desânimo e a omissão. O omisso, então, jamais conseguirá ser sequer bom (nem mesmo medianamente), quanto mais excelente. Nem aquele que nunca assume a responsabilidade por seus atos, erros e fraquezas, atribuindo-os, invariavelmente, a alguma circunstância ou a alguém.

Rosado conclui, com estas sábias palavras, sua memorável explanação: “Ser excelente é reclamar consigo mesmo para o desenvolvimento pleno das próprias potencialidades buscando incansavelmente a realização. Ser excelente é entender que, através do privilégio diário do nosso trabalho, podemos alcançar a realização. Ser excelente é exercer a nossa liberdade e sermos responsáveis por cada uma das nossas ações. Ser excelente é sentir-se ofendido e lançar-se à ação contra a pobreza, a calúnia e a injustiça. Ser excelente é transcender o nosso tempo deixando, para as gerações futuras, um mundo melhor”.

Esta é a vitória final, que complementa e justifica aquela inicial, a do nosso nascimento, e que nos compete buscar sem descanso ou desânimo. Você tem 20 anos de idade e ainda é analfabeto? Não importa! Comece a estudar, hoje mesmo, que você será um doutor (se de fato quiser, claro). Impossível?! Não! Conheço inúmeros casos de pessoas que empreenderam esse tipo de reação e hoje são profissionais respeitados e vitoriosos.

Você não tem emprego, salário e nem um cantinho para esconder a cabeça? Não importa! Você está vivo e, portanto, todas as possibilidades lhe estão abertas! Mas lute, se esforce, aja e não espere que ninguém lhe faça o que lhe compete exclusivamente fazer. Não lamente. Busque alternativas. Não culpe ninguém pela sua situação. Busque soluções. Seja excelente! Seja um HOMEM!

Boa leitura!

O Editor.

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Um comentário:

  1. Somos o que conseguimos ser, mas é bom que nunca falte coragem.

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